Cirurgia robótica pode aumentar chance de gravidez em mulheres com miomas

Cirurgia robótica pode aumentar chance de gravidez em mulheres com miomas

Cerca da metade das mulheres que são submetidas a uma miomectomia assistida por robô consegue engravidar após o procedimento. Além do aumento da chance de conceber, a cirurgia também melhora a taxa de nascimento: 78% das gestações resultaram em bebês nascidos vivos. Esses dados são de um estudo retrospectivo, realizado por pesquisadores do Nimes University Hospital, na França. Um dos benefícios mais importantes da miomectomia é que ela preserva o útero, ao contrário da histerectomia, cirurgia que remove o órgão. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 200 a 300 mil mulheres são submetidas à histerectomia todos os anos. Cerca de 40% a 60% ou mais dessas cirurgias são justamente para a retirada dos miomas. A histerectomia é segunda cirurgia ginecológica mais realizada em mulheres em idade reprodutiva, só perde mesmo para cesárea. Indicação correta De acordo com Dr. Edvaldo Cavalcante, ginecologista e cirurgião ginecológico, os benefícios da miomectomia assistida pelo robô são conhecidos e evidenciados pelos estudos. Porém, infelizmente, a cirurgia tem indicações muito específicas. “Quando o útero está com seu volume muito aumentado, quando há muitos miomas ou ainda quando os miomas são muito grandes, pode ser necessário realizar a miomectomia aberta”. Mas, tanto a miomectomia por laparoscopia, com ou sem robô, quanto à miomectomia aberta, tem como finalidade preservar o útero, principalmente nas mulheres em idade reprodutiva ou ainda naquelas que desejam manter o órgão. “A histerectomia pode ser necessária em alguns casos, porém esgotamos todos os recursos antes de fazer essa indicação”, explica Dr. Edvaldo. Miomas e infertilidade Miomas são os tumores pélvicos benignos mais comuns em mulheres em idade fértil. Levam esse nome porque se desenvolvem no miométrio, a camada média da parede uterina. Nem todos os miomas causam infertilidade. “Contudo, aqueles que crescem no interior da cavidade uterina podem dificultar a concepção, além de elevar o risco de abortamento”, explica o médico. Cirurgia Robótica no Brasil De acordo com dados da fabricante do equipamento, da Vinci®, o Brasil conta com 74 robôs cirúrgicos, a maioria em hospitais privados da região Sudeste. Embora nos últimos anos houve um crescimento das cirurgias assistidas pelo robô, existe a necessidade de aumento de médicos cirurgiões certificados e treinados, bem como a expansão do equipamento para outras regiões.

Severidade das ondas de calor aumenta risco de eventos cardiovasculares

Severidade das ondas de calor aumenta risco de eventos cardiovasculares

É a severidade e não a frequência das ondas de calor do climatério, o famoso fogacho, que aumenta o risco de eventos cardiovasculares, com infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). Essa foi a principal descoberta de um estudo publicado esse ano, no American Journal of Obstetrics and Gynecology. O estudo reuniu dados de 23 mil mulheres por meio da análise de seis estudos prospectivos, fruto de uma colaboração internacional, liderada pela Universidade de Queensland, na Austrália. Segundo Dr. Edvaldo Cavalcante, ginecologista e obstetra, cerca de 60 a 80% das mulheres no climatério apresentam sintomas vasomotores, como os fogachos (ondas de calor) e suor noturno. “Esses sintomas costumam se acentuar dois anos antes da última menstruação (menopausa), com um pico de um ano após a menopausa. Em média, esses incômodos podem durar até sete anos. Além de afetar a qualidade de vida, aumentam o risco de eventos cardiovasculares”. O que o estudo mostrou de interessante é que o risco de problemas cardiovasculares aumenta de acordo com a severidade das ondas de calor e dos suores noturnos. “Mesmo que a mulher tenha uma frequência maior desses sintomas, a severidade é o que realmente faz a diferença quando se fala de maior probabilidade de ter um AVC ou um infarto, por exemplo”, comenta Dr. Edvaldo. Início precoce ou tardio Outra descoberta dos pesquisadores é o que risco de eventos cardiovasculares também é maior nas mulheres que apresentaram esses sintomas precocemente (muito tempo antes da menopausa) ou tardiamente (muito tempo depois da menopausa). Janela de oportunidade Infelizmente, não há evidências cientificas sólidas sobre hábitos que possam prevenir os sintomas vasomotores no climatério. “Entretanto, quanto mais saudável a mulher chegar nessa fase, melhor. Inclusive porque àquelas com doenças cardiovasculares prévias têm contraindicação para realizar a terapia hormonal (TH)”, comenta Dr. Edvaldo. “Atualmente, o consenso sobre a indicação da TH aponta que deve ser iniciada na transição menopáusica ou nos primeiros anos após a menopausa, no que chamamos de ‘janela de oportunidade’. Mas, a TH só pode ser prescrita para mulheres saudáveis e sem doenças cardiovasculares”, explica o especialista. A TH indicada nessa janela não só alivia os sintomas vasomotores, como também reduz o risco cardiovascular. Alternativas aos hormônios De acordo com Dr. Edvaldo, existem alternativas para as mulheres que possuem contraindicação ou que não desejam usar a TH. “Os estudos mais recentes apontam que o tratamento com alguns fármacos de uso psiquiátrico, como antidepressivos ISRS (Inibidores seletivos da recaptação de serotonina), ISRN (Inibidores seletivos da recaptação de serotonina-norepinefrina) e a gabapentina (anticonvulsivante) são eficazes em reduzir os sintomas vasomotores”, cita o ginecologista. Por outro lado, fitoterápicos e acupuntura são terapias controversas, com estudos de menor consistência. Quanto a esse estudo, o recado é claro: mulheres com quadros mais severos de sintomas vasomotores no climatério e na pós-menopausa devem ser monitoradas mais de perto. “Isso significa fazer check up com maior frequência, bem como reduzir os fatores de risco preveníveis, como obesidade, tabagismo, sedentarismo, hipertensão arterial e hipercolesterolemia”, encerra Dr. Edvaldo.