Entenda porque a menopausa pode chegar antes do tempo

Entenda porque a menopausa pode chegar antes do tempo

A menopausa é definida como a última menstruação da mulher. Em média, isso ocorre aos 51 anos nos países ocidentais, como o Brasil. Porém, se a última menstruação acontecer entre os 40-44 anos, é considerada menopausa precoce. Segundo um artigo publicado no jornal científico Climateric, as consequências em longo prazo da menopausa precoce incluem diminuição da cognição, mudanças de humor, aumento do risco cardiovascular, perda da densidade óssea, disfunções sexuais, assim como aumento do risco de morte precoce. Por que isso pode acontecer? A menopausa pode chegar antes do tempo para cerca de 10% das mulheres por diversos fatores. Segundo o ginecologista e cirurgião ginecológico, Dr. Edvaldo Cavalcante, as causas são divididas entre naturais e aquelas induzidas por intervenções médicas, como a retirada dos ovários, medicamentos para tratar o câncer e quimioterapia, por exemplo. Veja abaixo alguns fatores de risco da menopausa precoce natural: Menarca aos 11 anos ou menos. Uma das causas naturais da menopausa precoce, segundo um estudo que avaliou 51 450 mil mulheres, é a idade precoce da menarca, ou seja, da primeira menstruação. No estudo, 7,6% das mulheres entraram na menopausa entre os 40 e 44 anos. Mulheres que menstruaram aos 11 anos ou menos têm maior chance de entrar na menopausa precoce. (risco 1,32 vez maior). Não ter filhos: O mesmo estudo relacionou a idade da menarca com a nuliparidade (mulheres que menstruaram cedo e não tiveram filhos). As mulheres com menarca precoce e nulíparas (que não tiveram filhos) apresentaram 2 vezes mais risco de entrar na menopausa antes dos 45 anos em comparação com as mulheres que tiveram a menarca aos 12 anos ou mais, e tiveram dois ou mais filhos. Peso abaixo do normal: Um estudo que acaba de sair, publicado no periódico Human Reproduction, revelou que mulheres abaixo do peso em qualquer idade (Índice de Massa Corporal inferior -IMC a 18,5 Kg/m2) tinham um risco de 30% maior de entrar na menopausa antes dos 45 quando comparadas a mulheres com peso normal. Para as mulheres que aos 18 anos tinham um IMC menor que 17,5 kg/m2 o risco era 50% maior. Aos 35, esse risco aumentava para 59%. Outro dado do estudo foi que perda de peso rápidas, por volta de 10 quilos ou mais, entre os 18 e 30 anos, aumentava em 2,4 vezes o risco de ter menopausa precoce. Tabagismo: Vários estudos ao longo dos anos relacionaram o tabagismo com a menopausa precoce. Um estudo publicado Journal of Preventive Medicine and Public Health, mostrou que fumar aumenta em até 1,40 o risco de entrar na menopausa precoce É possível prevenir? “De acordo com a literatura e com as evidências científicas sobre a menopausa precoce, é possível adotar algumas medidas para prevenir que ela aconteça. A primeira recomendação para as mulheres que fumam é procurar tratamento para largar o cigarro, inclusive porque o tabagismo pode levar a uma série de outras patologias, como câncer de mama, por exemplo”, diz Dr. Edvaldo. O médico também recomenda que as mulheres cuidem do peso. “Embora no Brasil temos mais pessoas acima do peso do que abaixo, o ideal é manter uma vida saudável, por meio de uma alimentação equilibrada e prática de atividade física de forma regular. A mulher deve procurar manter o peso ideal para sua composição corporal.  Também é possível atrasar a idade da menarca, caso a menina apresente puberdade precoce”. Sintomas e tratamentos Os sintomas que da menopausa precoce são os mesmos da menopausa que ocorre dentro da idade esperada. Entre eles estão irregularidades no ciclo, ondas de calor, secura vaginal, mudanças no humor, diminuição da libido, entre outros. A menopausa será confirmada após 12 meses ininterruptos sem menstruar. De acordo com Dr. Edvaldo, na menopausa precoce, o acompanhamento deve ser feito para prevenir as consequências bem conhecidas dessa fase da vida mulher. “É importante avaliar a necessidade de reposição hormonal para amenizar os sintomas, como também para prevenir o desenvolvimento da osteoporose e diminuir o risco cardiovascular. O tratamento também deve envolver a melhorara da vida sexual da mulher”, finaliza o ginecologista.

Vitamina D pode prevenir desenvolvimento de miomas

Vitamina D pode prevenir desenvolvimento de miomas

Você já deve ter ouvido falar que a vitamina D é essencial para a sua saúde, principalmente para prevenir a osteoporose. Deve saber também que a melhor maneira de ativar a síntese desse nutriente é tomando sol. A vitamina D é um importante hormônio produzido a partir da alimentação e, principalmente (90%) pela pele, por meio à exposição a radiação UVB dos raios solares. Entretanto, a novidade é que estudos têm demonstrado que mulheres com miomas, em geral, apresentam deficiência da vitamina D. Seria então a vitamina D um fator de proteção contra os miomas? Segundo um estudo publicado no jornal científico Fertility and Sterility, a deficiência de vitamina D desempenha um papel significativo no desenvolvimento de miomas uterinos. Os pesquisadores apontaram que a vitamina D3 (um dos tipos do nutriente) reduz a proliferação de células do leiomioma in vitro e o crescimento dos tumores em modelos animais in vivo. No estudo, as mulheres com menores níveis da substância apresentaram casos mais graves de miomas. Já as mulheres com níveis suficientes de vitamina D eram menos propensas a desenvolverem os tumores. Você pode estar se perguntando, como uma vitamina, conhecida por proteger seus ossos, pode proteger seu útero contra os miomas? A explicação é que a vitamina D exerce ações diretas ou indiretas em mais de 200 genes envolvidos na regulação do ciclo celular. Ela participa de diversos processos no organismo, incluindo a regulação da proliferação e diferenciação celular, a angiogênese (crescimento de novos vasos sanguíneos a partir dos já existentes) e a apoptose (morte celular programada). Ou seja, todos esses processos participam do desenvolvimento de um tumor, que nada mais é do que o crescimento anormal e desordenado das células. Para corroborar a tese, um estudo publicado em março deste ano, no BMJ, feito com 33.736 pessoas, que foram acompanhadas durante 16 anos, mostrou que níveis adequados da vitamina D reduziram o risco de desenvolver um câncer em 20%. Como saber se você tem bons níveis da vitamina D? Segundo estudos internacionais, estima-se que aproximadamente 40% dos adultos apresentam a hipovitaminose D, cujo principal fator é a falta de exposição solar.  “O Brasil está abaixo da linha do Equador, portanto aqui a incidência dos raios solares é maior e temos mais dias ensolarados do que os países localizados no hemisfério norte. Mesmo assim, poucas pessoas têm o costume de tomar sol por conta os riscos do câncer de pele e do fotoenvelhecimento”, explica o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante. Mas, o médico alerta: tomar sol é fundamental! “Infelizmente, pelos hábitos da sociedade moderna, como trabalhos em lugares fechados e menos tempo ao ar livre podem levar à deficiência da vitamina. Portanto, a recomendação é tomar sol, de preferência com braços e pernas expostos, durante 20 minutos”. Como ou sem protetor? Este é um assunto controverso no meio médico. Alguns estudos dizem que o protetor atrapalha a absorção dos raios UVB pela pele. Mas, em maio deste ano, a Sociedade Brasileira de Dermatologia apresentou um estudo revelando que o uso do filtro solar não impacta na absorção do nutriente. Segundo a pesquisa, a pessoa pode usar o protetor solar e tomar até às 10h ou depois das 16h. Como saber se tenho deficiência? “Para ver se os níveis da vitamina D estão bons, é possível fazer exames de sangue. Há suplementos que podem ser indicados, mas é preciso cuidado na administração, pois em altas quantidades, a substância pode ser prejudicial, por isso, somente o médico pode fazer essa avaliação e prescrever a suplementação”, diz o médico. Quanto à prevenção dos miomas, os estudos devem continuar para esclarecer melhor os mecanismos da vitamina D na formação dos tumores e para investigar se a substância pode ajudar no tratamento dos miomas. Enquanto isso, que tal investir na sua alimentação e tomar sol? Na prática é assim: você coloca alimentos ricos em vitamina D no seu prato, mas para que ela seja absorvida e sintetizada pelo seu organismo, você precisa tomar sol! Veja uma lista dos alimentos ricos em vitamina D: Ostras Salmão, arenque, atum ou sardinha Ovos Fígado de boi ou de galinha Laranja Cogumelos (shitake) Leite e derivados

5 passos para lidar com os efeitos do climatério

5 passos para lidar com os efeitos do climatério

Se você tem 40 anos ou mais, atenção! Saiba que você pode estar entrando ou já entrou no climatério, período que marca a transição da fase reprodutiva para a não reprodutiva da mulher. O climatério é uma transição importante na vida da mulher, que envolve mudanças fisiológicas, psicológicas e sociais, mas que pode ser vivida com tranquilidade com cuidados especiais. “O climatério pode começar por volta dos 35-40 anos e se estender até a menopausa, ou seja, até a última menstruação da mulher, que fecha esse período. A confirmação ocorre se a mulher ficar 12 meses ininterruptos sem menstruar”, explica o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante. “Apesar das situações que podem ocorrer, o mais importante é que a mulher se informe sobre o climatério e se prepare física e mentalmente para passar por essa transição. Felizmente, hoje é possível aliviar os sintomas e tratar os problemas que podem surgir no climatério, na menopausa e na pós-menopausa visando à melhora da qualidade de vida”, comenta Dr. Edvaldo. Veja agora os principais efeitos do climatério e como lidar com eles:  1-Fogachos: O fogacho é um problema vasomotor associado à queda do nível de estrogênio. A mulher pode sentir uma sensação repentina de calor no rosto e na parte de cima do tórax que se espalha pelo corpo. Há intensa transpiração e a pele pode ficar mais avermelhada devido à dilatação dos vasos. Em seguida, cerca de dois a quatro minutos, há uma queda rápida da temperatura, com sensação de frio ou de calafrios. Isso pode ocorrer várias vezes ao dia e durante a noite, o que pode causar insônia e afetar a qualidade de vida da mulher. Outras condições médicas, como doenças da tireoide, infecção, ou (raramente) câncer também produzem fogachos. Além disso, o uso de medicamentos como tamoxifeno para câncer, raloxifeno para osteoporose e alguns antidepressivos podem causar fogachos.  Os fogachos geralmente aumentam com o estresse e podem estar associados a ansiedade e palpitações (batimentos cardíacos acelerados). A sensação inquietante que antecede um fogacho pode parecer um “ataque de pânico” em algumas mulheres. Como lidar: A terapia de reposição hormonal (TRH) é o tratamento mais efetivo para gerenciar os fogachos. Entretanto, nem todas as mulheres tem indicação para repor hormônios. Assim, para aquelas que não podem, recomenda-se praticar atividades físicas, técnicas de relaxamento, adotar uma dieta balanceada e procurar manter o corpo fresco durante o dia e enquanto dorme. 2-Osteoporose: A redução dos níveis de estrogênio leva à perda da massa óssea. Com isso, uma em cada três mulheres irá desenvolver a osteoporose, principalmente na menopausa ou na pós-menopausa. O principal problema ligado à osteoporose são as fraturas e suas consequências, como incapacidade e mortalidade. Como lidar: A prática de atividade física é uma das melhores maneiras de prevenir e de tratar a osteoporose. Os exercícios devem visar ao aumento da força muscular, da estabilidade, do equilíbrio e da mobilidade. Pilates, por exemplo, é bastante recomendado. A terapia de reposição hormonal também pode ser feita e há outros medicamentos específicos para tratar a osteoporose. 3-Vida Sexual: O estrogênio é responsável pela lubrificação vaginal. Portanto, a diminuição dos níveis do hormônio leva ao ressecamento vaginal. Como consequência, a mulher pode apresentar dor durante a relação sexual (dispareunia). O desejo sexual pode diminuir e pode ser preciso mais tempo nas preliminares para levar à excitação. Como lidar: O ressecamento vaginal é facilmente tratável. O médico pode prescrever hormônios de uso tópico que melhoram a secura vaginal. Além disso, a mulher pode usar gel lubrificante durante as relações e um hidratante vaginal para manter a vagina úmida de maneira prolongada. A queda da libido pode melhorar com a reposição hormonal. 4-Depressão: Ao longo dos anos, estudos mostraram que há uma relação entre a menopausa e o aumento dos sintomas depressivos. Mulheres que apresentam sintomas mais severos no climatério/pós-menopausa, principalmente os fogachos, insônia e aquelas que têm histórico de depressão, correm mais risco de apresentar o transtorno. Como lidar: Buscar apoio psicoterápico e acompanhamento com um psiquiatra são estratégias importantes para lidar com a depressão. Além disso, atividade física, sono adequado e técnicas de relaxamento podem contribuir para prevenir ou para tratar a depressão. A terapia de reposição hormonal também pode ajudar a combater os efeitos do climatério no cérebro, como a depressão e o declínio cognitivo. 5-Aumento do risco cardiovascular: As principais causas de mortalidade no Brasil e no mundo são o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC). São as chamadas doenças cardiovasculares, cuja prevalência é maior nas mulheres na pós-menopausa ou naquelas com 55 anos ou mais. Como lidar: A adoção de hábitos saudáveis é essencial. Manter o peso, praticar atividade física, comer de forma saudável, parar de fumar, beber com moderação, gerenciar o estresse, manter os níveis de colesterol adequados e cuidar da pressão arterial são as principais medidas que podem ser adotadas para prevenir as doenças cardiovasculares. O estrogênio pode atuar como fator de proteção contra as doenças cardiovasculares em mulheres saudáveis, principalmente quando iniciada logo na transição menopausal. “Acredito que a partir do momento em que a mulher está ciente do que é o climatério, em que idade isso pode acontecer e o que pode ocorrer, pode ser menos desafiador passar pelo processo. Com os recursos certos e de forma individualizada, a mulher pode descobrir que é possível viver plenamente e, em muitos casos, até melhor do antes. Por isso, é fundamental encontrar um médico que procure tratar o climatério de forma global, ou seja, levando em consideração todos os aspectos, como o físico, o emocional e o social”, finaliza Dr. Edvaldo.

Infecção nas tubas uterinas pode levar à infertilidade

Infecção nas tubas uterinas pode levar à infertilidade

A prevenção sempre é a melhor maneira de cuidar da saúde. Entretanto, na juventude, isso pode não ser tão lembrado e algumas mulheres acabam se descuidando na hora de manter relações sexuais. E uma relação sexual desprotegida pode levar ao desenvolvimento da Doença Inflamatória Pélvica (DIP), sendo a infecção das tubas uterinas, a salpingite, uma das piores sequelas da doença. Estima-se que em 85% dos casos, a DIP é causada por micro-organismos sexualmente transmissíveis. Segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), 1 em cada 4 mulheres com DIP irá ter sequelas em longo prazo, como a infertilidade, que pode afetar até 40% das mulheres diagnosticadas com a doença. O que é DIP? Segundo o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante, a DIP é uma infecção do trato genital superior, que acontece quando as bactérias ultrapassam o colo uterino, atingindo o útero, tubas uterinas e ovários. “Hoje sabemos que é uma infecção polimicrobiana, ou seja, vários micro-organismos podem estar envolvidos no desenvolvimento desta condição. Estima-se que 70% das infecções genitais são causadas por Clamídia, Gonococo, Mycroplasma e Ureroplasma”, explica o ginecologista. Como tudo começa No período menstrual e logo após a menstruação, o colo uterino apresenta uma abertura maior, há maior fluidez do muco cervical e contrabilidade uterina. Essas três características podem facilitar a ascensão das bactérias para o endométrio, tubas e ovários. Inicialmente, a DIP irá causar uma endometrite, ou seja, infecção do endométrio. Quando não tratada, a infecção pode evoluir para a salpingite (infecção nas tubas), abscesso tubo-ovarino e, em alguns casos, para uma peritonite pélvica. Estima-se que de 10 a 40% das mulheres que apresentam infecção gonocócica ou por clamídia, se não tratadas, irão evoluir para um quadro de salpingite aguda, infecção nas tubas uterinas. “Isso que pode acarretar na formação de aderências, que contribuem para a ocorrência de possíveis complicações, tais como dor pélvica crônica, infertilidade por fator tubário e gravidez ectópica”, comenta Dr. Edvaldo. Nem sempre há sintomas presentes As manifestações clínicas da DIP são muito diversificadas e isso pode atrasar o diagnóstico. Outro ponto é que algumas mulheres são assintomáticas e só descobrem o problema ao tratar a infertilidade. “A dor pélvica é uma manifestação importante, assim como corrimento vaginal amarelado ou esverdeado, odor vaginal forte, dor abdominal abaixo do umbigo, febre e dor durante o exame ginecológico. Algumas mulheres podem ainda apresentar sangramento uterino anormal, dispareunia (dor na relação sexual) e dor para urinar”, diz Dr. Edvaldo. Mulheres jovens são principais vítimas As mulheres jovens, entre 15 e 25 anos, representam o principal grupo de risco. Estima-se que aproximadamente 12% das adolescentes sexualmente ativas têm no mínimo um episódio de DIP antes dos 20 anos de idade. Além disso, início precoce de atividade sexual e múltiplos parceiros são importantes fatores de risco. Tratamento Após o diagnóstico, o tratamento geralmente é clínico com uso de analgésicos, antibióticos e retirada do DIU (dispositivo intrauterino). Entretanto, quando não há resposta do organismo à terapia medicamentosa, pode ser necessário realizar abordagem cirúrgica – videolaparoscopia- para drenar possíveis abcessos tubovarianos. “Os abcessos que se formam nas tubas e nos ovários podem se romper, disseminando a infecção para outros locais, o que é uma emergência médica”, explica Dr. Edvaldo. Prevenção A melhor prevenção é usar o preservativo em todas as relações sexuais e procurar diminuir o número de parceiros. Também é fundamental que as mulheres na faixa etária de risco consultem o ginecologista regularmente.

Cistos nos ovários são comuns e maioria não necessita de cirurgia

Cistos nos ovários são comuns e maioria não necessita de cirurgia

Atrasos ou irregularidades no ciclo menstrual podem indicar a presença de um cisto ovariano A maioria das mulheres irá desenvolver pelo menos um cisto de ovário durante a vida. Em grande parte dos casos, os cistos ovarianos são benignos, não causam sintomas e desaparecem sem nenhuma intervenção. Há vários tipos de cistos ovarianos, sendo os mais comuns os cistos funcionais, que se dividem em dois tipos: foliculares e os de corpo lúteo. Segundo o ginecologista e cirurgião, Dr. Edvaldo Cavalcante, os óvulos de desenvolvem dentro de uma espécie de “saco”, chamado de folículo. “Este folículo fica dentro dos ovários e, na maioria dos casos, se rompe liberando o óvulo. Quando isso não acontece, se forma o cisto folicular devido ao líquido que se acumula dentro desta estrutura”. O cisto ovariano folicular é o mais frequente e seu tamanho pode variar de 2,5 cm a 10 cm. Na maioria dos casos não há sintomas. Mas, em algumas mulheres podem ocorrer alterações no ciclo menstrual, como atrasos. “Os cistos foliculares, em sua grande maioria, são achados ocasionais em exames de ultrassom. Eles costumam regredir dentre de 4 a 8 semanas, depois que o líquido é absorvido pelo organismo. Também podem se romper durante uma relação sexual ou ainda durante um exame pélvico”. Cisto de corpo lúteo ou cisto hemorrágico? O cisto de corpo lúteo é menos frequente que o folicular. “O cisto de corpo lúteo resulta de uma hemorragia que ocorre na fase de vascularização do corpo lúteo. Por isso, também é chamado de cisto hemorrágico. Estes cistos têm em média 4 cm de diâmetro, mas podem se romper, levando a um quadro de abdômen agudo”, explica Dr. Edvaldo. Mas, afinal, o que é o corpo lúteo? Dentro de cada folículo há um óvulo imaturo. Durante a fase folicular do ciclo menstrual, esses folículos se desenvolvem sob a influência do hormônio folículo estimulante (FSH) e apenas um irá liberar o óvulo. Quando essa fase termina, o que sobrou deste folículo se transforma no corpo lúteo, uma glândula provisória que irá secretar estrógeno e progesterona. O que fazer? A conduta nos cistos funcionais, na maioria dos casos, é conservadora. O médico pode solicitar alguns exames para acompanhar a evolução do quadro e, em alguns casos, prescrever anticoncepcionais para acelerar a regressão dos cistos e impedir a formação de outros. Em algumas mulheres, o cisto de corpo lúteo pode persistir por mais de duas semanas, duração média da fase lútea. Por esse motivo, pode ocorrer atraso menstrual, dor pélvica pelo aumento do cisto e também dor durante o toque vaginal. Cirurgia é indicada em pouco casos Os cistos funcionais e os cistos hemorrágicos costumam regredir dentro de 4 a 8 semanas, em média. Mas, se depois deste período aumentarem ou persistirem, mesmo após tratamento clínico, a remoção cirúrgica pode ser uma alternativa.  A cirurgia pode ser realizada por técnica minimamente invasiva – a videolapasocopia.

Adenomiose: que doença é essa?

Adenomiose: que doença é essa?

Útero aumentado, cólicas, dores pélvicas, sangramento excessivo e dor durante a relação sexual. Estes sintomas podem indicar uma série de doenças ginecológicas, entre elas a adenomiose. Pouco conhecida do público leigo, a adenomiose, até alguns anos atrás, só era diagnosticada depois que o útero era retirado e enviado para um estudo anatomopatológico. Isso quer dizer que a mulher precisava passar por uma histerectomia para se livrar dos sintomas e descobrir o que os causava. Mas, com o avanço dos exames de imagem, como a ultrassonografia e a ressonância magnética, além das técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, como a histeroscopia e videolaparoscopia, hoje é possível realizar o diagnóstico sem a necessidade de retirar o útero. E isso é muito importante para mulheres que desejam engravidar. Aliás, um dos motivos da adenomiose se tornar mais conhecida é justamente devido ao fenômeno da maternidade tardia, já que a doença parece ser mais comum em mulheres entre os 40 e 50 anos de idade. Quando a mulher tem dificuldade para engravidar, a investigação do ginecologista pode levar ao diagnóstico da adenomiose, por exemplo. Mas, afinal, que doença é essa? Segundo o ginecologista e cirurgião, Dr. Edvaldo Cavalcante, a adenomiose se caracteriza pela invasão de células do endométrio no miométrio. “O endométrio é parte interna do útero, sendo extremamente vascularizado e repleto de glândulas que participam do ciclo menstrual. Já o miométrio é a camada muscular do útero, que participa das contrações uterinas no momento do parto”. “Na endometriose, as células do endométrio migram e podem ser encontradas em outros órgãos e estruturas, como ovários, tubas uterinas e intestinos, por exemplo. Na adenomiose as células do endométrio se implantam no próprio útero, no miométrio. Portanto, a adenomiose se define pela presença de glândulas endometriais e de estroma (tecido conjuntivo vascularizado) na camada muscular uterina”, explica Dr. Edvaldo. Útero aumentado Umas das consequências da implantação de células endometriais no miométrio é o aumento do volume uterino, que pode ser sentido no exame ginecológico e visto em exames de imagem. Quanto aos sintomas, Dr. Edvaldo explica que é muito variável e depende da profundidade do miométrio atingido. “A adenomiose está associada a dismenorreia (cólica menstrual), hemorragia, dor pélvica crônica e dispareunia (dor durante a relação sexual). O sintoma mais prevalente é a dor pélvica”, comenta o cirurgião. Um estudo realizado com 710 mulheres na pré menopausa que fizeram histerectomia mostrou que apenas 4,5% delas não apresentavam sintomas. A dismenorreia era a queixa mais prevalente, relatada por 81,7% do grupo. Comorbidades E para quem acha que a adenomiose é o único problema, aqui vai uma informação importante: quase sempre está associada a outras doenças ginecológicas ou pélvicas. “A adenomiose está relacionada à produção do estrogênio, ou seja, é uma doença hormonodependente. Desta forma, frequentemente está associada a outras doenças que também são hormonodependentes, como miomas e a endometriose”, diz Dr. Edvaldo. Evidências recentes mostram também que a adenomiose é uma possível causa de infertilidade, assim como interfere nos processos de fertilização in vitro. Diagnóstico e tratamento O ginecologista irá realizar o exame físico, levantar a história clínica e solicitar alguns exames. O exame mais comum é o ultrassom transvaginal, mas podem ser solicitados outros, como a ressonância magnética ou ainda cirurgias diagnósticas, como a histeroscopia ou a videolaparoscopia. Um dos maiores desafios da adenomiose é o tratamento da infertilidade. “Não há um consenso sobre a melhor forma de tratar os casos sintomáticos, principalmente nas mulheres que querem engravidar. Quanto às técnicas cirúrgicas, em mulheres que desejam ter filhos é possível fazer a adenomiomectomia, cujo principal objetivo é retirar as lesões de forma segura, mantendo a integridade da parede uterina. Mesmo sabendo do impacto adverso no útero e para os resultados da fertilidade. Naquelas que não desejam engravidar, o tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, a retirada do útero ainda é o tratamento com melhor resultado”, finaliza Dr. Edvaldo.

6 Possíveis Causas da Dor Pélvica Crônica

6 Possíveis Causas da Dor Pélvica Crônica

Ninguém gosta de sentir dor, muito menos quando a dor se torna crônica. Uma das dores crônicas mais comuns, principalmente entre as mulheres, é a dor pélvica (abaixo do umbigo), que pode estar ou não relacionada à parte ginecológica. Segundo a Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED), a prevalência é alta, mas varia de país para país. Estima-se que possa afetar entre 5.7% a 26.6% das mulheres em todo o mundo. A dor pélvica é classificada como crônica quando a duração dos sintomas é igual ou superior a seis meses. Este é apenas um dos critérios, que também envolve o comprometimento da qualidade de vida, alívio incompleto com tratamentos feitos, perda da função física e sinais de depressão. Segundo o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante, a dor jamais deve ser ignorada. “Sentir dor é um alerta do nosso corpo de que há algo que precisa ser investigado. Entretanto, muitas mulheres podem se sentir desmotivadas pela demora ou pela falta de um diagnóstico. Outras podem conviver com a dor sem buscar ajuda, por subestimarem os sintomas”. O que fazer? Procurar um médico. A investigação inicial pode ser realizada com o ginecologista. Esse profissional poderá estabelecer o diagnóstico e conduzir o tratamento.  Caso haja a necessidade do auxílio de outro especialista como gastroenterologista, urologista ou fisioterapeuta, por exemplo, o ginecologista fará o encaminhamento para complementação terapêutica. Causas ginecológicas Veja abaixo as principais causas ginecológicas relacionadas à dor pélvica crônica: Endometriose: A dor pélvica é o principal sintoma da endometriose. Ela pode se manifestar de diversas maneiras, como a dismenorreia (cólica menstrual), dor pélvica crônica (cíclica ou acíclica), dispareunia de profundidade (dor durante a relação), alterações intestinais cíclicas (dor à evacuação, sangramento nas fezes, aumento do trânsito intestinal durante o período menstrual), alterações urinárias cíclicas (ardor, perda de sangue na urina, aumento da frequência durante o período menstrual). Mioma: Depois do sangramento, a dor pélvica é o segundo sintoma mais frequente em mulheres que apresentam miomatose uterina. Adenomiose: A adenomiose ocorre quando o endométrio (tecido que reveste a parte interna do útero) invade a musculatura do útero (miométrio). Um dos sintomas é a dor pélvica, que piora no período menstrual. Varizes Pélvicas: Considerada uma das principais causas de dor pélvica crônica, porém pouco conhecida. A varizes pélvicas são causadas pela congestão ou obstrução das veias ao redor do útero. Apresenta maior prevalência em mulheres que tiveram mais de uma gestação. A mulher pode apresentar sensação de peso na região pélvica, principalmente após atividade física ou ao final do dia, dores durante ou após a relação sexual, ou ainda um quadro crônico de dor. Aderências: As aderências pélvicas são faixas de tecido cicatricial que podem se formar após cirurgias ou processos inflamatórios na região pélvica. Em casos mais avançados, essas aderências podem levar ao colamento dos órgãos e se manifestarem com dor pélvica crônica. Tumor anexial: São tumores localizados na região anexial, ou seja, na região onde se situam os ovários e as tubas uterinas. A maioria dos tumores anexiais é de origem ovariana, sendo na maior parte dos casos representados por cistos benignos. Esses tumores geralmente conduzem ao estado de dor e também pode levar ao quadro de dor pélvica crônica. Como vimos, a dor pélvica crônica tem diversas causas. Entretanto, o diagnóstico e o tratamento são fundamentais para melhorar a qualidade de vida das mulheres. Portanto, se você apresenta dor pélvica há mais de seis meses e não sabe a causa, procure um médico.

Verão é época propícia para quadros de candidíase

Verão é época propícia para quadros de candidíase

Quem não está contando as horas para o recesso de final de ano? Porém, é no verão que alguns cuidados com a saúde ficam de lado em nome da diversão. Um dos problemas mais comuns nesta época das férias de verão é a candidíase, infecção causada pelo fungo Candida albicans. Este micro-organismo está presente em estruturas como a flora intestinal, boca, aparelhos genitais e urinários. “Esse fungo, em quantidades normais, é importante para manter a saúde das estruturas que ele coloniza. Entretanto, quando se reproduz em demasia, pode causar a candidíase”, explica o ginecologista, Dr. Edvaldo Cavalcante. Por que no verão? A maioria das mulheres irá apresentar pelo menos um quadro de candidíase na vida. No verão ou em situações em que a mulher fica longos períodos com roupas molhadas, a região genital fica quente e úmida, ambiente ideal para a proliferação dos fungos” explica Dr. Edvaldo. A infecção é chamada de monilíase vaginal ou vulvoginite por cândida, sendo a forma mais comum da candidíase, que pode atingir outros locais do corpo. Os sintomas clássicos são coceira na vagina e no canal vaginal, corrimento branco, ardor local e para urinar e dor durante as relações sexuais. Tratamento “É muito importante tratar a candidíase e é preciso lembrar ainda que pode ser transmitida para o parceiro, portanto, no período de tratamento é preciso abster-se de manter relações sexuais e, em alguns casos, será preciso tratar o parceiro também”, comenta o ginecologista. Em geral, são usadas pomadas antifúngicas e antifúngicos orais. Prevenção No verão é preciso evitar ficar com roupas molhadas por muito tempo, especialmente maiô e biquíni. A areia também pode trazer micro-organismos contaminantes. A mulher precisa manter uma boa higiene íntima e, claro, procurar um médico se apresentar alterações na área íntima.  

O que é janela de fertilidade?

O que é janela de fertilidade?

Conhecer o funcionamento do próprio corpo é fundamental para as mulheres que desejam engravidar naturalmente. Mesmo nas mais reguladas, podem haver variações importantes que impactam nas probabilidades de concepção. Por isso, é fundamental conhecer a “janela de fertilidade”. Mas, o que é isso? Segundo o ginecologista e cirurgião, Dr. Edvaldo Cavalcante, a janela de fertilidade é o intervalo de seis dias entre o início e o fim da ovulação. “É neste período que as chances de engravidar estão. Por isso, quanto mais a mulher conhecer seu ciclo e perceber as mudanças que ocorrem, maior a chance de conceber”. Segundo os estudos, é durante a janela de fertilidade que os óvulos e os espermatozoides atingem sua viabilidade máxima, ou seja, que apresentam todas as condições necessárias para a fertilização. “O intervalo máximo de fertilidade pode ser calculado por meio da análise do intervalo entre as menstruações, por kits que avaliam a ovulação e pela análise do muco cervical”, explica o médico. Em geral, o período fértil se inicia do primeiro dia em que o muco cervical de torna mais claro e elástico, com intensa lubrificação, prolongando-se pelo menos por três dias. A janela da fertilidade ocorre num intervalo de, no máximo, seis dias, sendo esses três os mais importantes para a concepção. O melhor dia A maior probabilidade de concepção é quando a relação sexual ocorre dentro do intervalo de três dias antes da ovulação, terminando no dia em que ela ocorre. Em um estudo, o pico da fertilidade foi observado quando a relação aconteceu dentro dos dois dias que antecederam a ovulação. Outra pesquisa mostrou que a maior probabilidade de gravidez acontece quando a relação sexual ocorre um dia antes da ovulação e começa a diminuir no dia provável da ovulação em diante. Entre as mulheres que descrevem o ciclo menstrual como geralmente regular, a probabilidade de concepção resulta de uma única relação sexual que ocorre durante o período presumido de ovulação. A probabilidade de gravidez aumenta de 3.2% no oitavo dia para 9.4% no décimo segundo dia e diminui para menos de 2% no 21º dia do ciclo. A frequência de relações sexuais está ligada diretamente à probabilidade de engravidar. Sendo assim, para quem deseja engravidar, é recomendado manter relações sexuais assim que termina o ciclo menstrual e continuar até o final presumido da ovulação.

Qual a relação de miomas com abortos recorrentes?

Qual a relação de miomas com abortos recorrentes?

Poucos eventos ligados à gravidez causam tanto desamparo e impotência do que saber que você vai se tornar mãe para, em seguida, sofrer um aborto espontâneo. Surpreendentemente, a perda do bebê nos primeiros meses de vida é algo comum: 15% das futuras mamães poderão passar por isso. No entanto, estatísticas mostram que se a primeira gravidez terminou em um aborto, há mais ou menos 14% de chance de a gravidez seguinte não ser bem-sucedida novamente. Depois de dois abortos espontâneos, as chances de ter um terceiro praticamente dobram, ficando em torno de 26% O aborto recorrente ou habitual é aquele que ocorre por três vezes, de forma consecutiva, antes de 20 semanas de gestação. Entre 1% a 2% das mulheres sofrem abortos recorrentes. Extração do mioma reduz chance de abortos recorrentes A medicina está longe de fechar todas as causas dos abortos recorrentes, porque apenas em metade dos casos é possível identificar uma origem específica para o problema. Sabe-se com certeza absoluta, por exemplo, que anormalidades nos cromossomos estão entre as causas. Alguns problemas no útero, entre eles miomas, pólipos e disfunção hormonal também estão ligados à condição. A boa notícia é que a remoção cirúrgica de miomas que distorcem a cavidade do útero foi capaz de reduzir o risco de aborto no segundo trimestre de gravidez a zero. Foi o que mostrou um estudo publicado na revista Human Reproduction. “Alguns tipos de mioma nascem na parede uterina. Ao crescerem, eles podem distorcer a cavidade do órgão. São os chamados miomas intramurais, uma das causas de infertilidade”, comenta Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico. Foi a primeira vez que se encontrou evidências de que esse tipo de mioma está entre as causas de abortos habituais. Sabia-se que eles estavam associados aos abortos espontâneos, mas não recorrentes. O estudo estimou, ainda, que a prevalência de miomas em mulheres com abortos recorrentes chega a 8,2%. Miomectomia preserva o útero A miomectomia é a técnica cirúrgica utilizada para preservar o útero em mulheres que desejam engravidar. Ela pode ser realizada por meio de técnicas minimamente invasivas, com menos riscos, menor custo e recuperação mais rápida. Entre as técnicas utilizadas estão a videolaparoscopia, videohisteroscopia ou ainda a miomectomia por cirurgia robótica, esta última indicada para casos mais complexos ou mais delicados, que necessitam de alto detalhamento e precisão.