Endometriose pode aumentar risco de parto prematuro?

Endometriose pode aumentar risco de parto prematuro?

Segundo pesquisa realizada pelo ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante em parceria com o Gapendi (Grupo de Apoio às Portadoras de Endometriose e Infertilidade), 55% das mulheres com endometriose também foram diagnosticadas com infertilidade. Além da dificuldade para engravidar, a endometriose pode também aumentar o risco de um parto prematuro, assim como de que o bebê nasça pequeno para a idade gestacional (PIG). Essas afirmações são fruto de uma meta-análise, publicada Acta Obstetricia et Gynecologica Scandinavica (1), que avaliou 21 estudos com 2.517.516 mulheres que preencheram os critérios de inclusão da pesquisa. Os resultados mostraram que as mulheres com endometriose tinham uma probabilidade de parto prematuro aumentada em 1,47 e de bebês pequenos de 1,26 quando comparadas a mulheres sem o diagnóstico. O estudo também avaliou as mulheres com adenomiose e para esse público os números foram ainda maiores: 3,09 para o parto prematuro e 3,23 para bebês pequenos quando comparadas a mulheres saudáveis. Portanto, a conclusão do estudo foi que mulheres com endometriose ou adenomiose apresentam risco aumentado tanto para um parto prematuro, quanto de ter um bebê pequeno para a idade gestacional (PIG). Assim, a recomendação é que o acompanhamento pré-natal neste grupo seja ainda mais rígido e feito com maior frequência do que em mulheres sem esses diagnósticos. Endometriose x Adenomiose Apesar do nome parecido e de semelhanças nos sintomas e consequências das doenças, são patologias diferentes. “A endometriose se caracteriza pelo crescimento de tecido endometrial fora da cavidade uterina, ou seja, do lado de fora do útero. Pode atingir ovários, trompas, bexiga, intestino, etc. Já a adenomiose se caracteriza pela invasão de células endometriais no miométrio, a camada muscular do útero’, explica Dr. Edvaldo. Fatores de risco Sabe-se que grande parte das mulheres com endometriose e adenomiose, que são diagnosticadas com infertilidade, recorrem à reprodução assistida para engravidar, como a inseminação artificial e/ou a fertilização in vitro (FIV). “E sabe-se que essas técnicas aumentam a probabilidade de nascimentos múltiplos, com risco maior de parto prematuro e de bebês menores”, comenta o médico. Mas, no estudo, os pesquisadores fizeram uma subanálise para avaliar o risco de parto prematuro em partos únicos. Os resultados mostraram que mesmo em partos únicos, o risco do parto prematuro persistiu. Outro estudo (2), também uma meta-análise, mostrou que a endometriose aumenta o risco de parto prematuro, independente se a mulher engravidou naturalmente ou por meio da reprodução assistida. Para o médico, os estudos são importantes para reforçar a necessidade de fazer um pré-natal ainda mais rigoroso nas mulheres com ambos os diagnósticos. “Entretanto, graças aos avanços na medicina fetal e neonatal, os riscos da prematuridade e do bebê ser menor do que o esperado para idade gestacional (peso menor ou igual a 2,5 kg) podem ser avaliados e tratados para prevenir ou minimizar as condições que podem acontecer”, diz o médico. O segredo, portanto, é cuidar bem da gravidez e seguir as recomendações médicas para ter uma gravidez e um parto tranquilos. Ref: (1) https://obgyn.onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/aogs.13364 (2) http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1933719117749760?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori:rid:crossref.org&rfr_dat=cr_pub%3dpubmed

Deficiência de zinco pode afetar a fertilidade feminina, diz estudo

Deficiência de zinco pode afetar a fertilidade feminina, diz estudo

Para nosso organismo funcionar bem precisamos de diversos nutrientes, como vitaminas e minerais. Isso quase todo mundo já ouviu falar. A novidade é que a deficiência de zinco parece afetar os estágios iniciais de desenvolvimento do óvulo, reduzindo a sua capacidade de divisão celular para ser fertilizado. Essa foi a conclusão de uma pesquisa feita pela Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Há alguns anos, os pesquisadores começaram a estudar a disponibilidade de micronutrientes no ambiente ovariano e a sua influência no desenvolvimento, viabilidade e qualidade de oócitos (cada uma das células que por meio de divisões celulares dão origem ao óvulo). “Mensalmente, vários oócitos amadurecem, mas somente um óvulo é liberado para ser fecundado. Entretanto, para que esse processo ocorra são necessários diversos fatores, entre eles certos níveis de micronutrientes específicos, como o zinco”, explica o ginecologista e cirurgião ginecológico, Dr. Edvaldo Cavalcante. Ao longo dos anos, surgiram evidências de que o zinco é um elemento-chave no desenvolvimento de oócitos, segundo os autores da pesquisa. No estudo, a deficiência do zinco prejudicou a capacidade do oócito em se dividir adequadamente (meiose), um passo necessário antes que uma fertilização bem-sucedida possa ocorrer. Ainda de acordo com os pesquisadores, o estudo mostrou que o zinco desempenha um papel no crescimento do oócito numa fase mais precoce do que investigado anteriormente, durante o desenvolvimento e antes da divisão. Infertilidade A infertilidade afeta cerca de 10 a 15% dos casais e está ligada a uma ampla gama de fatores. Na mulher, a infertilidade pode estar associada à endometriose, miomas, obstrução das tubas uterinas, síndrome do ovário policístico, entre outros. Zinco De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 17% da população global é vulnerável à deficiência de zinco em sua dieta. Pessoas com síndrome do intestino irritável, doença de Crohn e outros distúrbios gastrintestinais, assim como vegetarianos e veganos têm um risco maior de apresentar deficiência de zinco segundo a entidade. Este grupo, portanto, teria a recomendação de tomar o zinco em forma de suplementação. Onde encontrar zinco As melhores fontes são os frutos do mar, carnes e leguminosas. As mulheres a partir dos 19 anos precisam de 8 mg de zinco por dia. Para se ter uma ideia, uma única ostra contém, em média, de 4,5 a 8,3 mg do mineral. Frutos do mar como ostras, lagosta, camarão Carne vermelha, de frango, porco, de peru Leguminosas como feijão, grão-de-bico, ervilhas frescas Oleaginosas como castanha-do-pará, castanha de caju, amêndoas, amendoim, linhaça, semente de abóbora Leite e derivados Espinafre Gema do ovo Chocolate amargo

O que é janela de fertilidade?

O que é janela de fertilidade?

Conhecer o funcionamento do próprio corpo é fundamental para as mulheres que desejam engravidar naturalmente. Mesmo nas mais reguladas, podem haver variações importantes que impactam nas probabilidades de concepção. Por isso, é fundamental conhecer a “janela de fertilidade”. Mas, o que é isso? Segundo o ginecologista e cirurgião, Dr. Edvaldo Cavalcante, a janela de fertilidade é o intervalo de seis dias entre o início e o fim da ovulação. “É neste período que as chances de engravidar estão. Por isso, quanto mais a mulher conhecer seu ciclo e perceber as mudanças que ocorrem, maior a chance de conceber”. Segundo os estudos, é durante a janela de fertilidade que os óvulos e os espermatozoides atingem sua viabilidade máxima, ou seja, que apresentam todas as condições necessárias para a fertilização. “O intervalo máximo de fertilidade pode ser calculado por meio da análise do intervalo entre as menstruações, por kits que avaliam a ovulação e pela análise do muco cervical”, explica o médico. Em geral, o período fértil se inicia do primeiro dia em que o muco cervical de torna mais claro e elástico, com intensa lubrificação, prolongando-se pelo menos por três dias. A janela da fertilidade ocorre num intervalo de, no máximo, seis dias, sendo esses três os mais importantes para a concepção. O melhor dia A maior probabilidade de concepção é quando a relação sexual ocorre dentro do intervalo de três dias antes da ovulação, terminando no dia em que ela ocorre. Em um estudo, o pico da fertilidade foi observado quando a relação aconteceu dentro dos dois dias que antecederam a ovulação. Outra pesquisa mostrou que a maior probabilidade de gravidez acontece quando a relação sexual ocorre um dia antes da ovulação e começa a diminuir no dia provável da ovulação em diante. Entre as mulheres que descrevem o ciclo menstrual como geralmente regular, a probabilidade de concepção resulta de uma única relação sexual que ocorre durante o período presumido de ovulação. A probabilidade de gravidez aumenta de 3.2% no oitavo dia para 9.4% no décimo segundo dia e diminui para menos de 2% no 21º dia do ciclo. A frequência de relações sexuais está ligada diretamente à probabilidade de engravidar. Sendo assim, para quem deseja engravidar, é recomendado manter relações sexuais assim que termina o ciclo menstrual e continuar até o final presumido da ovulação.

7 Fatores de Risco para a Gravidez Ectópica

7 Fatores de Risco para a Gravidez Ectópica

A gestação fora do útero, ou ectópica, em termos médicos, é a principal causa de morte materna no primeiro trimestre de gestação e está entre as grandes causas de aborto. Em uma gravidez normal, depois que é fertilizado, o óvulo percorre a tuba uterina para alcançar o útero, onde ele se abriga e se desenvolve. Na gravidez ectópica, a implantação pode acontecer em outros lugares que não na parede uterina. Esse tipo de gravidez é a que mais pode trazer complicações perigosas para a mulher, pois a tuba é finíssima e não suporta o crescimento do embrião, podendo romper e causar hemorragia. Na imensa maioria das vezes – mais ou menos em 98%–, a implantação acontece nas tubas, por isso, a gravidez ganha o nome de tubária. Em uma pequena parcela, o óvulo se aloja no abdome ou no colo do útero. O embrião não consegue sobreviver fora do útero, mas, mesmo assim, ele ameaça a vida da mulher. Por isso, é fundamental chegar a um diagnóstico rapidamente. A causa exata da gravidez ectópica ainda não está totalmente clara, mas algumas condições são consideradas sinais de alerta. Atualmente, acredita-se que a gravidez ectópica seja causada por uma combinação de fatores. Saiba quais são alguns deles: Doenças sexualmente transmissíveis – Dentre todas as doenças sexualmente transmissíveis, a clamídia é tida como responsável por pelo menos metade de todos os casos de gestação fora do útero. Um estudo de 2011 mostrou que a clamídia aumenta a produção de uma proteína que pode encorajar o óvulo a se implantar nas tubas. Reincidência – Quem já teve uma gestação extrauterina tem de 10% a 25% de chance de ter outra. Fumo – Um outro estudo de 2011 revelou que mulheres que fumam têm quatro vezes mais chance de ter uma gravidez ectópica. Endometriose – É um importante fator de risco. A endometriose leva o tecido do endométrio a crescer dentro ou ao redor da trompa, o que dificulta a chegada do embrião ao útero. Ter feito fertilização in vitro – Parece ser irônico até, pois muitas mulheres se submetem à fertilização in vitro exatamente porque têm algum problema nas tubas uterinas. Não é comum, mas, algumas poucas vezes o cateter que é inserido na mulher para inserir o embrião chega muito próximo das tubas e, com isso, o embrião se instala na região. Idade – Não se sabe ao certo porque, mas a idade da mulher é um dos fatores de risco. Especula-se que o envelhecimento leve a alterações nas tubas, o que pode dificultar a chegada do óvulo ao útero. Moléstia inflamatória pélvica – Estima-se que 70% das infecções genitais causadas por Clamídia, Gonococo, Mycroplasma e Ureroplasma (agentes responsáveis pela Moléstia inflamatória pélvica – MIPA). Essa infecção pode levar à obstrução das tubas uterinas e abcessos tubovarianos. Quando não tratada, a MIPA pode levar à infertilidade e há aumento do risco de gravidez ectópica. Lembre-se: Faça seus exames ginecológicos regularmente e mantenha bons hábitos. 

O quanto você conhece seu muco cervical?

O quanto você conhece seu muco cervical?

Enquanto os meninos são criados para ter orgulho de seus corpos, mais especificamente de suas partes íntimas, a educação das meninas ainda é um pouco mais repressora no que diz respeito a conhecer o próprio corpo, mais especificamente a vagina. São poucas as mulheres que têm o costume de pegar um espelho para analisar o que anda acontecendo por lá. Para aquelas que desejam engravidar, porém, isso pode ser fundamental para conhecer as características do muco cervical, substância produzida pelas glândulas do colo uterino a partir da secreção de hormônios em diferentes fases do ciclo menstrual. Segundo o ginecologista, Dr. Edvaldo Cavalcante, observar o muco cervical é um método sem custo e personalizado para predizer a ovulação. “O pico da ovulação pode variar de forma considerável, mesmo em mulheres com ciclos regulares. Por isso, entender as características do muco ao longo do ciclo é muito importante para perceber o momento da ovulação”. Um estudo mostrou que mulheres que conseguem monitorar seus ciclos e perceber mudanças no muco cervical, na libido ou no humor têm 50% de chance a mais de prever quando estão ovulando. Variação do muco prediz o pico ovulatório As características do muco cervical variam de acordo com a fase do ciclo. A probabilidade de engravidar é maior quando o muco está claro e elástico. E quais são os outros tipos de muco? “O muco pode se apresentar em diferentes formas, como seco, ligeiramente úmido, viscoso e pegajoso e, finalmente, transparente e elástico, sendo este é o que mais aumenta a chance de engravidar quando se tem relações sexuais”, explica o médico. Para se ter uma ideia, a elasticidade pode atingir até 10 cm e fica parecido com a clara do ovo. Portanto, ficar de olho na característica do muco cervical é uma excelente maneira de entender o funcionamento do próprio corpo. “Em geral, o período fértil se inicia do primeiro dia em que o muco de torna mais claro e elástico, com intensa lubrificação, prolongando-se pelo menos por três dias. A janela da fertilidade ocorre num intervalo de, no máximo, seis dias, sendo esses três os mais importantes para a concepção”, comenta Dr. Edvaldo. Um estudo retrospectivo mostrou que a taxa de gravidez é aproximadamente 38% maior quando a relação sexual ocorre no primeiro dia do pico do muco transparente e elástico e 15 a 20% menor quando acontece no dia anterior ou posterior. Se você ainda não está convencida sobre a importância do muco cervical, um outro estudo mostrou que as mudanças do muco cervical ao logo do ciclo fértil conseguem predizer o dia específico para a concepção, tão bem quanto a temperatura basal ou o monitoramento do hormônio LH (hormônio luteinizante). 4 fatos sobre o muco cervical que você precisa saber Facilita o transporte do espermatozoide até o óvulo no período da ovulação, além de aumentar a lubrificação vaginal. É produzido o tempo todo, mas muda de textura nas fases do ciclo menstrual devido a ação dos hormônios. O muco cervical é um fator ligado à fertilidade, pois sua ausência pode indicar que a mulher não está ovulando. Não é corrimento! A mulher não precisa usar absorventes, assim como não é sinal de doenças ginecológicas. Mas, se mudar de cor, cheiro e estiver associado a outros sintomas, como dor e coceira é preciso investigar. Como aprender a identificar as características do muco? Existem algumas maneiras de aprender a identificar as características do muco cervical. No Brasil, o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante atua em uma metodologia nova para ensinamento e observação do muco cervical para auxiliar no tratamento da infertilidade, assim como para resgatar a fertilidade natural.

Como a vida moderna afeta a fertilidade

Como a vida moderna afeta a fertilidade

Os hábitos e comportamentos da vida moderna podem minar o sonho da maternidade. Muitas mulheres desconhecem que o estilo de vida atual pode trazer sérias consequências para a saúde do sistema reprodutor. Por isso, com a ajuda do médico ginecologista, obstetra e cirurgião ginecológico, Dr. Edvaldo Cavalcante, fizemos uma lista com os 4 principais fatores de risco para a fertilidade feminina. Estresse: Um estudo feito pela Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, mostrou que mulheres com altos níveis da enzima alfa-amilase (indicador biológico do estresse) têm 29% a menos de chance de engravidar a cada mês quando comparadas a mulheres com baixas taxas da substância. Além disso, as mais estressadas estão duas vezes mais perto de terem o diagnóstico de infertilidade (um ano de tentativas sem sucesso para engravidar) do que as menos estressadas. Obesidade e dieta rica em gordura: Um estudo recente mostrou que tanto a obesidade, quanto a ingestão excessiva de gordura, levam ao descontrole do ciclo ovulatório. Esses dois fatores podem alterar a função reprodutiva feminina e a presença de gordura no nas células reprodutivas podem prejudicar a qualidade dos óvulos. Sexo sem proteção: Uma pesquisa feita pela Gentis Panel, no final de 2016, revelou que 51% dos brasileiros sexualmente ativos não usam preservativo, o que aumenta significativamente o risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis, que podem afetar a fertilidade feminina. Estima-se que 70% das infecções genitais causadas por Clamídia, Gonococo, Mycroplasma  e Ureroplasma (agentes responsáveis pela Moléstia inflamatória pélvica – MIPA)  são assintomáticos. Essa infecção pode levar à obstrução das tubas uterinas e  abcessos tubovarianos.Quando não tratada, a MIPA pode levar à infertilidade em 20% dos casos e em 50% das mulheres que apresentam três ou mais episódios de infecção. Vale lembrar que também há aumento do risco de gravidez ectópica. Importante frisar que ter relação sem preservativo com múltiplos parceiros são fatores de risco para contrair DST. Adiar a gravidez: A maternidade tardia já é uma realidade no mundo moderno. Mas, a fertilidade feminina diminui naturalmente na medida em que a idade aumenta. A partir dos 35 anos, há diminuição da reserva de óvulos, assim como queda da qualidade dos mesmos e maiores riscos de alterações cromossômicas, má formação fetal e aborto espontâneo. Cuide da sua fertilidade natural Felizmente, estes fatores de risco para a infertilidade podem ser prevenidos. “A mulher que deseja ser mãe precisa adotar hábitos saudáveis desde o início da sua vida fértil, mesmo que a maternidade seja tardia. Quanto mais saudável ela estiver, maiores as chances de engravidar naturalmente”, explica Dr. Edvaldo. “Adotar uma alimentação saudável, manter o peso, praticar atividade física, não fumar, beber com moderação, assim como realizar os exames preventivos periódicos e gerenciar o estresse são atitudes fundamentais. Além disso, é preciso praticar o sexo seguro, sempre com preservativo e ficar atenta ao número de parceiros sexuais”, finaliza o médico.

Mioma pode afetar a fertilidade da mulher?

Mioma pode afetar a fertilidade da mulher?

Miomas ou leiomiomas uterinos são os tumores pélvicos sólidos benignos mais frequentes em mulheres em idade reprodutiva. O mioma surge quando há um desenvolvimento anormal das células do tecido muscular do útero que leva à formação de massa sólida e recebe esse nome porque se desenvolve no miométrio, a camada média da parede uterina. Segundo Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico, a maioria das mulheres não apresenta sintomas e acaba descobrindo o mioma nos exames preventivos. “A presença dos sintomas depende de alguns fatores, como localização, quantidade, tamanho e alterações na anatomia pélvica causadas pelo tumor”, explica. Um estudo global (1), publicado recentemente nos Estados Unidos, mostrou que a prevalência do mioma é muito variável, de 4,5% a 68,8%, pois depende da população estudada e do método de diagnóstico. No Brasil, segundo estudo realizado em 2013, a prevalência em mulheres brasileiras é de 23% (2). O mioma causa sintomas severos em apenas 25% das mulheres (1). Sintomas podem passar despercebidos “A hemorragia uterina é o sintoma mais frequente, seguido do desconforto e de dores na região pélvica. A anemia causada por falta de ferro (ferropriva) também é muito frequente nas mulheres que apresentam hemorragias devido à presença de mioma. Muitas pacientes também podem ainda ter cólicas menstruais mais intensas e dores durante a relação sexual (dispareunia), assim como uma necessidade maior de urinar”, diz Dr. Edvaldo. Causa exata permanece desconhecida A etiologia, ou seja, porque o mioma se forma ainda é um mistério para a medicina. Mas, o que se sabe é que o mioma é sensível à ação do estrogênio e da progesterona, portanto estes hormônios têm influência em seu desenvolvimento. “Na menopausa é comum o mioma diminuir ou até mesmo desaparecer, pois há queda da produção destes hormônios. Segundo estatísticas, na gravidez pode ocorrer tanto aumento, diminuição como nenhuma alteração”, explica Dr. Edvaldo. Fatores de Risco Casos de família: o histórico familiar de mioma (mãe ou irmãs) aumenta o risco de 4 a 5 vezes; Idade: A idade é outro fator importante, já que a incidência é maior entre mulheres com idades entre 40 e 50 anos. Menstruação precoce: Quando a mulher menstrua cedo, isso aumenta o número de divisões celulares no miométrio o que eleva a probabilidade de mutações genéticas responsáveis pela proliferação miometrial. Etnia: Mulheres afrodescendentes apresentam risco aumentado de 2 a 3 vezes. Como tratar? A retirada do útero é o único tratamento definitivo para o mioma. Porém, este tipo de cirurgia é usado como último recurso de manejo do mioma. Além disso, ele não é uma opção para as mulheres que desejam engravidar. “Há medicamentos que são usados para impedir o crescimento ou reduzir o tamanho do mioma, porém como causam efeitos colaterais há restrição do tempo que podem ser utilizados. Além disso, o mioma pode voltar a crescer quando a medicação é suspensa. O uso de anticoncepcionais, por exemplo, também não é uma escolha para as mulheres que querem ter filhos”, explica Dr. Edvaldo. Quando o mioma afeta a fertilidade da mulher? Segundo Dr. Edvaldo, dependendo da sua localização no útero, os miomas podem ser responsáveis pela infertilidade. “Miomas na cavidade uterina (submucosos) podem dificultar a fixação do embrião (nidação), proporcionar abortamento, parto prematuro ou até mesmo obstrução das tubas uterinas. Mesmos os miomas na parede do útero (intramural), quando muito grandes ou muito numerosos podem distorcer a cavidade uterina e também dificultar o desenvolvimento da gestação”, Para quem deseja ter filhos, a miomectomia é a cirurgia de escolha, pois preserva o útero e restabelece a anatomia funcional uterina. “Temos que lembrar que o mioma é uma doença que nasce e cresce benigna e que é possível sim engravidar após a cirurgia. Cabe também ressaltar que nem todo mioma tem indicação cirúrgica. Em muitos casos orientamos a engravidar com os miomas e apenas acompanhamos a sua evolução durante a gestação”, finaliza Dr. Edvaldo. Referências: (1) Epidemioly of Uterine Fibroids:  systematic review https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28296146 (2) http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2013000200301  

É possível reverter a laqueadura e engravidar naturalmente?

É possível reverter a laqueadura e engravidar naturalmente?

Com a nova tendência da sociedade moderna em constituir novos relacionamentos após separação matrimonial, não é raro se deparar com mulheres que se arrependem de ter escolhido a laqueadura tubária como método para evitar uma nova gestação. Estima-se que a taxa de incidência global de arrependimento pós-laqueadura seja de 3 a 8% 1. No Brasil a proporção de mulheres arrependidas é de 10%. De acordo com a revisão de alguns estudos sobre esterilização feminina, quanto maior o tempo de esterilização, maior a taxa de arrependimento, principalmente em mulheres muito jovens que optam pela laqueadura antes dos 25 anos de idade, Outros fatores importantes para se arrepender da laqueadura são a melhora das condições socioeconômicas, que permitiriam ter uma nova gestação, ou ainda a perda de um filho. Restauração da Fertilidade Um dos tratamentos disponíveis para reverter a laqueadura é a reanastomose das tubas uterinas. Segundo Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico, graças ao desenvolvimento de novas técnicas de microcirurgia, hoje a reversão da laqueadura pode ser realizada por videolaparoscopia/cirurgia robótica ou ainda por via tradicional (laparotomia) com a utilização da microscopia eletrônica. “A reversão da laqueadura é uma opção para as mulheres que querem engravidar naturalmente, sem recorrer à fertilização in vitro, por exemplo,” explica o médico. Taxa de sucesso são melhores em mulheres mais jovens Algumas mulheres acreditam poder reverter a laqueadura facilmente, mas na realidade não é bem assim, pois o sucesso da reversão depende das condições que se encontra essa tuba pós laqueadura. A idade da mulher é outro fator importante: mulheres abaixo dos 35 anos de idade apresentam maior taxa de sucesso. Globalmente, a taxa de gravidez pode variar de 57% a 84%, em média, e a gravidez pode ocorrer em até 18 meses após a cirurgia. Outro ponto importante a ser discutido com o médico é a chance de uma gravidez ectópica, que é ligeiramente maior depois da reversão da laqueadura, de 2 a 7%. Como é feita a cirurgia A reanastomose tubária é considerada uma microcirurgia, já que as tubas uterinas medem, em média, de 3 a 5 mm. “A técnica utilizada pode ser por videolaparoscopia ou cirurgia robótica, cirurgias consideradas minimamente invasivas ou ainda por via tradicional – laparotomia – com a utilização da microscopia eletrônica”, explica Dr. Edvaldo. Após o período de recuperação, a mulher é submetida a um exame chamado de histerossalpingografia para avaliar a permeabilidade das tubas uterinas. Em cerca de 60 dias, o casal já pode começar as tentativas para engravidar.   http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0300060517709815?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori%3Arid%3Acrossref.org&rfr_dat=cr_pub%3Dpubmed&