Cirurgia robótica pode aumentar chance de gravidez em mulheres com miomas

Cirurgia robótica pode aumentar chance de gravidez em mulheres com miomas

Cerca da metade das mulheres que são submetidas a uma miomectomia assistida por robô consegue engravidar após o procedimento. Além do aumento da chance de conceber, a cirurgia também melhora a taxa de nascimento: 78% das gestações resultaram em bebês nascidos vivos. Esses dados são de um estudo retrospectivo, realizado por pesquisadores do Nimes University Hospital, na França. Um dos benefícios mais importantes da miomectomia é que ela preserva o útero, ao contrário da histerectomia, cirurgia que remove o órgão. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 200 a 300 mil mulheres são submetidas à histerectomia todos os anos. Cerca de 40% a 60% ou mais dessas cirurgias são justamente para a retirada dos miomas. A histerectomia é segunda cirurgia ginecológica mais realizada em mulheres em idade reprodutiva, só perde mesmo para cesárea. Indicação correta De acordo com Dr. Edvaldo Cavalcante, ginecologista e cirurgião ginecológico, os benefícios da miomectomia assistida pelo robô são conhecidos e evidenciados pelos estudos. Porém, infelizmente, a cirurgia tem indicações muito específicas. “Quando o útero está com seu volume muito aumentado, quando há muitos miomas ou ainda quando os miomas são muito grandes, pode ser necessário realizar a miomectomia aberta”. Mas, tanto a miomectomia por laparoscopia, com ou sem robô, quanto à miomectomia aberta, tem como finalidade preservar o útero, principalmente nas mulheres em idade reprodutiva ou ainda naquelas que desejam manter o órgão. “A histerectomia pode ser necessária em alguns casos, porém esgotamos todos os recursos antes de fazer essa indicação”, explica Dr. Edvaldo. Miomas e infertilidade Miomas são os tumores pélvicos benignos mais comuns em mulheres em idade fértil. Levam esse nome porque se desenvolvem no miométrio, a camada média da parede uterina. Nem todos os miomas causam infertilidade. “Contudo, aqueles que crescem no interior da cavidade uterina podem dificultar a concepção, além de elevar o risco de abortamento”, explica o médico. Cirurgia Robótica no Brasil De acordo com dados da fabricante do equipamento, da Vinci®, o Brasil conta com 74 robôs cirúrgicos, a maioria em hospitais privados da região Sudeste. Embora nos últimos anos houve um crescimento das cirurgias assistidas pelo robô, existe a necessidade de aumento de médicos cirurgiões certificados e treinados, bem como a expansão do equipamento para outras regiões.

Infertilidade na endometriose pode estar ligada a defeito em enzima

Infertilidade na endometriose pode estar ligada a defeito em enzima

 55% das mulheres com diagnóstico de endometriose apresentam infertilidade, de acordo com pesquisa brasileira A medicina ainda não conseguiu elucidar totalmente porque a endometriose pode levar à infertilidade (incapacidade de engravidar por métodos naturais) ou até mesmo de levar a gestação até o final. Porém, um novo estudo, que acaba de ser publicado no Science Translational Medicine, apontou que uma das possíveis causas da infertilidade associadas à endometriose pode ser uma desregulação em uma enzima essencial para a formação do embrião e para a gravidez, a HDAC3. A HDAC3 é uma das enzimas da família das histonas deacetilases, cruciais para diversos processos biológicos, principalmente no enrolamento da cromatina, que forma os fios que resultam nas moléculas de DNA. Há muitos anos os pesquisadores estudam as disfunções nas histonas. As mutações e defeitos nessa família de enzimas estão ligadas, por exemplo, ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer e de doenças hematológicas, como a leucemia e os linfomas. Enzima é essencial para implantação do embrião A pesquisa mostrou que a expressão da HDAC3 foi significativamente menor nas mulheres com o diagnóstico de endometriose em comparação com as mulheres saudáveis. Além disso, a evolução da endometriose está relacionada à diminuição progressiva da enzima, de acordo com os pesquisadores que usaram modelos animais para fazer essa análise. Segundo o ginecologista e obstetra, Dr. Edvaldo Cavalcante, o estudo apontou que a deficiência da enzima prejudica a implantação do embrião na parede do útero. “A falta da enzima ou sua expressão irregular altera a decidualização. Trata-se de uma reação que ocorre na segunda semana da gestação, depois que o óvulo desce das tubas uterinas em direção ao útero para se implantar no endométrio”, explica o especialista. Porém, Dr. Edvaldo ressalta que apesar da relação da HDAC3 com a implantação do embrião no útero, a pesquisa não foi capaz de mostrar uma relação específica da disfunção da enzima com a infertilidade relacionada à endometriose. “O estudo foi importante para que novas descobertas, principalmente na área da genética, possam elucidar a infertilidade nas mulheres com endometriose, já que se trata de uma comorbidade com alto índice de prevalência. Inclusive, esta alta prevalência foi confirmada por nossa pesquisa no ano passado, realizada com 3 mil brasileiras”, comenta Dr. Edvaldo. “O que temos hoje, com base nas evidências científicas já muito bem estabelecidas, é que a infertilidade na endometriose está relacionada às alterações dos tecidos do aparelho reprodutor feminino, além da inflamação crônica, típica da patologia”, explica o ginecologista. Tratamento deve ser personalizado “Cada mulher deve ser tratada de forma individual. Nem todas terão dificuldades para engravidar. Além disso, muitas pacientes que passam pela cirurgia para remover as lesões da endometriose acabam engravidando naturalmente. Outras precisam recorrer aos métodos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro”, diz Dr. Edvaldo. Para o médico, que é especialista no tratamento cirúrgico e clínico da endometriose, assim como Médico Assistente do Setor de Algia Pélvica e Endometriose do Departamento de Ginecologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), o mais importante é que o diagnóstico da endometriose seja feito de forma precoce. “A pesquisa mostrou que a evolução da doença está ligada à queda da expressão da HDAC3. Quanto mais a doença evolui, sem o tratamento adequado, mais danos ela pode causar à saúde da mulher, inclusive na fertilidade”. “O tratamento médico, que pode ser clínico ou cirúrgico, tem como foco aliviar os sintomas, principalmente a dor pélvica. Já a cirurgia, além de tratar a dor, pode ajudar a melhorar a fertilidade em vários casos, recuperando a fertilidade natural da mulher”, encerra Dr. Edvaldo.

Reversão da laqueadura é alternativa para quem quer engravidar naturalmente

Reversão da laqueadura é alternativa para quem quer engravidar naturalmente

Brasil tem a décima maior taxa de laqueadura do mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) De acordo com um estudo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em 1986, as laqueaduras representavam quase 30% dos métodos contraceptivos usados no Brasil, ocupando o primeiro lugar no ranking. Em 2013, a esterilização feminina caiu para 19,2%. Entretanto, embora a taxa de laqueaduras tenha caído ao longo dos anos, um grande número de mulheres se arrepende desta solução definitiva de contracepção. Para o ginecologista e obstetra Dr. Edvaldo Cavalcante, especializado em cirurgias minimamente invasivas, esse arrependimento tem relação com as mudanças nas dinâmicas dos relacionamentos afetivos. “A laqueadura era muito comum nos 80 e 90, porque os casamentos duravam mais e a taxa de divórcios era menor. Outro ponto é que os casais costumavam ter dois ou mais filhos. Portanto, a laqueadura era uma decisão tomada com mais consciência”. “Hoje, o número de pessoas que se separam e se casam novamente aumentou de forma significativa. Com isso, a mulher pode querer ter um filho com o novo parceiro e se arrepender pela escolha da laqueadura. Ou ainda se a mulher tomou essa decisão muito nova, quando tinha apenas um filho, por exemplo, também pode querer gestar anos mais tarde”, reflete Dr. Edvaldo. É possível reverter a laqueadura? A boa notícia é que graças aos avanços das técnicas cirúrgicas, a reversão da laqueadura, cujo nome médico é reanastomose tubária, tem se mostrado um método importante para reverter a esterilização feminina. “O desenvolvimento e o aprimoramento das técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, assim como a chegada da cirurgia robótica na área ginecológica, foram os pontos-chaves para transformar a reanastomose tubária em uma alternativa eficaz para engravidar em muitos casos. Principalmente quando a mulher não deseja passar por procedimentos como a fertilização in vitro (FIV)”, comenta Dr. Edvaldo. Mulheres mais novas tem taxas de gravidez mais altas Apesar da reversão da laqueadura ter ganhado espaço na medicina reprodutiva, há critérios que devem ser levados em consideração para realizar a cirurgia. “A idade da mulher é um dos principais, além da técnica usada para a laqueadura e o estado das tubas uterinas”, cita o ginecologista. Uma revisão de 37 estudos sobre a reanastomose tubária, publicado no jornal científico Human Reproduction Update, mostrou que a taxa de gravidez após a cirurgia variou de 42 a 69%. O estudo avaliou 10.689 mulheres. “Os pesquisadores apontaram que o único fator que afeta a concepção é a idade da mulher. Com o avançar da idade, menores são as chances de engravidar após a reversão da laqueadura”, comenta Dr. Edvaldo. Um outro estudo, realizado com 6.692 mulheres, também publicado no Human Reproduction, apontou que a taxa geral de gravidez após a reanastomose tubária foi de 69%. Essa pesquisa também confirmou que mulheres com menos de 30 anos tiveram uma taxa maior de sucesso em engravidar, atingindo 88% das participantes. Como saber se eu sou candidata à reversão da laqueadura? O ideal é procurar um cirurgião ginecológico especializado na técnica de reanastomose tubária (reversão da laqueadura), preferencialmente um profissional com experiência em cirurgia com microscopia e cirurgia minimamente invasiva. “O médico irá solicitar diversos exames para avaliar se a cirurgia é ou não recomendada. Assim, cada caso é tratado de forma individualizada. Nem todas as mulheres terão a indicação para reversão da laqueadura”, encerra Dr. Edvaldo. Vale lembrar ainda que a reversão de laqueadura não é coberta por nenhum plano de saúde, assim como não é realizada pelo sistema público de saúde. De qualquer maneira, o custo da cirurgia é relativamente menor quando comparado ao dos tratamentos de fertilização in vitro (FIV).

Gravidez melhora os sintomas da endometriose?

Gravidez melhora os sintomas da endometriose?

Embora durante muito tempo, havia a crença de que a gravidez tinha um papel na melhora ou até mesmo na remissão dos sintomas da endometriose, um estudo recente, apresentado durante o VI Congresso Brasileiro de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva, que aconteceu em São Paulo, no mês de setembro, as evidências atuais disponíveis sugerem que a gestação não resulta em benefícios ou melhora dos quadros de endometriose. O estudo, publicado no jornal científico Human Reproduction, foi uma revisão da literatura disponível sobre gravidez e endometriose, entre os anos de 1966 e 2017. Segundo o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante, médico assistente do Ambulatório de Algia Pélvica da Universidade Estadual de São Paulo (UNIFESP), a endometriose é cercada de mitos, sendo um deles a questão da gravidez como recurso para melhora dos sintomas. “O estudo mostrou que os resultados a respeito dos efeitos da gravidez na endometriose são controversos. Também apontou que há evidências crescentes de que a endometriose pode interferir no sucesso da gravidez. Assim, é preciso orientar corretamente as pacientes sobre o assunto”, comenta Dr. Edvaldo. “Isso porque em 55% dos casos, a endometriose pode levar à infertilidade. Além disso, enquanto algumas lesões da endometriose apresentam regressão durante a gravidez, outras podem permanecer estáveis ou ainda aumentarem. O único efeito claro é que na gravidez, por conta da amenorreia (cessação da menstruação), não surgem novos focos de endometriose”, ressalta o ginecologista. O estudo apresentado durante o Congresso não foi conclusivo e novas pesquisas serão feitas para entender os efeitos da gravidez nas mulheres com endometriose. Endometriose, aborto espontâneo e outras intercorrências na gravidez Quando se fala de gravidez e endometriose, há outros aspectos que precisam ser bem avaliados. Segundo um estudo, quando a mulher tem endometriose profunda, ou seja, a forma mais agressiva da doença, há taxas mais elevadas de placenta prévia, aborto espontâneo, restrição do crescimento intrauterino, parto prematuro e distúrbios hipertensivos. O que realmente melhora os sintomas da endometriose? “Nem todas as mulheres apresentam manifestações clínicas da endometriose. Outro ponto é que há pacientes com endometriose profunda sem sintomas e há outras com pequenos focos e manifestações importantes”, comenta Dr. Edvaldo. A dor pélvica crônica é a principal queixa e afeta cerca de 70% das mulheres diagnosticadas com a endometriose. O tratamento pode ser feito com medicamentos. Quando não há resposta ou ainda quando há contraindicação para o uso da terapia hormonal, a cirurgia é recomendada para remover os focos da endometriose. O procedimento também ajuda as mulheres que pretendem engravidar, já que esse grupo não pode usar os hormônios para alívio dos sintomas”, explica o cirurgião ginecológico. Por fim, Dr. Edvaldo lembra que a gravidez de uma mulher com endometriose deve ser acompanhada de perto, com cuidados mais intensos durante o pré-natal, em vista das evidências que sugerem os riscos aumentados de intercorrências.

Dança pode ajudar a aliviar os sintomas da endometriose

Dança pode ajudar a aliviar os sintomas da endometriose

Dor pélvica crônica, baixa autoestima, infertilidade, ansiedade e estresse. Estes são apenas alguns dos sintomas e condições ligados à endometriose, doença crônica, que afeta 1 em cada 10 mulheres em idade fértil. Segundo pesquisa realizada pelo ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante, em parceria com o Grupo de Apoio às Portadoras de Endometriose e Infertilidade (Gapendi), cerca de 90% das mulheres com o diagnóstico de endometriose sentem dor, em algum momento durante o mês. Mais da metade das 3 mil entrevistadas relatam estresse, ansiedade e 34% receberam diagnóstico de depressão. Dança: uma estratégia de enfrentamento De acordo com Dr. Edvaldo, por ser uma doença crônica, a endometriose exige que a mulher adote uma série de estratégias que possam contribuir para melhorar a qualidade de vida e que ajudem a lidar de uma forma mais positiva com a condição. A dança é uma das melhores atividades físicas para quem sofre com a endometriose, segundo a psicóloga Fátima Bortoletti. “A dança faz uma conexão entre o corpo, as emoções e o cérebro. Isso porque dançar envolve a música, que ativa uma série de conexões neurais que fazem também uma conexão também motora com o corpo, estimulando a liberação de hormônios como a dopamina e a ocitocina, que geram sensação de prazer e bem-estar”, comenta Fátima. “O que nem todo mundo sabe é que os hormônios que a dança ajuda a liberar são mais fortes do que àqueles ligados ao mecanismo da dor. Como a dor é uma queixa muito constante nas mulheres com endometriose, a prática da dança pode ajudar a aliviar a dor, além de contribuir para a redução da ansiedade e do estresse”, comenta Fátima. Autoestima e interação social Como a pesquisa mostrou, a autoestima é o aspecto mais afetado pela endometriose. Além disso, 84% das mulheres entrevistadas citaram que deixam de realizar uma série de atividades por conta da doença, como por exemplo, sair com os amigos ou com o parceiro. “A dança, além de todos os benefícios já citados, também é uma atividade que promove a interação social. Muitas mulheres acabam se isolando socialmente, como mostrou a pesquisa e isso pode piorar os sintomas depressivos ou ansiosos. Portanto, dançar pode ser uma ótima estratégia para lidar com a endometriose de uma forma mais positiva”, cita Fátima. Segundo a psicóloga, a mulher deve procurar o estilo de dança quem mais combina com seu perfil. “A dança de salão é ótima, porque promove a interação social. Mas, o que importa mesmo é dançar, seja na sala de casa, em uma casa noturna ou em uma academia”, comenta a psicóloga. Outros recursos Entretanto, a dança é apenas um dos recursos que podem melhorar a qualidade de vida da mulher com o diagnóstico da endometriose. “A dança é excelente, mas é importante que a mulher também pratique a meditação terapêutica em conjunto com a dança, além de outras intervenções”, cita Fátima. Fátima cita que mulheres com endometriose podem procurar profissionais especialistas em psiconeuroendocrinoimunologia, uma ciência interdisciplinar que estuda a ligação da mente, do comportamento e dos sistemas imunológico e endócrino. “Os pensamentos e as emoções afetam a resposta imunológica do corpo, o que impacta na saúde física. Para lidar com doenças crônicas é preciso prestar muita atenção às emoções e atitudes, pois elas afetam toda a bioquímica do organismo. Para a endometriose isso é fundamental, já que é uma doença ligada tanto aos hormônios, quanto ao sistema imunológico. Assim, recursos que possam melhorar ou equilibrar essa bioquímica são benéficos para essas mulheres”, finaliza Fátima.

Fadiga crônica atinge metade das mulheres com endometriose

Fadiga crônica atinge metade das mulheres com endometriose

Estudo mostrou que a prevalência da fadiga crônica em mulheres com endometriose é de 50.7%, enquanto que em mulheres sem o diagnóstico a prevalência é de 22.4% Um estudo publicado em junho, no jornal científico Human Reproduction, revelou que a prevalência da fadiga crônica é praticamente duas vezes maior em pacientes com endometriose em comparação com a população feminina em geral. Fadiga é o termo médico usado para definir o cansaço. A síndrome da fadiga crônica é caracterizada por um cansaço extremo e incapacitante, além de incluir outros sintomas, como dores musculoesqueléticas, insônia, dificuldade concentração e cefaleia, presentes por pelo menos seis meses ou mais. Afeta cerca de 3% da população em geral e as mulheres apresentam um risco maior de desenvolver a condição quando comparadas aos homens. Como o estudo foi realizado O estudo foi multicêntrico e avaliou 1.112 mulheres, sendo 560 diagnosticadas com endometriose e 560 sem o diagnóstico. Além da pesquisa mostrar que cerca de metade das mulheres com endometriose apresenta a fadiga crônica, apontou que a condição está associada à depressão, insônia e estresse, independente da idade, do tempo até chegar ao diagnóstico e do estágio da doença. A conclusão dos pesquisadores é que uma vez que a fadiga crônica é duas vezes mais frequente em mulheres com endometriose, os médicos devem abordar o tema durante o acompanhamento clínico, pois o manejo da doença é mais direcionado para o controle da dor e para o tratamento da infertilidade, muitas vezes deixando de priorizar esses outros aspectos que também interferem na qualidade de vida das pacientes. Dor como fator de risco Segundo o ginecologista e obstetra, Dr. Edvaldo Cavalcante, a dor crônica é um fator de risco importante para o desenvolvimento das comorbidades associadas à endometriose, como a depressão, fadiga crônica, estresse e ansiedade e distúrbios do sono. “Este estudo internacional mostrou que dor e depressão têm bastante influência no desenvolvimento da síndrome da fadiga crônica. Além disso, os pesquisadores descobriram que o estilo de enfrentamento da endometriose pode fazer diferença entre desenvolver ou não a síndrome”, comenta o ginecologista. As mulheres com endometriose que adotavam estratégias como praticar atividade física e ter um estado mental mais positivo, eram menos afetadas pela fadiga. Fadiga, inflamação e estresse Porém, a fadiga não é somente física. “A endometriose é uma doença inflamatória crônica, ou seja, as lesões da doença ativam as citocinas inflamatórias. O organismo procura combater essa inflamação e isso pode levar a um estado crônico de cansaço”, explica Dr. Edvaldo. Outra condição que leva o organismo à exaustão é o estresse crônico. O estresse é uma resposta normal do corpo quando passamos por uma situação desafiadora. Porém, o esperado é que voltar ao estado normal depois de um tempo, que pode variar de pessoa para pessoa. “Entretanto, há pessoas que vivem constantemente estressadas. Quando isso acontece, o corpo libera mais cortisol, aumenta a frequência cardíaca e respiratória, eleva a pressão arterial, piora a ansiedade e os níveis de concentração de glicose no sangue. Lidar com a dor, com a infertilidade e com todos os aspectos da endometriose pode levar a esse estado constante de estresse, aumentando o risco de desenvolver a síndrome da fadiga crônica”, explica Dr. Edvaldo. Dicas para prevenir a fadiga crônica Praticar atividade física: O estudo apontou que as mulheres com endometriose que praticavam atividade física tinham menos risco de apresentar a fadiga crônica. Cuidar da alimentação: Há estudos que apontam que certos alimentos podem piorar a inflamação crônica, portanto é ideal procurar um nutricionista que ajude a elaborar um cardápio próprio para quem tem endometriose. Gerenciar o estresse: Cuidar da saúde mental é muito importante. É preciso encontrar meios de lidar com o estresse. Praticar meditação, fazer psicoterapia, ter mais atividades de lazer, praticar o autocuidado, ouvir música, dançar, sair com os amigos, viajar ou ainda participar de grupos de mulheres com a endometriose são estratégias que podem ajudar a controlar o estresse. Dormir bem: O sono é crucial para a recuperação do organismo. Os distúrbios do sono devem ser tratados. Resiliência: Outros estudos já mostraram que encarar a endometriose de uma maneira mais positiva pode proteger a mulher de desenvolver as comorbidades. Procurar uma psicóloga, um grupo de ajuda e cultivar a espiritualidade podem ser ferramentas para alcançar esse objetivo.

Atividade física é fundamental para o tratamento da endometriose

Atividade física é fundamental para o tratamento da endometriose

A endometriose é uma doença crônica que atinge cerca de 10% das mulheres em idade fértil. A infertilidade e a dor pélvica crônica são os principais sintomas da doença. A endometriose afeta de forma significativa a qualidade de vida de quem recebe este diagnóstico. O principal objetivo do tratamento, que pode ser medicamentoso ou cirúrgico, é reduzir a dor e/ou resgatar a fertilidade. Entretanto, os medicamentos usados no combate à endometriose podem conter hormônios e, portanto, podem levar ao aumento do peso e à retenção de líquidos. Uma recomendação fundamental para as mulheres diagnosticadas com endometriose é adotar hábitos de vida saudáveis, entre eles a prática regular de uma atividade física. Segundo pesquisa realizada pelo cirurgião ginecológico, Dr. Edvaldo Cavalcante, em parceria com o Grupo de Apoio às Portadoras de Endometriose e Infertilidade (GAPENDI), das 3 mil brasileiras com endometriose que responderam ao questionário, apenas 31% praticam algum exercício regularmente. “Infelizmente, o nível de sedentarismo na população brasileira é alto. A vida agitada das grandes capitais leva as pessoas a caminharem menos e a ficarem mais tempo sentadas. Porém, a prática de uma atividade física é essencial para todos, inclusive para quem tem uma doença crônica como a endometriose”, comenta Dr. Edvaldo. Encontre um exercício para chamar de seu Segundo um estudo publicado no Journal of Physical Therapy Science, um programa de oito semanas de exercícios foi eficaz na redução da dor e na melhora de anormalidades posturais relacionadas às dores pélvicas. “O que ocorre é que a dor pélvica pode levar a mulher a adotar uma postura mais curvada, levando a uma cifose (corcunda). Portanto, se ela pratica uma atividade física que trabalhe a postura, por exemplo, como o Pilates, é esperado que esse aspecto melhore”, comenta Marília Gabriela, portadora de endometriose e coordenadora do Gapendi. Outro ponto é que atividades físicas ajudam o organismo a produzir dois neurotransmissores, a serotonina e a dopamina. A primeira traz sensação de bem-estar e ajuda a aliviar a ansiedade, presente em 50% das entrevistadas na pesquisa, por exemplo. A serotonina também ajuda a regular as vias sensoriais ligadas à dor e, pode, portanto, contribuir no controle da dor. A dopamina também fica mais disponível por meio dos exercícios e ajuda na sensação de prazer e bem-estar, assim como atua na memória, humor e concentração. Controle do peso Para as mulheres que usam hormônios para tratar a endometriose, a prática regular de um exercício é um aliado importante para ajudar no controle do peso. “A alimentação deve ser balanceada, mas é ideal somar à dieta alguma atividade física. Lembrando que esses bons hábitos não servem apenas para o tratamento da endometriose, mas contribuem também para que a mulher previna condições futuras, como as doenças cardiovasculares, muito comuns na menopausa”, acrescenta Dr. Edvaldo. Como escolher uma atividade física Em primeiro lugar, é preciso optar por uma atividade ou exercício que esteja alinhado com o perfil individual. Caminhada, natação, Pilates, musculação, treinos funcionais, dança, ciclismo. O importante é a regularidade e o prazer envolvido na escolha. O ideal é procurar se exercitar pelo menos 30 minutos por dia ou 60 minutos de 3 a 4 vezes por semana.  “Tudo na vida é uma questão de hábitos. Quando a pessoa é sedentária, pode ser mais difícil no começo, mas depois, certamente o tempo irá mostrar os benefícios para a saúde como um todo, sendo ainda uma estratégia importante para lidar com a endometriose”, conclui Dr. Edvaldo.

Vitamina D pode prevenir desenvolvimento de miomas

Vitamina D pode prevenir desenvolvimento de miomas

Você já deve ter ouvido falar que a vitamina D é essencial para a sua saúde, principalmente para prevenir a osteoporose. Deve saber também que a melhor maneira de ativar a síntese desse nutriente é tomando sol. A vitamina D é um importante hormônio produzido a partir da alimentação e, principalmente (90%) pela pele, por meio à exposição a radiação UVB dos raios solares. Entretanto, a novidade é que estudos têm demonstrado que mulheres com miomas, em geral, apresentam deficiência da vitamina D. Seria então a vitamina D um fator de proteção contra os miomas? Segundo um estudo publicado no jornal científico Fertility and Sterility, a deficiência de vitamina D desempenha um papel significativo no desenvolvimento de miomas uterinos. Os pesquisadores apontaram que a vitamina D3 (um dos tipos do nutriente) reduz a proliferação de células do leiomioma in vitro e o crescimento dos tumores em modelos animais in vivo. No estudo, as mulheres com menores níveis da substância apresentaram casos mais graves de miomas. Já as mulheres com níveis suficientes de vitamina D eram menos propensas a desenvolverem os tumores. Você pode estar se perguntando, como uma vitamina, conhecida por proteger seus ossos, pode proteger seu útero contra os miomas? A explicação é que a vitamina D exerce ações diretas ou indiretas em mais de 200 genes envolvidos na regulação do ciclo celular. Ela participa de diversos processos no organismo, incluindo a regulação da proliferação e diferenciação celular, a angiogênese (crescimento de novos vasos sanguíneos a partir dos já existentes) e a apoptose (morte celular programada). Ou seja, todos esses processos participam do desenvolvimento de um tumor, que nada mais é do que o crescimento anormal e desordenado das células. Para corroborar a tese, um estudo publicado em março deste ano, no BMJ, feito com 33.736 pessoas, que foram acompanhadas durante 16 anos, mostrou que níveis adequados da vitamina D reduziram o risco de desenvolver um câncer em 20%. Como saber se você tem bons níveis da vitamina D? Segundo estudos internacionais, estima-se que aproximadamente 40% dos adultos apresentam a hipovitaminose D, cujo principal fator é a falta de exposição solar.  “O Brasil está abaixo da linha do Equador, portanto aqui a incidência dos raios solares é maior e temos mais dias ensolarados do que os países localizados no hemisfério norte. Mesmo assim, poucas pessoas têm o costume de tomar sol por conta os riscos do câncer de pele e do fotoenvelhecimento”, explica o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante. Mas, o médico alerta: tomar sol é fundamental! “Infelizmente, pelos hábitos da sociedade moderna, como trabalhos em lugares fechados e menos tempo ao ar livre podem levar à deficiência da vitamina. Portanto, a recomendação é tomar sol, de preferência com braços e pernas expostos, durante 20 minutos”. Como ou sem protetor? Este é um assunto controverso no meio médico. Alguns estudos dizem que o protetor atrapalha a absorção dos raios UVB pela pele. Mas, em maio deste ano, a Sociedade Brasileira de Dermatologia apresentou um estudo revelando que o uso do filtro solar não impacta na absorção do nutriente. Segundo a pesquisa, a pessoa pode usar o protetor solar e tomar até às 10h ou depois das 16h. Como saber se tenho deficiência? “Para ver se os níveis da vitamina D estão bons, é possível fazer exames de sangue. Há suplementos que podem ser indicados, mas é preciso cuidado na administração, pois em altas quantidades, a substância pode ser prejudicial, por isso, somente o médico pode fazer essa avaliação e prescrever a suplementação”, diz o médico. Quanto à prevenção dos miomas, os estudos devem continuar para esclarecer melhor os mecanismos da vitamina D na formação dos tumores e para investigar se a substância pode ajudar no tratamento dos miomas. Enquanto isso, que tal investir na sua alimentação e tomar sol? Na prática é assim: você coloca alimentos ricos em vitamina D no seu prato, mas para que ela seja absorvida e sintetizada pelo seu organismo, você precisa tomar sol! Veja uma lista dos alimentos ricos em vitamina D: Ostras Salmão, arenque, atum ou sardinha Ovos Fígado de boi ou de galinha Laranja Cogumelos (shitake) Leite e derivados

Ansiedade está presente em 50% das mulheres com endometriose, segundo pesquisa

Ansiedade está presente em 50% das mulheres com endometriose, segundo pesquisa

De acordo com recente pesquisa feita pelo ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante, em parceria com o Grupo de Apoio às Portadoras de Endometriose e Infertilidade (GAPENDI), 50% das mais de 3 mil mulheres que responderam ao estudo foram diagnosticadas com o transtorno da ansiedade generalizada. Outras 34% receberam o diagnóstico de depressão. A pesquisa corroborou dados de vários estudos internacionais feitos ao longo dos anos, que mostraram que a endometriose pode levar ao desenvolvimento de transtornos psiquiátricos, como ansiedade e depressão, por exemplo. Segundo Dr. Edvaldo, a cronicidade da endometriose é o principal fator de risco para os transtornos mentais, juntamente com a dor pélvica crônica e a infertilidade. “Uma doença crônica como a endometriose requer diversos cuidados com a saúde e causa preocupações que podem elevar o nível do estresse. A tensão já começa na busca pelo diagnóstico, que pode levar em média oito anos aqui no Brasil, de acordo com nossa pesquisa, sendo a média mundial sete anos. Passar por vários médicos pode ser desgastante, principalmente quando as queixas são desvalorizadas e há dificuldade em confirmar as suspeitas”, diz o médico. Impacto do diagnóstico Um momento que é de grande importância é o do diagnóstico, pois pode aumentar o estresse e a ansiedade. “Ao receber a notícia, a mulher se dá conta que tem uma doença incurável, que pode afetar diversos aspectos da sua vida, como o trabalho, os estudos, a vida social, o relacionamento e, para algumas, o sonho de ser mãe, por exemplo”, comenta a coordenadora do Gapendi, Marília Gabriela. “A notícia deve ser dada com muito zelo por parte do médico e é interessante que a mulher seja aconselhada a procurar ajuda psicoterápica para lidar com o impacto inicial do diagnóstico”, comenta Dr. Edvaldo. Entretanto, isso não é uma realidade no Brasil. A pesquisa mostrou que apenas 24% das entrevistadas foram orientadas a procurar um psicólogo/terapia e só 13% o fazem. Lidando positivamente com a endometriose Os estudos também mostram que não são todas as mulheres com endometriose que irão desenvolver transtornos psiquiátricos por conta da doença. “Existem fatores protetores e fatores de risco envolvidos na ansiedade e na depressão. Há mulheres com histórico familiar destas doenças ou que já tinham o diagnóstico anteriormente ao da endometriose. Mulheres com histórico prévio de baixa autoestima e problemas com a imagem corporal também podem ter um risco maior quando o assunto é ansiedade”, comenta Dr. Edvaldo. Por outro lado, mulheres sem histórico familiar ou pessoal de ansiedade ou de depressão e que têm uma boa autoestima, assim como aquelas com relacionamentos afetivos estáveis podem estar mais protegidas, segundo os estudos. As pesquisas sugerem que nestes casos há maior facilidade em ressignificar o diagnóstico e reorganizar a vida para conviver com a doença. Dor é o principal fator de risco De todos os achados sobre o impacto da endometriose na saúde mental, o mais importante, segundo os estudos, é a gravidade da dor pélvica crônica. “Segundo a nossa pesquisa, 91% das brasileiras com endometriose sentem dor em algum momento, sendo que 34% delas sofrem durante 15 dias no mês, entre a ovulação e a menstruação. Certamente, conviver com a dor de forma crônica é o aspecto mais difícil de lidar na endometriose”, comenta Marília. Estratégias e recursos Veja agora algumas dicas que podem prevenir quadros de ansiedade e depressão, assim como podem ajudar a gerenciar o estresse e a lidar melhor com a endometriose: Procure ajuda: O aconselhamento de um terapeuta/psicólogo é fundamental no momento do diagnóstico. Cuide da alimentação: Há estudos que mostram que a alimentação ajuda muito no tratamento e no controle da dor. Leia mais aqui: Pratique atividade física: Além de ajudar a controlar o peso que pode aumentar por conta do tratamento da endometriose, a atividade física libera substâncias que levam ao prazer e ao bem-estar, diminuem o estresse e ajudam a controlar a ansiedade. Controle a dor: Converse com seu médico. O principal objetivo do tratamento é controlar a dor e isso é possível, seja por meio de cirurgia ou de medicamentos. Gerencie o estresse: encontre uma atividade que você goste de fazer, tenha momentos de lazer, pratique meditação ou qualquer hobby que ajude você a controlar a ansiedade o estresse. Compartilhe sua história: Compartilhar sentimentos, angústias, história pessoal ou dúvidas com outras mulheres que têm endometriose pode ser muito bom. Além do Gapendi, há vários outros grupos espalhados pelo Brasil. Ref: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28854724

Pesquisa mostra que 38% das mulheres com endometriose apresentam também intestino irritável

Pesquisa mostra que 38% das mulheres com endometriose apresentam também intestino irritável

Embora a endometriose seja uma doença ginecológica, ela pode estar associada a outras condições de saúde. Uma delas é a Síndrome do Intestino Irritável (SII). Juntas, essas duas patologias afetam de forma significativa a vida da mulher. Na pesquisa realizada pelo ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante, em parceria com o Gapendi, 38% das entrevistadas citaram que foram diagnosticadas com a SII, como uma comorbidade da endometriose. A inflamação e a dor pélvica crônica são características compartilhadas por ambas. As prevalências também são parecidas: enquanto a endometriose atinge de 10 a 15% das mulheres em idade fértil, a SII atinge de 9 a 12,8% (1). Curiosamente, quando a mulher recebe o tratamento para a endometriose, por exemplo, nota-se melhora dos sintomas da SII e o contrário também é verdadeiro, ou seja, ao tratar a SII por meio de dieta, nota-se um alívio da dor durante o período menstrual Segundo Dr. Edvaldo, quando a mulher apresenta inchaço abdominal ou pélvico, assim como quadros de diarreia e constipação, o ideal é investigar ambas as condições. “Estes sintomas podem tanto estar relacionados à endometriose, quanto a patologias do sistema gastrointestinal, como a SII. Porém, na prática muitas mulheres recebem apenas o diagnóstico do intestino irritável, sem imaginar que podem ter também endometriose”. Endometriose pode causar sintomas intestinais Um estudo recente sugeriu que a síndrome do intestino irritável pode ser uma manifestação da endometriose. No estudo (2), 90% das mulheres com endometriose apresentaram também sintomas gastrointestinais. “O que acontece é que os sintomas do intestino irritável podem estar relacionados com a presença das células da endometriose no reto e na vagina, no sigmoide ou no cólon. Quando a endometriose atinge o intestino delgado também são sintomas comuns o inchaço, flatulência e dor, ou seja, manifestações facilmente confundidas com a SII”, explica Dr. Edvaldo. Qual a relação entre a endometriose e o intestino? As causas da endometriose são multifatoriais. Embora a origem exata da doença não esteja totalmente esclarecida, sabe-se que para que as células do endométrio se proliferem para fora da cavidade uterina, elas precisam de um ambiente pró-inflamatório, ou seja, um ambiente que dê condições para criar uma inflamação. “Esse ambiente é criado por inúmeros fatores, dentro os quais a disbiose, com consequente comprometimento da permeabilidade intestinal.  A disbiose é um desequilíbrio dos micro-organismos que habitam nosso sistema gastrointestinal. Podemos dizer que ocorre uma proliferação prejudicial de certas bactérias, que leva a problemas na absorção dos nutrientes, assim como altera o sistema imunológico”, comenta o médico. Além do intestino estar envolvido na digestão e na absorção dos alimentos, o órgão é uma barreira de proteção, pois     suas paredes, quando saudáveis, impedem que toxinas ou nutrientes mal absorvidos entrem na corrente sanguínea. Entretanto, a disbiose enfraquece a parede intestinal aumentando a sua permeabilidade. Isso significa que essas substâncias nocivas têm uma maior chance de passar para a corrente sanguínea. “Quando isso acontece, o sistema imunológico pode interpretar com uma invasão e irá acionar o sistema de defesa, levando a uma reação inflamatória. Assim, essa inflamação favorece a endometriose e pode também levar à irritação do intestino”, diz Dr. Edvaldo. Dieta pode melhorar sintomas das duas condições Atualmente, muitas pacientes seguem a dieta FODMAP, sigla para Fermentable​​ Oligosaccharides, Disaccharides, Monosaccharides and Polyols. Na prática, a dieta recomenda a eliminação de certos alimentos, tanto frescos, como industrializados. Alho, cebola, melancia, repolho, feijão, pão, leite e derivados são alguns alimentos que devem ser evitados. Mas, atenção: essa dieta só deve ser feita com o acompanhamento de um nutricionista. “Vimos na nossa pesquisa que a endometriose e a SII atingem um número considerável de mulheres, quase 40%. Assim, é muito importante que o acompanhamento dessas pacientes seja feito de forma multidisciplinar, para que cada especialidade possa gerenciar os sintomas e assim contribuir para a melhora da qualidade de vida das pacientes”, conclui Dr. Edvaldo.   Ref: (1) Lovell RM, Ford AC., Global Prevalence of and Risk Factors for Irritable Bowel Syndrome: A Meta-analysis. Clin Gastroenterol Hepatol 2012;10:712–21. (2) Moore, Judith, Gibson R Peter, Perry E. Richard, Burgell E. Rebecca; Endometriosis in patients with irritable bowel syndrome: Specific symptomatic and demographic profile, and response to the low FODMAP diet:Obstetrics & Gynaecology, 2017; Volume 57 Issue 2- April, 2017 Pages 201 a 205