7 Fatores de Risco para a Gravidez Ectópica

7 Fatores de Risco para a Gravidez Ectópica

A gestação fora do útero, ou ectópica, em termos médicos, é a principal causa de morte materna no primeiro trimestre de gestação e está entre as grandes causas de aborto. Em uma gravidez normal, depois que é fertilizado, o óvulo percorre a tuba uterina para alcançar o útero, onde ele se abriga e se desenvolve. Na gravidez ectópica, a implantação pode acontecer em outros lugares que não na parede uterina. Esse tipo de gravidez é a que mais pode trazer complicações perigosas para a mulher, pois a tuba é finíssima e não suporta o crescimento do embrião, podendo romper e causar hemorragia. Na imensa maioria das vezes – mais ou menos em 98%–, a implantação acontece nas tubas, por isso, a gravidez ganha o nome de tubária. Em uma pequena parcela, o óvulo se aloja no abdome ou no colo do útero. O embrião não consegue sobreviver fora do útero, mas, mesmo assim, ele ameaça a vida da mulher. Por isso, é fundamental chegar a um diagnóstico rapidamente. A causa exata da gravidez ectópica ainda não está totalmente clara, mas algumas condições são consideradas sinais de alerta. Atualmente, acredita-se que a gravidez ectópica seja causada por uma combinação de fatores. Saiba quais são alguns deles: Doenças sexualmente transmissíveis – Dentre todas as doenças sexualmente transmissíveis, a clamídia é tida como responsável por pelo menos metade de todos os casos de gestação fora do útero. Um estudo de 2011 mostrou que a clamídia aumenta a produção de uma proteína que pode encorajar o óvulo a se implantar nas tubas. Reincidência – Quem já teve uma gestação extrauterina tem de 10% a 25% de chance de ter outra. Fumo – Um outro estudo de 2011 revelou que mulheres que fumam têm quatro vezes mais chance de ter uma gravidez ectópica. Endometriose – É um importante fator de risco. A endometriose leva o tecido do endométrio a crescer dentro ou ao redor da trompa, o que dificulta a chegada do embrião ao útero. Ter feito fertilização in vitro – Parece ser irônico até, pois muitas mulheres se submetem à fertilização in vitro exatamente porque têm algum problema nas tubas uterinas. Não é comum, mas, algumas poucas vezes o cateter que é inserido na mulher para inserir o embrião chega muito próximo das tubas e, com isso, o embrião se instala na região. Idade – Não se sabe ao certo porque, mas a idade da mulher é um dos fatores de risco. Especula-se que o envelhecimento leve a alterações nas tubas, o que pode dificultar a chegada do óvulo ao útero. Moléstia inflamatória pélvica – Estima-se que 70% das infecções genitais causadas por Clamídia, Gonococo, Mycroplasma e Ureroplasma (agentes responsáveis pela Moléstia inflamatória pélvica – MIPA). Essa infecção pode levar à obstrução das tubas uterinas e abcessos tubovarianos. Quando não tratada, a MIPA pode levar à infertilidade e há aumento do risco de gravidez ectópica. Lembre-se: Faça seus exames ginecológicos regularmente e mantenha bons hábitos. 

Entenda porque a Síndrome do Ovário Policístico afeta a fertilidade

Entenda porque a Síndrome do Ovário Policístico afeta a fertilidade

Muitas mulheres descobrem que têm a Síndrome do Ovário Policístico (SOP) quando tentam engravidar e não conseguem. A SOP afeta de 4 a 12% das mulheres em idade reprodutiva, sendo uma das principais causas de infertilidade feminina. Trata-se de uma síndrome, pois é composta de um amplo grupo de sintomas, como ovários policísticos, ciclos menstruais irregulares, hirsutismo (excesso de pelos), obesidade, resistência à insulina, queda de cabelos e oleosidade excessiva. Tudo isso graças ao excesso de produção dos hormônios andrógenos. Como a SOP afeta a fertilidade A ovulação é a liberação do óvulo maduro para ser fertilizado pelo espermatozoide. O FSH (hormônio folículo estimulante) e o LH (hormônio luteinizante) controlam a ovulação. O FSH estimula o ovário a produzir o folículo, uma espécie de saco que contém o óvulo. O LH estimula a liberação deste óvulo quando ele está pronto para ser fecundado. Nas mulheres com SOP, os óvulos nunca amadurecem o suficiente para sair do folículo e esta característica leva à formação de diversos cistos ovarianos, daí o nome ‘ovário policístico’. A falta da ovulação altera os níveis de estrogênio, progesterona, FSH e LH, além de aumentar a produção dos hormônios andrógenos, o que interrompe o ciclo menstrual. Com isso, os períodos menstruais se tornam irregulares e, na maior parte das vezes, não ocorre a ovulação, ao que se dá o nome de anovulação. Recuperação da Fertilidade Natural A mudança do estilo de vida é a primeira recomendação para mulheres com SOP. A perda de peso e os exercícios físicos são estratégias importantes para recuperar a fertilidade. Isso porque estudos mostram que a perda de peso reduz os níveis dos hormônios andrógenos, melhorando a função ovariana. Além da mudança de hábitos e perda de peso, podem ser usados alguns medicamentos para induzir a ovulação. Porém, algumas mulheres têm contraindicações para essas terapias, que normalmente são de alto custo e podem gerar a hiperestimulação ovariana, aumentando a chance gestação múltipla. Para as mulheres que possuem contraindicação para a estimulação ovariana por meio de medicamentos, ou ainda para aquelas que não desejam ou não podem ter uma gestação gemelar, a indicação é o drilling ovariano. Trata-se de uma cirurgia que é feita por videolaparoscopia. O cirurgião realiza microcauterizações na superfície dos ovários e isso leva à melhora dos níveis hormonais. Como resultado, os folículos amadurecem e, consequentemente, a mulher passa a ovular. Cerca de 70% das mulheres começam a ovular após a cirurgia. O drilling ovariano, portanto, pode permitir à mulher engravidar pelo método natural, sem necessitar de estimulação hormonal, assim como da fertilização in vitro, pois restaura a função ovariana e melhora os níveis dos hormônios. Há outras vantagens deste método, como menor chance de gestação gemelar, menor risco de abortamento e taxas de sucesso semelhantes ao uso das gonadotrofinas. Além disso, os custos da cirurgia, em comparação com outros métodos, como o uso de estimuladores ovarianos ou da fertilização in vitro, são menores.

Endometriose afeta relacionamentos afetivos e sexuais

Endometriose afeta relacionamentos afetivos e sexuais

Uma vida sexual ativa e satisfatória é um importante aspecto da qualidade de vida. Porém, algumas patologias e condições de saúde afetam de forma considerável a função sexual, especialmente as doenças ginecológicas, como a endometriose. Um recente estudo multicêntrico conduzido pela Áustria e Alemanha, avaliou a função sexual de mulheres com endometriose usando dois questionários validados: o Índice de Função Sexual Feminina (FSFI) e a Escala de Distúrbio Sexual Feminino revisados (FSDS). A prevalência de disfunção sexual medida por essas ferramentas foi de 32% (FSFI) e de 78% (FSDS). A pesquisa mostrou ainda que quando a disfunção foi diagnosticada, a frequência sexual diminuiu e o medo do divórcio aumentou. Dispareunia é o principal problema Segundo, Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico e especialista em endometriose, a dor durante o ato sexual, chamada de dispareunia, é um dos principais fatores que prejudicam a vida sexual de mulheres com endometriose e está presente em mais da metade dos casos. “A dispareunia é um sintoma particularmente preocupante, porque normalmente ocorre em todas as relações sexuais. Outro ponto é que a endometriose é um fator de risco para desenvolver essa condição”. Um estudo publicado no Human Reproduction mostrou que a dispareunia foi reportada por 56% das mulheres; a dor pélvica crônica por 60% e a dismenorreia (cólica menstrual intensa) por 59%. O mesmo estudo demonstrou redução da qualidade de vida, assim como efeitos negativos na saúde física e mental do grupo estudado. “A endometriose é uma doença crônica, ou seja, ela não tem cura e requer tratamento para o resto da vida. Outro ponto é que atinge mulheres jovens, com vida sexual ativa e é muito importante que os especialistas olhem também para a sexualidade das pacientes no manejo da doença”, diz Dr. Edvaldo. Preocupação com Fertilidade Mas, não é só a dispareunia que leva a problemas sexuais. Como a doença ocorre durante o ciclo fértil, a preocupação com a fertilidade também é um fator que pode ter impactos negativos na conjugalidade. “A impossibilidade de engravidar diminui a autoestima e dá uma sensação de falha como mulher. Além disso, muitas vezes há pressões externas para conceber, que podem vir do parceiro ou da família. Isso reduz a satisfação com a vida sexual, gera problemas no relacionamento afetivo e aumenta o risco de desenvolver depressão e ansiedade, por exemplo”, comenta o médico. O efeito da endometriose no parceiro E não são só as mulheres que sofrem com os efeitos negativos da endometriose. Um estudo recente, publicado no Human Reproduction, confirmou que a endometriose afeta também o parceiro. Os resultados mostraram que mais da metade dos homens cujas parceiras têm endometriose relatam que o sexo é raro ou não existe. A pesquisa mostrou ainda que a endometriose atinge a vida sexual, a intimidade, o planejamento familiar, a vida profissional de ambos e a renda familiar. O estudo revelou também que homens cujas parceiras têm endometriose se sentem impotentes para ajudá-las, frustrados, preocupados e zangados. “Não há dúvidas que é preciso olhar com mais atenção a sexualidade das mulheres com endometriose. A dispareunia associada à doença pode gerar medo, insegurança, evitação e problemas no relacionamento afetivo, levando a outras disfunções sexuais. O diagnóstico e o tratamento são essenciais para controlar a dor, o que pode contribuir em vários aspectos, incluindo uma vida conjugal mais satisfatória”, conclui o médico.

É possível retirar um mioma e preservar o útero?

É possível retirar um mioma e preservar o útero?

O tratamento definitivo para os miomas, os tumores pélvicos sólidos benignos mais frequentes em mulheres em idade reprodutiva, é a retirada do útero (histerectomia). Porém, em mulheres jovens que desejam engravidar essa não é uma opção. Nestes casos, a cirurgia recomendada é a miomectomia. Geralmente, a cirurgia é indicada quando há presença de sintomas, rápido crescimento do mioma, distorção da cavidade uterina e oclusão tubária em mulheres que desejam engravidar. A miomectomia pode ser realizada por meio de diferentes técnicas cirúrgicas e a escolha do médico irá depender de uma série de fatores. Atualmente, a miomectomia pode ser realizada por meio de técnicas minimamente invasivas. Este tipo de cirurgia representa menos riscos, menor custo e recuperação mais rápida. Veja abaixo as principais técnicas minimamente invasivas que podem ser usadas para retirar os miomas preservando o útero: Miomectomia por videolaparoscopia: é uma técnica minimamente invasiva, feita por meio de pequenas incisões na parede abdominal com auxílio de uma câmera. Miomectomia por videohisteroscopia: é um procedimento cirúrgico realizado através da via vaginal, sem cortes. O cirurgião utiliza uma câmera e o histeroscópio (alça de corte) para analisar a cavidade uterina. Miomectomia robótica: podemos dizer que é a evolução da miomectomia laparoscópica. Representa o avanço mais significativo em cirurgia minimamente invasiva. Sentado em uma estação de trabalho, na sala do centro cirúrgico ao lado da paciente, o cirurgião opera com as mesmas incisões da videolaparoscopia e com uma visão em 3D de alta definição que proporciona melhor capacidade de identificação dos tecidos, dos vasos sanguíneos e dos nervos durante a cirurgia. A cirurgia robótica tem a sua indicação para os casos mais complexos ou mais delicados que necessitam de alto detalhamento e precisão. Gravidez pós-miomectomia É importante ressaltar que nem todas as mulheres conseguirão engravidar depois da retirada dos miomas. Em geral, as taxas de gestação pós-cirurgia variam de 40% a 50%. Alguns fatores podem interferir na probabilidade de engravidar, como idade, duração e causas da infertilidade. Segundo um estudo publicado no Journal  of Obstetrics and Gynaecology após uma miomectomia, 1 em cada 4 mulheres consegue conceber, independente da técnica cirúrgica empregada.

Endometriomas estão relacionados a estágio avançado da endometriose

Endometriomas estão relacionados a estágio avançado da endometriose

A endometriose, doença caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, pode atingir os ovários. Quando isso acontece formam-se os chamados endometriomas, também conhecidos como cistos de chocolate, designados assim devido ao seu conteúdo espesso e escuro. Estima-se que de 17 a 44% das mulheres com endometriose apresentam o endometrioma. Os ovários, juntamente com o fundo de saco de Douglas (espaço anatômico localizado entre o útero e reto nas mulheres), são as localizações mais comuns da endometriose. De todos os cistos ovarianos que necessitam de cirurgia, os endometriomas representam 35% e estão associados a um estágio avançado da endometriose. Como surge o endometrioma Segundo o ginecologista, obstetra e cirurgião ginecológico, Dr. Edvaldo Cavalcante, o endometrioma começa a se formar com o implante de pequenas células do endométrio na superfície do ovário. “Com o passar do tempo, essas células podem crescer e se transformar em um endometrioma. Estes cistos são formados por tecido denso, com conteúdo escuro e espesso. Dificilmente se rompem ou são absorvidos pelo organismo”, explica. Sintomas dependem do tamanho “ O endometrioma é uma causa muito comum de dor pélvica, porém cistos menores que 3 cm dificilmente causam sintomas. Em geral, dispareunia (dor na relação sexual), dismenorreia (cólica menstrual), dor mais intensa durante a ovulação e subfertilidade são sintomas associados ao endometrioma”, explica Dr. Edvaldo. Endometrioma pode levar à subfertilidade Segundo Dr. Edvaldo, o endometrioma pode levar à subfertilidade, ou seja, ao tipo de infertilidade que pode ser reversível e permitir a concepção natural. “Estudos sugerem que os mecanismos da subfertilidade associados ao endometrioma têm ligação com as mudanças na foliculogênese (formação dos folículos ovarianos); insuficiência luteínica e luteinização (formação do corpo lúteo) sem a ruptura folicular”. “Outra questão importante é que a região em torno do endometrioma é menos vascularizada, o que a deixa mais sujeita ao estresse oxidativo, o que parece afetar os folículos ovarianos. Por fim, a endometriose também impacta na qualidade dos ovócitos, as células sexuais que dão origem aos óvulos”, explica o médico. Ultrassom transvaginal pode detectar endometrioma Muitas vezes, o endometrioma pode ser evidente ao exame físico quando o médico encontra uma massa palpável, quase sempre acompanhada de outros sintomas sugestivos de endometriose. Para confirmar a suspeita, é solicitado um ultrassom transvaginal que tem altas taxas de sensibilidade e especificidade para diagnosticar um endometrioma, além de ser um método não invasivo e de custo acessível. Tratamento: alívio da dor é principal objetivo O alívio da dor é um dos principais objetivos do tratamento do endometrioma. Além disso, é feito também para prevenir complicações, como torção ou rotura, assim como para excluir malignidade, para melhorar a subfertilidade e para preservar a função ovariana. “Nas pacientes assintomáticas e com endometriomas menores que 3 cm, a conduta é conservadora, feita com acompanhamento clínico e com medicamentos, se necessário. Porém, a retirada cirúrgica do endometrioma é a abordagem mais eficaz para atingir os objetivos terapêuticos”, explica Dr. Edvaldo. Entretanto, o especialista ressalta que a recorrência do endometrioma após a cirurgia pode ser de 6 a 30% em 1-5 anos. Muito ainda se discute sobre as causas de recidiva e fatores predisponentes, os quais ainda permanecem incertos.  O estágio da endometriose e a idade da mulher no momento da cirurgia – quanto mais avançada a doença e mais jovem a paciente, maior o risco de recidiva. A supressão da menstruação com hormônios (amenorreia – não menstruar) após a cirurgia  e técnica cirúrgica diferenciada podem diminuir a taxa de  recidiva. “É importante que a cirurgia seja feita por um médico especializado, pois é preciso evitar ao máximo agredir o tecido ovariano para não comprometer seu funcionamento. Devemos lembrar ainda que o endometrioma pode ser apenas a ponta do iceberg, ou seja, pode ser a parte visível da patologia, pois durante a cirurgia podemos nos deparar com um estágio mais avançado da doença do que o esperado. Por isso, é preciso realizar uma avaliação mais detalhada previamente à cirurgia, para melhor planejamento do procedimento cirúrgico”, conclui o médico.

Por que o diagnóstico da endometriose é tão difícil?

Por que o diagnóstico da endometriose é tão difícil?

O diagnóstico pode ser um desafio para as mulheres que sofrem com a endometriose, doença crônica e incurável, que se caracteriza pela presença de tecido endometrial (semelhante ao que reveste a cavidade uterina) fora do útero. A estimativa, de acordo com diversos estudos, é que a confirmação do diagnóstico pode levar em média, oito anos para acontecer. Segundo Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico e especialista em endometriose, a mulher costuma percorrer um longo caminho até descobrir a doença, principalmente quando não há sintomas aparentes. Nas pacientes sintomáticas, esse atraso aumenta o sofrimento físico e impacta diretamente na redução da qualidade de vida, com prejuízos na carreira, estudos e relacionamentos. Quando desconfiar da endometriose? “A dor pélvica é o principal sintoma da endometriose. Ela pode se manifestar de diversas maneiras, como a dismenorreia (cólica menstrual), dor pélvica crônica (ou acíclica), dispareunia de profundidade (dor durante a relação), alterações intestinais cíclicas (dor à evacuação, sangramento nas fezes, aumento do trânsito intestinal durante o período menstrual), alterações urinárias cíclicas (ardor, perda de sangue na urina, aumento da frequência acompanhando o fluxo menstrual) e infertilidade”, explica Dr. Edvaldo. O que pode atrasar o diagnóstico? Há alguns fatores que podem atrasar o diagnóstico. O primeiro deles é que em muitos casos as mulheres não levam suas queixas ao médico por considerarem a cólica menstrual um sintoma normal. Acabam se automedicando com analgésicos e, em muitos casos, evitam atividades sociais durante as crises. “Por muito tempo as mulheres, e por que não dizer que alguns médicos, também acreditavam que cólica e dores na relação eram sintomas normais durante toda a sua vida. Mas, hoje sabemos que esses sintomas podem ser o primeiro sinal da endometriose e, por isso, qualquer queixa clínica deve ser valorizada”, afirma o médico. Como chegar ao diagnóstico Após a suspeita clínica da endometriose, o médico irá iniciar a investigação com exames de imagem específicos, como o ultrassom pélvico transvaginal com preparo intestinal e/ou  ressonância magnética  com  preparo intestinal. Entretanto, esses exames são outros fatores que podem contribuir para o atraso no diagnóstico. “Esses exames devem ser realizados por médicos especializados e preparados para a intepretação das imagens que mapeiam a endometriose. Infelizmente, há escassez de médicos capacitados nos laboratórios e centros médicos brasileiros”, diz Dr. Edvaldo. Diagnóstico definitivo é sempre cirúrgico? Por muito tempo, as mulheres que tinham a suspeita clínica de endometriose eram submetidas à cirurgia por videolaparoscopia para confirmação diagnóstica e este era o único método definitivo para confirmação da doença. Entretanto, segundo Dr. Edvaldo, graças ao avanço do diagnóstico por imagem (ultrassom e ressonância magnética) e à experiência dos médicos especializados em endometriose, após a suspeita clínica, exames físico e por imagem, o diagnóstico da endometriose é firmado na grande maioria dos casos. “A videolaparoscopia diagnóstica ficou reservada para um seleto grupo de pacientes. Atualmente, conseguimos diagnosticar, mapear e individualizar o melhor tratamento da endometriose, que pode ser clínico ou cirúrgico”, comenta o médico. Como mensagem final, Dr. Edvaldo reforça a importância da valorização das queixas de cólicas menstruais, principalmente em mulheres jovens, pois a doença pode ter início precoce, e nessa fase o principal sintoma será a cólica menstrual intensa. “Quando a dor for intensa e exigir repouso ou afastamento das atividades rotineiras, é preciso prestar atenção. Cólica menstrual não deve ser algo incapacitante, se for, o médico deve valorizar a queixa e investigá-la”, conclui.

Mioma pode afetar a fertilidade da mulher?

Mioma pode afetar a fertilidade da mulher?

Miomas ou leiomiomas uterinos são os tumores pélvicos sólidos benignos mais frequentes em mulheres em idade reprodutiva. O mioma surge quando há um desenvolvimento anormal das células do tecido muscular do útero que leva à formação de massa sólida e recebe esse nome porque se desenvolve no miométrio, a camada média da parede uterina. Segundo Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico, a maioria das mulheres não apresenta sintomas e acaba descobrindo o mioma nos exames preventivos. “A presença dos sintomas depende de alguns fatores, como localização, quantidade, tamanho e alterações na anatomia pélvica causadas pelo tumor”, explica. Um estudo global (1), publicado recentemente nos Estados Unidos, mostrou que a prevalência do mioma é muito variável, de 4,5% a 68,8%, pois depende da população estudada e do método de diagnóstico. No Brasil, segundo estudo realizado em 2013, a prevalência em mulheres brasileiras é de 23% (2). O mioma causa sintomas severos em apenas 25% das mulheres (1). Sintomas podem passar despercebidos “A hemorragia uterina é o sintoma mais frequente, seguido do desconforto e de dores na região pélvica. A anemia causada por falta de ferro (ferropriva) também é muito frequente nas mulheres que apresentam hemorragias devido à presença de mioma. Muitas pacientes também podem ainda ter cólicas menstruais mais intensas e dores durante a relação sexual (dispareunia), assim como uma necessidade maior de urinar”, diz Dr. Edvaldo. Causa exata permanece desconhecida A etiologia, ou seja, porque o mioma se forma ainda é um mistério para a medicina. Mas, o que se sabe é que o mioma é sensível à ação do estrogênio e da progesterona, portanto estes hormônios têm influência em seu desenvolvimento. “Na menopausa é comum o mioma diminuir ou até mesmo desaparecer, pois há queda da produção destes hormônios. Segundo estatísticas, na gravidez pode ocorrer tanto aumento, diminuição como nenhuma alteração”, explica Dr. Edvaldo. Fatores de Risco Casos de família: o histórico familiar de mioma (mãe ou irmãs) aumenta o risco de 4 a 5 vezes; Idade: A idade é outro fator importante, já que a incidência é maior entre mulheres com idades entre 40 e 50 anos. Menstruação precoce: Quando a mulher menstrua cedo, isso aumenta o número de divisões celulares no miométrio o que eleva a probabilidade de mutações genéticas responsáveis pela proliferação miometrial. Etnia: Mulheres afrodescendentes apresentam risco aumentado de 2 a 3 vezes. Como tratar? A retirada do útero é o único tratamento definitivo para o mioma. Porém, este tipo de cirurgia é usado como último recurso de manejo do mioma. Além disso, ele não é uma opção para as mulheres que desejam engravidar. “Há medicamentos que são usados para impedir o crescimento ou reduzir o tamanho do mioma, porém como causam efeitos colaterais há restrição do tempo que podem ser utilizados. Além disso, o mioma pode voltar a crescer quando a medicação é suspensa. O uso de anticoncepcionais, por exemplo, também não é uma escolha para as mulheres que querem ter filhos”, explica Dr. Edvaldo. Quando o mioma afeta a fertilidade da mulher? Segundo Dr. Edvaldo, dependendo da sua localização no útero, os miomas podem ser responsáveis pela infertilidade. “Miomas na cavidade uterina (submucosos) podem dificultar a fixação do embrião (nidação), proporcionar abortamento, parto prematuro ou até mesmo obstrução das tubas uterinas. Mesmos os miomas na parede do útero (intramural), quando muito grandes ou muito numerosos podem distorcer a cavidade uterina e também dificultar o desenvolvimento da gestação”, Para quem deseja ter filhos, a miomectomia é a cirurgia de escolha, pois preserva o útero e restabelece a anatomia funcional uterina. “Temos que lembrar que o mioma é uma doença que nasce e cresce benigna e que é possível sim engravidar após a cirurgia. Cabe também ressaltar que nem todo mioma tem indicação cirúrgica. Em muitos casos orientamos a engravidar com os miomas e apenas acompanhamos a sua evolução durante a gestação”, finaliza Dr. Edvaldo. Referências: (1) Epidemioly of Uterine Fibroids:  systematic review https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28296146 (2) http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2013000200301  

É possível reverter a laqueadura e engravidar naturalmente?

É possível reverter a laqueadura e engravidar naturalmente?

Com a nova tendência da sociedade moderna em constituir novos relacionamentos após separação matrimonial, não é raro se deparar com mulheres que se arrependem de ter escolhido a laqueadura tubária como método para evitar uma nova gestação. Estima-se que a taxa de incidência global de arrependimento pós-laqueadura seja de 3 a 8% 1. No Brasil a proporção de mulheres arrependidas é de 10%. De acordo com a revisão de alguns estudos sobre esterilização feminina, quanto maior o tempo de esterilização, maior a taxa de arrependimento, principalmente em mulheres muito jovens que optam pela laqueadura antes dos 25 anos de idade, Outros fatores importantes para se arrepender da laqueadura são a melhora das condições socioeconômicas, que permitiriam ter uma nova gestação, ou ainda a perda de um filho. Restauração da Fertilidade Um dos tratamentos disponíveis para reverter a laqueadura é a reanastomose das tubas uterinas. Segundo Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico, graças ao desenvolvimento de novas técnicas de microcirurgia, hoje a reversão da laqueadura pode ser realizada por videolaparoscopia/cirurgia robótica ou ainda por via tradicional (laparotomia) com a utilização da microscopia eletrônica. “A reversão da laqueadura é uma opção para as mulheres que querem engravidar naturalmente, sem recorrer à fertilização in vitro, por exemplo,” explica o médico. Taxa de sucesso são melhores em mulheres mais jovens Algumas mulheres acreditam poder reverter a laqueadura facilmente, mas na realidade não é bem assim, pois o sucesso da reversão depende das condições que se encontra essa tuba pós laqueadura. A idade da mulher é outro fator importante: mulheres abaixo dos 35 anos de idade apresentam maior taxa de sucesso. Globalmente, a taxa de gravidez pode variar de 57% a 84%, em média, e a gravidez pode ocorrer em até 18 meses após a cirurgia. Outro ponto importante a ser discutido com o médico é a chance de uma gravidez ectópica, que é ligeiramente maior depois da reversão da laqueadura, de 2 a 7%. Como é feita a cirurgia A reanastomose tubária é considerada uma microcirurgia, já que as tubas uterinas medem, em média, de 3 a 5 mm. “A técnica utilizada pode ser por videolaparoscopia ou cirurgia robótica, cirurgias consideradas minimamente invasivas ou ainda por via tradicional – laparotomia – com a utilização da microscopia eletrônica”, explica Dr. Edvaldo. Após o período de recuperação, a mulher é submetida a um exame chamado de histerossalpingografia para avaliar a permeabilidade das tubas uterinas. Em cerca de 60 dias, o casal já pode começar as tentativas para engravidar.   http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0300060517709815?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori%3Arid%3Acrossref.org&rfr_dat=cr_pub%3Dpubmed&  

5 Perguntas e Respostas sobre a Cirurgia de Endometriose

5 Perguntas e Respostas sobre a Cirurgia de Endometriose

A endometriose se caracteriza pela presença de tecido endometrial (semelhante ao que reveste a cavidade uterina) fora do útero. Em geral, o tecido é encontrado na cavidade pélvica: no peritônio, ovários, tubas uterinas, ligamentos útero-sacros,  vagina, intestino e  bexiga. Embora seja raro, o tecido pode ser encontrado em outras partes do organismo como: nervos, pulmão e diafragma. Os estudos apontam uma prevalência de 10-15% das mulheres em idade fértil. Estima-se que  25% a 40% das mulheres com subfertilidade  apresentam endometriose, sendo uma das principais causas de infertilidade feminina.  A precisa patogênese (modo de desenvolvimento) da endometriose permanece obscura, mas é evidente que a endometriose surge da disseminação do endométrio para sítios ectópicos (fora do útero). Esses sítios ectópicos dão origem aos sintomas associado à doença. Entretanto, outros fatores são considerados importantes no desenvolvimento da endometriose, como a genética, os hormônios e o ambiente. “Os casos de endometriose hoje parecem ser mais prevalentes e esse aumento está ligado ao estilo de vida moderno. Hoje as mulheres têm filhos cada vez mais tarde e muitas optam por um único filho. Isso leva a um maior número de menstruações ao longo da vida. Além disso, o estresse, a obesidade e o sedentarismo também influenciam no funcionamento do sistema ginecológico”, explica Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico, especialista em cirurgia minimamente invasiva e no tratamento de endometriose. Veja agora as 5 principais dúvidas relacionadas à cirurgia de endometriose: Quando a cirurgia é indicada? A cirurgia para tratamento da endometriose é basicamente indicada em duas situações: na presença de dor crônica e/ou infertilidade. A técnica de escolha é a videolaparoscopia e/ou cirurgia robótica. A cirurgia proporciona melhora da qualidade de vida e restauração da fertilidade. É possível engravidar depois de tratar a endometriose? Muitas mulheres conseguem engravidar espontaneamente na presença de endometriose. Os tratamentos clínicos para a endometriose, com utilização de hormônios e anticoncepcionais que inibem a ovulação, não são indicados para tratar a infertilidade.  Descartadas outras causas para a infertilidade, a cirurgia proporciona maior probabilidade de alcançar gestação espontânea. Por que a cirurgia é útil para restaurar a fertilidade da mulher? A endometriose é uma doença que tem como característica muito comum à formação de aderências entre os órgãos da pelve, consequentemente levando ao total desarranjo da anatomia. A cirurgia por videolaparoscopia tem como princípio básico a retirada das aderências e a retirada das lesões de endometriose, restaurando a anatomia da pelve. Com o retorno da anatomia funcional da pelve e com a retirada das lesões da endometriose, que proporciona diminuição da produção de substâncias pró-inflamatórias, a mulher pode ter sua fertilidade restaurada e optar em engravidar naturalmente, sem a necessidade de recorrer à reprodução assistida. A cirurgia cura a endometriose? Infelizmente não. A endometriose é uma doença crônica que pode ser controlada com a cirurgia e com tratamento medicamentoso. Mesmo assim, estima-se uma taxa de recidiva de 20 % em 2 anos e de 50 % em 5 anos após o tratamento cirúrgico. Como é feita a videolaparoscopia? É uma cirurgia minimamente invasiva, feita por meio de pequenos cortes na altura do umbigo e em baixo ventre, mas isso vai depender da localização dos focos das lesões da endometriose. A anestesia usada é geral. A paciente fica internada de 24 a 48 horas e a recuperação total se dá em torno de 15 dias após o procedimento.

Tuba uterina obstruída é uma das principais causas de infertilidade

Tuba uterina obstruída é uma das principais causas de infertilidade

O sistema reprodutor feminino é incrível. São diversos órgãos e células trabalhando juntos para que se possa conceber uma vida. Porém, alguns problemas ginecológicos podem dificultar ou até mesmo impossibilitar a gravidez. Uma das causas mais comuns de infertilidade está relacionada à obstrução das tubas uterinas. Quando elas estão obstruídas, impedem o encontro do óvulo com o espermatozoide, inviabilizando a gravidez. Quais são as causas? De acordo com o cirurgião ginecológico Dr. Edvaldo Cavalcante, patologias tubárias são responsáveis por 25-30% das causas de infertilidade feminina e 10-25% desses casos apresentam obstrução na região da tuba próxima ao útero. Diversos motivos podem levar à obstrução das tubas uterinas, entre eles estão à doença inflamatória pélvica, cirurgia pélvica ou tubária, aderências, endometriose, salpingite ístmica nodosa e tuberculose genital. Principais sintomas e diagnóstico Muitas mulheres que não conseguem engravidar nunca irão imaginar que a obstrução das tubas uterinas seja o motivo, já que dificilmente há sintomas associados a essa condição. “Por isso, quando há o diagnóstico de infertilidade é preciso investigar as tubas uterinas através do exame denominado histerossalpingografia”, diz Dr. Edvaldo. Recanalização tubária é o principal tratamento A boa notícia é que a maioria dos casos de tubas obstruídas pode ser tratada, oferecendo à mulher a chance de engravidar pelo método natural de concepção. “Ao longo dos anos, as técnicas cirúrgicas foram se aprimorando e hoje graças à radiologia intervencionista é possível realizar a recanalização tubária por meio da Radioscopia ou ainda pela Histeroscopia. Esse procedimento apresenta melhor resultado e menos riscos em comparação com outras cirurgias para desbloqueio das tubas. Ela é indicada quando a histerossalpingografia mostra que a obstrução está próxima da saída do útero”, comenta o médico. A Recanalização Tubária é feita por meio da radioscopia, em ambiente hospitalar com anestesia, sem a necessidade de qualquer incisão abdominal. Através da vagina, o médico insere um pequeno tubo (cateter) para dentro da cavidade uterina. Por dentro deste cateter, insere-se um fio flexível (fio guia) com espessura aproximada de 1mm de diâmetro que chegará até as tubas uterinas, alcançando o ponto em que há o bloqueio. O segmento ocluído é suavemente manipulado através deste fio flexível e o bloqueio é removido. Também, é feita uma rápida injeção de contraste que ajuda a eliminar ou expulsar qualquer detrito, se presente; além de contrastar toda a tuba para comprovar a desobstrução. O cirurgião explica que as chances de sucesso dependem do tipo de obstrução que a paciente apresenta. Nos casos em que a obstrução se encontra logo próximo da saída do útero, a recanalização é bem sucedida em cerca de 90% das pacientes. Em alguns casos o tratamento deve ser realizado em conjunto com a videolaparoscopia.