O quanto você conhece seu muco cervical?

O quanto você conhece seu muco cervical?

Enquanto os meninos são criados para ter orgulho de seus corpos, mais especificamente de suas partes íntimas, a educação das meninas ainda é um pouco mais repressora no que diz respeito a conhecer o próprio corpo, mais especificamente a vagina. São poucas as mulheres que têm o costume de pegar um espelho para analisar o que anda acontecendo por lá. Para aquelas que desejam engravidar, porém, isso pode ser fundamental para conhecer as características do muco cervical, substância produzida pelas glândulas do colo uterino a partir da secreção de hormônios em diferentes fases do ciclo menstrual. Segundo o ginecologista, Dr. Edvaldo Cavalcante, observar o muco cervical é um método sem custo e personalizado para predizer a ovulação. “O pico da ovulação pode variar de forma considerável, mesmo em mulheres com ciclos regulares. Por isso, entender as características do muco ao longo do ciclo é muito importante para perceber o momento da ovulação”. Um estudo mostrou que mulheres que conseguem monitorar seus ciclos e perceber mudanças no muco cervical, na libido ou no humor têm 50% de chance a mais de prever quando estão ovulando. Variação do muco prediz o pico ovulatório As características do muco cervical variam de acordo com a fase do ciclo. A probabilidade de engravidar é maior quando o muco está claro e elástico. E quais são os outros tipos de muco? “O muco pode se apresentar em diferentes formas, como seco, ligeiramente úmido, viscoso e pegajoso e, finalmente, transparente e elástico, sendo este é o que mais aumenta a chance de engravidar quando se tem relações sexuais”, explica o médico. Para se ter uma ideia, a elasticidade pode atingir até 10 cm e fica parecido com a clara do ovo. Portanto, ficar de olho na característica do muco cervical é uma excelente maneira de entender o funcionamento do próprio corpo. “Em geral, o período fértil se inicia do primeiro dia em que o muco de torna mais claro e elástico, com intensa lubrificação, prolongando-se pelo menos por três dias. A janela da fertilidade ocorre num intervalo de, no máximo, seis dias, sendo esses três os mais importantes para a concepção”, comenta Dr. Edvaldo. Um estudo retrospectivo mostrou que a taxa de gravidez é aproximadamente 38% maior quando a relação sexual ocorre no primeiro dia do pico do muco transparente e elástico e 15 a 20% menor quando acontece no dia anterior ou posterior. Se você ainda não está convencida sobre a importância do muco cervical, um outro estudo mostrou que as mudanças do muco cervical ao logo do ciclo fértil conseguem predizer o dia específico para a concepção, tão bem quanto a temperatura basal ou o monitoramento do hormônio LH (hormônio luteinizante). 4 fatos sobre o muco cervical que você precisa saber Facilita o transporte do espermatozoide até o óvulo no período da ovulação, além de aumentar a lubrificação vaginal. É produzido o tempo todo, mas muda de textura nas fases do ciclo menstrual devido a ação dos hormônios. O muco cervical é um fator ligado à fertilidade, pois sua ausência pode indicar que a mulher não está ovulando. Não é corrimento! A mulher não precisa usar absorventes, assim como não é sinal de doenças ginecológicas. Mas, se mudar de cor, cheiro e estiver associado a outros sintomas, como dor e coceira é preciso investigar. Como aprender a identificar as características do muco? Existem algumas maneiras de aprender a identificar as características do muco cervical. No Brasil, o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante atua em uma metodologia nova para ensinamento e observação do muco cervical para auxiliar no tratamento da infertilidade, assim como para resgatar a fertilidade natural.

Como a vida moderna afeta a fertilidade

Como a vida moderna afeta a fertilidade

Os hábitos e comportamentos da vida moderna podem minar o sonho da maternidade. Muitas mulheres desconhecem que o estilo de vida atual pode trazer sérias consequências para a saúde do sistema reprodutor. Por isso, com a ajuda do médico ginecologista, obstetra e cirurgião ginecológico, Dr. Edvaldo Cavalcante, fizemos uma lista com os 4 principais fatores de risco para a fertilidade feminina. Estresse: Um estudo feito pela Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, mostrou que mulheres com altos níveis da enzima alfa-amilase (indicador biológico do estresse) têm 29% a menos de chance de engravidar a cada mês quando comparadas a mulheres com baixas taxas da substância. Além disso, as mais estressadas estão duas vezes mais perto de terem o diagnóstico de infertilidade (um ano de tentativas sem sucesso para engravidar) do que as menos estressadas. Obesidade e dieta rica em gordura: Um estudo recente mostrou que tanto a obesidade, quanto a ingestão excessiva de gordura, levam ao descontrole do ciclo ovulatório. Esses dois fatores podem alterar a função reprodutiva feminina e a presença de gordura no nas células reprodutivas podem prejudicar a qualidade dos óvulos. Sexo sem proteção: Uma pesquisa feita pela Gentis Panel, no final de 2016, revelou que 51% dos brasileiros sexualmente ativos não usam preservativo, o que aumenta significativamente o risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis, que podem afetar a fertilidade feminina. Estima-se que 70% das infecções genitais causadas por Clamídia, Gonococo, Mycroplasma  e Ureroplasma (agentes responsáveis pela Moléstia inflamatória pélvica – MIPA)  são assintomáticos. Essa infecção pode levar à obstrução das tubas uterinas e  abcessos tubovarianos.Quando não tratada, a MIPA pode levar à infertilidade em 20% dos casos e em 50% das mulheres que apresentam três ou mais episódios de infecção. Vale lembrar que também há aumento do risco de gravidez ectópica. Importante frisar que ter relação sem preservativo com múltiplos parceiros são fatores de risco para contrair DST. Adiar a gravidez: A maternidade tardia já é uma realidade no mundo moderno. Mas, a fertilidade feminina diminui naturalmente na medida em que a idade aumenta. A partir dos 35 anos, há diminuição da reserva de óvulos, assim como queda da qualidade dos mesmos e maiores riscos de alterações cromossômicas, má formação fetal e aborto espontâneo. Cuide da sua fertilidade natural Felizmente, estes fatores de risco para a infertilidade podem ser prevenidos. “A mulher que deseja ser mãe precisa adotar hábitos saudáveis desde o início da sua vida fértil, mesmo que a maternidade seja tardia. Quanto mais saudável ela estiver, maiores as chances de engravidar naturalmente”, explica Dr. Edvaldo. “Adotar uma alimentação saudável, manter o peso, praticar atividade física, não fumar, beber com moderação, assim como realizar os exames preventivos periódicos e gerenciar o estresse são atitudes fundamentais. Além disso, é preciso praticar o sexo seguro, sempre com preservativo e ficar atenta ao número de parceiros sexuais”, finaliza o médico.

Mioma pode afetar a fertilidade da mulher?

Mioma pode afetar a fertilidade da mulher?

Miomas ou leiomiomas uterinos são os tumores pélvicos sólidos benignos mais frequentes em mulheres em idade reprodutiva. O mioma surge quando há um desenvolvimento anormal das células do tecido muscular do útero que leva à formação de massa sólida e recebe esse nome porque se desenvolve no miométrio, a camada média da parede uterina. Segundo Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico, a maioria das mulheres não apresenta sintomas e acaba descobrindo o mioma nos exames preventivos. “A presença dos sintomas depende de alguns fatores, como localização, quantidade, tamanho e alterações na anatomia pélvica causadas pelo tumor”, explica. Um estudo global (1), publicado recentemente nos Estados Unidos, mostrou que a prevalência do mioma é muito variável, de 4,5% a 68,8%, pois depende da população estudada e do método de diagnóstico. No Brasil, segundo estudo realizado em 2013, a prevalência em mulheres brasileiras é de 23% (2). O mioma causa sintomas severos em apenas 25% das mulheres (1). Sintomas podem passar despercebidos “A hemorragia uterina é o sintoma mais frequente, seguido do desconforto e de dores na região pélvica. A anemia causada por falta de ferro (ferropriva) também é muito frequente nas mulheres que apresentam hemorragias devido à presença de mioma. Muitas pacientes também podem ainda ter cólicas menstruais mais intensas e dores durante a relação sexual (dispareunia), assim como uma necessidade maior de urinar”, diz Dr. Edvaldo. Causa exata permanece desconhecida A etiologia, ou seja, porque o mioma se forma ainda é um mistério para a medicina. Mas, o que se sabe é que o mioma é sensível à ação do estrogênio e da progesterona, portanto estes hormônios têm influência em seu desenvolvimento. “Na menopausa é comum o mioma diminuir ou até mesmo desaparecer, pois há queda da produção destes hormônios. Segundo estatísticas, na gravidez pode ocorrer tanto aumento, diminuição como nenhuma alteração”, explica Dr. Edvaldo. Fatores de Risco Casos de família: o histórico familiar de mioma (mãe ou irmãs) aumenta o risco de 4 a 5 vezes; Idade: A idade é outro fator importante, já que a incidência é maior entre mulheres com idades entre 40 e 50 anos. Menstruação precoce: Quando a mulher menstrua cedo, isso aumenta o número de divisões celulares no miométrio o que eleva a probabilidade de mutações genéticas responsáveis pela proliferação miometrial. Etnia: Mulheres afrodescendentes apresentam risco aumentado de 2 a 3 vezes. Como tratar? A retirada do útero é o único tratamento definitivo para o mioma. Porém, este tipo de cirurgia é usado como último recurso de manejo do mioma. Além disso, ele não é uma opção para as mulheres que desejam engravidar. “Há medicamentos que são usados para impedir o crescimento ou reduzir o tamanho do mioma, porém como causam efeitos colaterais há restrição do tempo que podem ser utilizados. Além disso, o mioma pode voltar a crescer quando a medicação é suspensa. O uso de anticoncepcionais, por exemplo, também não é uma escolha para as mulheres que querem ter filhos”, explica Dr. Edvaldo. Quando o mioma afeta a fertilidade da mulher? Segundo Dr. Edvaldo, dependendo da sua localização no útero, os miomas podem ser responsáveis pela infertilidade. “Miomas na cavidade uterina (submucosos) podem dificultar a fixação do embrião (nidação), proporcionar abortamento, parto prematuro ou até mesmo obstrução das tubas uterinas. Mesmos os miomas na parede do útero (intramural), quando muito grandes ou muito numerosos podem distorcer a cavidade uterina e também dificultar o desenvolvimento da gestação”, Para quem deseja ter filhos, a miomectomia é a cirurgia de escolha, pois preserva o útero e restabelece a anatomia funcional uterina. “Temos que lembrar que o mioma é uma doença que nasce e cresce benigna e que é possível sim engravidar após a cirurgia. Cabe também ressaltar que nem todo mioma tem indicação cirúrgica. Em muitos casos orientamos a engravidar com os miomas e apenas acompanhamos a sua evolução durante a gestação”, finaliza Dr. Edvaldo. Referências: (1) Epidemioly of Uterine Fibroids:  systematic review https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28296146 (2) http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2013000200301  

É possível reverter a laqueadura e engravidar naturalmente?

É possível reverter a laqueadura e engravidar naturalmente?

Com a nova tendência da sociedade moderna em constituir novos relacionamentos após separação matrimonial, não é raro se deparar com mulheres que se arrependem de ter escolhido a laqueadura tubária como método para evitar uma nova gestação. Estima-se que a taxa de incidência global de arrependimento pós-laqueadura seja de 3 a 8% 1. No Brasil a proporção de mulheres arrependidas é de 10%. De acordo com a revisão de alguns estudos sobre esterilização feminina, quanto maior o tempo de esterilização, maior a taxa de arrependimento, principalmente em mulheres muito jovens que optam pela laqueadura antes dos 25 anos de idade, Outros fatores importantes para se arrepender da laqueadura são a melhora das condições socioeconômicas, que permitiriam ter uma nova gestação, ou ainda a perda de um filho. Restauração da Fertilidade Um dos tratamentos disponíveis para reverter a laqueadura é a reanastomose das tubas uterinas. Segundo Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico, graças ao desenvolvimento de novas técnicas de microcirurgia, hoje a reversão da laqueadura pode ser realizada por videolaparoscopia/cirurgia robótica ou ainda por via tradicional (laparotomia) com a utilização da microscopia eletrônica. “A reversão da laqueadura é uma opção para as mulheres que querem engravidar naturalmente, sem recorrer à fertilização in vitro, por exemplo,” explica o médico. Taxa de sucesso são melhores em mulheres mais jovens Algumas mulheres acreditam poder reverter a laqueadura facilmente, mas na realidade não é bem assim, pois o sucesso da reversão depende das condições que se encontra essa tuba pós laqueadura. A idade da mulher é outro fator importante: mulheres abaixo dos 35 anos de idade apresentam maior taxa de sucesso. Globalmente, a taxa de gravidez pode variar de 57% a 84%, em média, e a gravidez pode ocorrer em até 18 meses após a cirurgia. Outro ponto importante a ser discutido com o médico é a chance de uma gravidez ectópica, que é ligeiramente maior depois da reversão da laqueadura, de 2 a 7%. Como é feita a cirurgia A reanastomose tubária é considerada uma microcirurgia, já que as tubas uterinas medem, em média, de 3 a 5 mm. “A técnica utilizada pode ser por videolaparoscopia ou cirurgia robótica, cirurgias consideradas minimamente invasivas ou ainda por via tradicional – laparotomia – com a utilização da microscopia eletrônica”, explica Dr. Edvaldo. Após o período de recuperação, a mulher é submetida a um exame chamado de histerossalpingografia para avaliar a permeabilidade das tubas uterinas. Em cerca de 60 dias, o casal já pode começar as tentativas para engravidar.   http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0300060517709815?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori%3Arid%3Acrossref.org&rfr_dat=cr_pub%3Dpubmed&  

Tuba uterina obstruída é uma das principais causas de infertilidade

Tuba uterina obstruída é uma das principais causas de infertilidade

O sistema reprodutor feminino é incrível. São diversos órgãos e células trabalhando juntos para que se possa conceber uma vida. Porém, alguns problemas ginecológicos podem dificultar ou até mesmo impossibilitar a gravidez. Uma das causas mais comuns de infertilidade está relacionada à obstrução das tubas uterinas. Quando elas estão obstruídas, impedem o encontro do óvulo com o espermatozoide, inviabilizando a gravidez. Quais são as causas? De acordo com o cirurgião ginecológico Dr. Edvaldo Cavalcante, patologias tubárias são responsáveis por 25-30% das causas de infertilidade feminina e 10-25% desses casos apresentam obstrução na região da tuba próxima ao útero. Diversos motivos podem levar à obstrução das tubas uterinas, entre eles estão à doença inflamatória pélvica, cirurgia pélvica ou tubária, aderências, endometriose, salpingite ístmica nodosa e tuberculose genital. Principais sintomas e diagnóstico Muitas mulheres que não conseguem engravidar nunca irão imaginar que a obstrução das tubas uterinas seja o motivo, já que dificilmente há sintomas associados a essa condição. “Por isso, quando há o diagnóstico de infertilidade é preciso investigar as tubas uterinas através do exame denominado histerossalpingografia”, diz Dr. Edvaldo. Recanalização tubária é o principal tratamento A boa notícia é que a maioria dos casos de tubas obstruídas pode ser tratada, oferecendo à mulher a chance de engravidar pelo método natural de concepção. “Ao longo dos anos, as técnicas cirúrgicas foram se aprimorando e hoje graças à radiologia intervencionista é possível realizar a recanalização tubária por meio da Radioscopia ou ainda pela Histeroscopia. Esse procedimento apresenta melhor resultado e menos riscos em comparação com outras cirurgias para desbloqueio das tubas. Ela é indicada quando a histerossalpingografia mostra que a obstrução está próxima da saída do útero”, comenta o médico. A Recanalização Tubária é feita por meio da radioscopia, em ambiente hospitalar com anestesia, sem a necessidade de qualquer incisão abdominal. Através da vagina, o médico insere um pequeno tubo (cateter) para dentro da cavidade uterina. Por dentro deste cateter, insere-se um fio flexível (fio guia) com espessura aproximada de 1mm de diâmetro que chegará até as tubas uterinas, alcançando o ponto em que há o bloqueio. O segmento ocluído é suavemente manipulado através deste fio flexível e o bloqueio é removido. Também, é feita uma rápida injeção de contraste que ajuda a eliminar ou expulsar qualquer detrito, se presente; além de contrastar toda a tuba para comprovar a desobstrução. O cirurgião explica que as chances de sucesso dependem do tipo de obstrução que a paciente apresenta. Nos casos em que a obstrução se encontra logo próximo da saída do útero, a recanalização é bem sucedida em cerca de 90% das pacientes. Em alguns casos o tratamento deve ser realizado em conjunto com a videolaparoscopia.