6 Possíveis Causas da Dor Pélvica Crônica

6 Possíveis Causas da Dor Pélvica Crônica

Ninguém gosta de sentir dor, muito menos quando a dor se torna crônica. Uma das dores crônicas mais comuns, principalmente entre as mulheres, é a dor pélvica (abaixo do umbigo), que pode estar ou não relacionada à parte ginecológica. Segundo a Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED), a prevalência é alta, mas varia de país para país. Estima-se que possa afetar entre 5.7% a 26.6% das mulheres em todo o mundo. A dor pélvica é classificada como crônica quando a duração dos sintomas é igual ou superior a seis meses. Este é apenas um dos critérios, que também envolve o comprometimento da qualidade de vida, alívio incompleto com tratamentos feitos, perda da função física e sinais de depressão. Segundo o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante, a dor jamais deve ser ignorada. “Sentir dor é um alerta do nosso corpo de que há algo que precisa ser investigado. Entretanto, muitas mulheres podem se sentir desmotivadas pela demora ou pela falta de um diagnóstico. Outras podem conviver com a dor sem buscar ajuda, por subestimarem os sintomas”. O que fazer? Procurar um médico. A investigação inicial pode ser realizada com o ginecologista. Esse profissional poderá estabelecer o diagnóstico e conduzir o tratamento.  Caso haja a necessidade do auxílio de outro especialista como gastroenterologista, urologista ou fisioterapeuta, por exemplo, o ginecologista fará o encaminhamento para complementação terapêutica. Causas ginecológicas Veja abaixo as principais causas ginecológicas relacionadas à dor pélvica crônica: Endometriose: A dor pélvica é o principal sintoma da endometriose. Ela pode se manifestar de diversas maneiras, como a dismenorreia (cólica menstrual), dor pélvica crônica (cíclica ou acíclica), dispareunia de profundidade (dor durante a relação), alterações intestinais cíclicas (dor à evacuação, sangramento nas fezes, aumento do trânsito intestinal durante o período menstrual), alterações urinárias cíclicas (ardor, perda de sangue na urina, aumento da frequência durante o período menstrual). Mioma: Depois do sangramento, a dor pélvica é o segundo sintoma mais frequente em mulheres que apresentam miomatose uterina. Adenomiose: A adenomiose ocorre quando o endométrio (tecido que reveste a parte interna do útero) invade a musculatura do útero (miométrio). Um dos sintomas é a dor pélvica, que piora no período menstrual. Varizes Pélvicas: Considerada uma das principais causas de dor pélvica crônica, porém pouco conhecida. A varizes pélvicas são causadas pela congestão ou obstrução das veias ao redor do útero. Apresenta maior prevalência em mulheres que tiveram mais de uma gestação. A mulher pode apresentar sensação de peso na região pélvica, principalmente após atividade física ou ao final do dia, dores durante ou após a relação sexual, ou ainda um quadro crônico de dor. Aderências: As aderências pélvicas são faixas de tecido cicatricial que podem se formar após cirurgias ou processos inflamatórios na região pélvica. Em casos mais avançados, essas aderências podem levar ao colamento dos órgãos e se manifestarem com dor pélvica crônica. Tumor anexial: São tumores localizados na região anexial, ou seja, na região onde se situam os ovários e as tubas uterinas. A maioria dos tumores anexiais é de origem ovariana, sendo na maior parte dos casos representados por cistos benignos. Esses tumores geralmente conduzem ao estado de dor e também pode levar ao quadro de dor pélvica crônica. Como vimos, a dor pélvica crônica tem diversas causas. Entretanto, o diagnóstico e o tratamento são fundamentais para melhorar a qualidade de vida das mulheres. Portanto, se você apresenta dor pélvica há mais de seis meses e não sabe a causa, procure um médico.

Mioma pode afetar a fertilidade da mulher?

Mioma pode afetar a fertilidade da mulher?

Miomas ou leiomiomas uterinos são os tumores pélvicos sólidos benignos mais frequentes em mulheres em idade reprodutiva. O mioma surge quando há um desenvolvimento anormal das células do tecido muscular do útero que leva à formação de massa sólida e recebe esse nome porque se desenvolve no miométrio, a camada média da parede uterina. Segundo Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico, a maioria das mulheres não apresenta sintomas e acaba descobrindo o mioma nos exames preventivos. “A presença dos sintomas depende de alguns fatores, como localização, quantidade, tamanho e alterações na anatomia pélvica causadas pelo tumor”, explica. Um estudo global (1), publicado recentemente nos Estados Unidos, mostrou que a prevalência do mioma é muito variável, de 4,5% a 68,8%, pois depende da população estudada e do método de diagnóstico. No Brasil, segundo estudo realizado em 2013, a prevalência em mulheres brasileiras é de 23% (2). O mioma causa sintomas severos em apenas 25% das mulheres (1). Sintomas podem passar despercebidos “A hemorragia uterina é o sintoma mais frequente, seguido do desconforto e de dores na região pélvica. A anemia causada por falta de ferro (ferropriva) também é muito frequente nas mulheres que apresentam hemorragias devido à presença de mioma. Muitas pacientes também podem ainda ter cólicas menstruais mais intensas e dores durante a relação sexual (dispareunia), assim como uma necessidade maior de urinar”, diz Dr. Edvaldo. Causa exata permanece desconhecida A etiologia, ou seja, porque o mioma se forma ainda é um mistério para a medicina. Mas, o que se sabe é que o mioma é sensível à ação do estrogênio e da progesterona, portanto estes hormônios têm influência em seu desenvolvimento. “Na menopausa é comum o mioma diminuir ou até mesmo desaparecer, pois há queda da produção destes hormônios. Segundo estatísticas, na gravidez pode ocorrer tanto aumento, diminuição como nenhuma alteração”, explica Dr. Edvaldo. Fatores de Risco Casos de família: o histórico familiar de mioma (mãe ou irmãs) aumenta o risco de 4 a 5 vezes; Idade: A idade é outro fator importante, já que a incidência é maior entre mulheres com idades entre 40 e 50 anos. Menstruação precoce: Quando a mulher menstrua cedo, isso aumenta o número de divisões celulares no miométrio o que eleva a probabilidade de mutações genéticas responsáveis pela proliferação miometrial. Etnia: Mulheres afrodescendentes apresentam risco aumentado de 2 a 3 vezes. Como tratar? A retirada do útero é o único tratamento definitivo para o mioma. Porém, este tipo de cirurgia é usado como último recurso de manejo do mioma. Além disso, ele não é uma opção para as mulheres que desejam engravidar. “Há medicamentos que são usados para impedir o crescimento ou reduzir o tamanho do mioma, porém como causam efeitos colaterais há restrição do tempo que podem ser utilizados. Além disso, o mioma pode voltar a crescer quando a medicação é suspensa. O uso de anticoncepcionais, por exemplo, também não é uma escolha para as mulheres que querem ter filhos”, explica Dr. Edvaldo. Quando o mioma afeta a fertilidade da mulher? Segundo Dr. Edvaldo, dependendo da sua localização no útero, os miomas podem ser responsáveis pela infertilidade. “Miomas na cavidade uterina (submucosos) podem dificultar a fixação do embrião (nidação), proporcionar abortamento, parto prematuro ou até mesmo obstrução das tubas uterinas. Mesmos os miomas na parede do útero (intramural), quando muito grandes ou muito numerosos podem distorcer a cavidade uterina e também dificultar o desenvolvimento da gestação”, Para quem deseja ter filhos, a miomectomia é a cirurgia de escolha, pois preserva o útero e restabelece a anatomia funcional uterina. “Temos que lembrar que o mioma é uma doença que nasce e cresce benigna e que é possível sim engravidar após a cirurgia. Cabe também ressaltar que nem todo mioma tem indicação cirúrgica. Em muitos casos orientamos a engravidar com os miomas e apenas acompanhamos a sua evolução durante a gestação”, finaliza Dr. Edvaldo. Referências: (1) Epidemioly of Uterine Fibroids:  systematic review https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28296146 (2) http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2013000200301