Confira na íntegra os resultados da pesquisa realizada pelo Dr. Edvaldo Cavalcante em parceria com o Gapendi

Confira na íntegra os resultados da pesquisa realizada pelo Dr. Edvaldo Cavalcante em parceria com o Gapendi

uDiante do cenário da Endometriose no Brasil, o cirurgião ginecológico, Dr. Edvaldo Cavalcante, fez uma parceria com o GAPENDI – Grupo de Ajuda a Portadoras de Endometriose e Infertilidade para realizar uma pesquisa de opinião junto às mulheres brasileiras, diagnosticadas com a doença Principais objetivos da pesquisa: Levantar o perfil das portadoras brasileiras Analisar o tempo do diagnóstico x profissionais envolvidos X cirurgias realizadas Investigar o impacto da endometriose na vida profissional, social e pessoal Avaliar e validar principais estigmas envolvidos na endometriose Avaliar como a doença afeta a qualidade de vida das portadoras A pesquisa  foi realizada por meio de um questionário online e foram ouvidas 3 mil mulheres com diagnóstico ou suspeita de  diagnóstico de endometriose. Confira a apresentação completa da pesquisa no link abaixo. Pesquisa Endometriose Edvaldo Gapendi

Autoestima é o aspecto mais afetado pela endometriose nas brasileiras, segundo pesquisa

Autoestima é o aspecto mais afetado pela endometriose nas brasileiras, segundo pesquisa

Saúde física e mental aparecem em segundo e terceiro lugares, respectivamente No dia 8 de maio é celebrado o Dia Nacional de Luta contra a Endometriose. A doença afeta cerca de 15% das mulheres em idade fértil e, apesar de ser uma patologia ginecológica, causa danos à saúde de maneira global. Segundo pesquisa realizada pelo cirurgião ginecológico, Dr. Edvaldo Cavalcante, em parceria com o Gapendi (Grupo de Apoio às Portadoras de Endometriose e Infertilidade), com 3 mil mulheres brasileiras portadoras de endometriose, a autoestima é o aspecto mais afetado pela doença nas mulheres brasileiras. No top 5 do ranking, aparecem autoestima, saúde física, saúde mental, vida sexual e vida financeira como as principais áreas da vida afetadas pela endometriose. Autoestima Segundo a coordenadora do Gapendi, Marília Gabriela, uma das explicações para as mulheres elegerem a autoestima como a área mais afetada é que o tratamento clínico é feito com hormônios que podem levar ao ganho de peso. “A endometriose também pode provocar inchaço abdominal, deixando a barriga mais saliente. Mesmo que a mulher tenha hábitos saudáveis, pode ser mais difícil perder e manter o peso devido a estes fatores”. A autoestima também é afetada de acordo com as cicatrizes deixadas pelas cirurgias. A pesquisa mostrou que 55% das entrevistas já realizaram pelo menos uma cirurgia e 26% duas cirurgias para tratar a doença. Não menos importante é o fato de que 55% das mulheres com endometriose apresentam infertilidade. “E nada mais impactante para uma mulher do que a impossibilidade de gerar uma vida quando este é o seu desejo”, diz Marília. Saúde física e mental A dor afeta 90% das mulheres entrevistadas, sendo o sintoma mais comum relatado pelas mulheres que sofrem com a endometriose. Além da dor pélvica, muitas pacientes apresentam comorbidades, como síndrome do intestino irritável, fadiga, infecção de urina, abortos de repetição, dores nas costas, dores nas pernas, etc. Quanto à saúde mental, cerca de 50% das mulheres entrevistadas foram diagnosticadas com ansiedade e 30% com depressão. O estresse também afeta mais da metade das mulheres com endometriose. Infelizmente, a maioria não tem apoio psicológico para lidar com a doença. Vida Sexual A dor durante o ato sexual, chamada de dispareunia, é um dos principais fatores que prejudicam a vida sexual de mulheres com endometriose e está presente em mais da metade dos casos. Outro ponto é que a endometriose é um fator de risco para desenvolver essa condição. Vida Financeira A pesquisa revelou que 50% das brasileiras com endometriose se ausenta do trabalho de uma a três vezes por mês, cerca de 23% das entrevistadas já ficaram afastadas por mais de 15 dias e 14% revelaram já terem sido demitidas por causa da doença. Outras não conseguem trabalhar. Todos estes fatores afetam a renda da mulher, assim como seu crescimento profissional. Tratamento pode melhorar qualidade de vida Embora a endometriose afete todos os aspectos da vida da mulher, o tratamento correto pode levar à melhora da qualidade de vida. O tratamento, seja clínico ou cirúrgico, visa à melhora da dor, que é o sintoma que costuma ser mais desconfortável, mas muito diversificado, de acordo com o grau da endometriose. Porém, quando a dor é gerenciada e controlada, os outros aspectos da vida acabam melhorando. Sem dor, a mulher pode levar uma vida normal e realizar todas as atividades que deseja. Felizmente, é possível controlar a dor na maioria dos casos de endometriose.

A dieta pode ajudar a combater os sintomas da endometriose?

A dieta pode ajudar a combater os sintomas da endometriose?

Segundo pesquisa realizada com 3 mil mulheres portadoras de endometriose, pelo cirurgião ginecológico Dr. Edvaldo Cavalcante, em parceria com grupo Gapendi (Grupo de Apoio as Mulheres com Endometriose e Infertilidade), depois dos grupos de ajuda e blogs, os cuidados com a alimentação são a principal estratégia de 44% das entrevistadas para lidar com a endometriose e seus desconfortos. Mas será mesmo que cuidar da alimentação pode aliviar os sintomas da endometriose? Segundo Dr. Edvaldo, algumas doenças são influenciadas pela dieta e a endometriose é uma delas. “Uma das explicações está na liberação das prostaglandinas, ácidos graxos modificados (tipo de molécula de gordura), produzidas e liberadas pela maior parte das células do corpo humano. Entretanto, também são provenientes da dieta. Como essas substâncias estão envolvidas no processo inflamatório, podem aumentar a contração uterina e a dor, dependendo da quantidade em circulação no organismo”, explica o médico. Papel da dieta na inflamação Portanto, uma dieta que ajude a controlar as prostaglandinas pode contribuir para reduzir o processo inflamatório, típico da endometriose. De acordo com um estudo realizado pelo Departamento de Ginecologia da Escola Paulista de Medicina (EPM-UNIFESP), alimentos ricos em ômega-3,Vitamina A, C e E, além da suplementação com N-acetilcisteína, vitamina D e resveratrol, exercem efeito protetor, anti-inflamatório, com redução no risco de desenvolvimento e possível regressão da endometriose. Importante lembrar que um consumo maior de frutas, verduras (preferencialmente orgânicas) e cereais integrais também exerce efeito protetor para essa doença. “Vimos ainda que há outras substâncias que podem ser usadas na forma de suplementos ou ainda incorporadas na dieta. Em dezembro de 2017, um estudo italiano trouxe uma nova combinação de ingredientes com efeito anti-inflamatório que se mostrou útil na redução de um tipo de prostaglandina (PGE2), e também do CA-125, um marcador tumoral utilizado para controle da endometriose,  diz Dr. Edvaldo. A combinação usada no estudo foi de quercetina (flavonoide), Tanacetum parthenium (planta medicinal), nicotinamida (forma ativa da vitamina B3), curcumina (princípio ativo do açafrão), L-5-metiltetrahidrofolato de cálcio (5-MTHF) (uma das formas do ácido fólico) e ômegas 3 e 6. Estrogênio, dieta e endometriose “Outro fator importante é que a endometriose é uma doença estrogênio-dependente. Portanto, dietas que ajudem a manter o estrogênio controlado podem contribuir para a redução dos sintomas”, comenta Dr. Edvaldo. A dica é aumentar o consumo de fibras que contribuem na excreção do estrogênio, assim como reduzir o consumo de gordura animal. A partir de uma dieta equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes, grãos e carne magra, é possível também reduzir a gordura corporal, que está ligada à produção periférica do estrogênio. Isso porque as células do tecido adiposo produzem estrogênio e, quanto mais células de gordura, mais estrogênio será produzido. “Na prática clínica, as recomendações nutricionais e as evidências dos estudos que avaliam o papel da dieta na endometriose têm sido de grande relevância no acompanhamento das pacientes. Levando em consideração que a endometriose é uma doença crônica, a adoção de hábitos saudáveis é importante no manejo da patologia. Além disso, é bom ressaltar que uma alimentação equilibrada é algo que contribui para a saúde em geral, portanto é uma boa estratégia a ser usada”.

Pesquisa revela que 1 em cada 4 mulheres com endometriose sente dor quase todos os dias

Pesquisa revela que 1 em cada 4 mulheres com endometriose sente dor quase todos os dias

A endometriose é uma doença crônica, sem cura, que atinge de 10 a 15% das mulheres em idade fértil. Para traçar um perfil das pacientes e entender melhor os impactos da endometriose na vida das mulheres brasileiras, o Gapendi (Grupo de Apoio às Portadoras de Endometriose e Infertilidade), juntamente com o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante, especialista no tratamento clínico e cirúrgico da endometriose, realizaram uma pesquisa com 3 mil mulheres, entre os meses de janeiro e fevereiro de 2018. Confira abaixo os resultados. Diagnóstico e Tratamento A pesquisa brasileira confirmou o que a literatura internacional mostra: o diagnóstico da endometriose é demorado. Por aqui, 38% das mulheres demoram de 5 a 8 anos para ter a confirmação, sendo que 14% demoram mais de 8 anos. A média mundial é de 7 anos. Além da demora no diagnóstico, as entrevistadas afirmaram que tiveram de passar por vários médicos até chegar a um especialista capaz de dar a palavra final e tratar adequadamente a condição. No Brasil, a pesquisa mostrou que 74,8% das mulheres precisaram visitar mais de 3 médicos para receber a confirmação do diagnóstico.  Em relação ao tratamento, 7 em cada 10 mulheres com endometriose precisaram fazer ao menos uma cirurgia para tratar a doença. Dor crônica Um dos aspectos que mais impactam na qualidade de vida das mulheres com endometriose é a dor. E esse sintoma faz parte, quase que diariamente, da vida de 25% das entrevistadas. E para 35% delas, a dor está presente cerca de 15 dias por mês. “Embora algumas mulheres sejam assintomáticas, essa pesquisa mostrou que no Brasil a maioria das pacientes sente dor. A dor é um dos sintomas que mais afetam a saúde física e emocional das mulheres, podendo inclusive impedi-las de realizar as atividades mais básicas, como trabalhar, estudar, namorar, entre outras”, comenta Dr. Edvaldo. E a pesquisa corroborou essa informação: 8 em cada 10 mulheres afirmaram que já deixaram de trabalhar, namorar, sair com amigos, brincar com os filhos, limpar a casa, entre outras atividades cotidianas, devido à endometriose. Vida profissional Como qualquer doença crônica, a endometriose interfere negativamente na vida profissional das mulheres com esta condição. A pesquisa revelou que 6 em cada 10 faltam ou já faltaram ao trabalho devido ao tratamento ou à dor. E tem mais: 48% das entrevistadas já precisaram entrar no auxílio-doença, pelo menos uma vez. “Esses dados confirmam o que os estudos internacionais já demonstraram: as mulheres com endometriose, quando comparadas à população saudável, têm uma renda menor e um importante impacto financeiro por conta da doença”, reflete Marília Gabriela, uma das fundadoras do Gapendi, que chegou a ficar cinco anos afastada do trabalho devido às complicações da endometriose. Estigma A maioria das mulheres, 55,8%, afirmou que a família, os colegas de trabalho e os amigos não entendem o que é conviver com a doença. Segundo a maioria das entrevistadas, as pessoas próximas consideram as queixas como “frescura” ou “exagero”, o que contribui para estigmatizar ainda mais a condição. “Boa parte das mulheres sente cólicas menstruais e sempre ouvimos falar que isso é normal. Porém, as cólicas nas mulheres que têm endometriose são muito intensas e incapacitantes, não passam com analgésicos simples e compressas mornas. Muitas vezes, é preciso ir para a emergência de um hospital para ter alívio da dor. O estigma da “frescura” ou do “exagero” é reforçado por quem não conhece a doença e afeta ainda mais o estado psicológico das mulheres que são atingidas pela doença”, reflete Marília. Comorbidades A endometriose é uma doença que não vem só. Ela traz consigo outras condições de saúde, ou seja, comorbidades. A pesquisa mostrou que 50% das entrevistadas recebeu o diagnóstico de ansiedade e estresse e um terço de depressão. Já a infertilidade, outro aspecto importante da endometriose, atinge 55% das mulheres brasileiras diagnosticadas com a patologia. Apesar do impacto na saúde mental, a pesquisa revelou que a maioria das portadoras de endometriose não é orientada a procurar apoio psicoterápico para lidar com a doença e metade daquelas que são orientadas não o faz por falta de recursos financeiros. Como as brasileiras lidam com a endometriose É na internet, mais especificamente nos grupos de ajuda, que 67% das brasileiras com endometriose encontram apoio para lidar com a doença. Para Marília Gabriela, diagnosticada com a endometriose em 2008, esse é um dado muito importante. “O Gapendi foi criado em 2009 por mulheres com endometriose que passavam pelas mesmas dificuldades, como falta de médicos especialistas, dores, falta de apoio, preconceito, etc. Se hoje a doença ainda é incompreendida, imagine há 10 anos”. “Quando a mulher descobre a endometriose se sente muito perdida e sozinha e pode até questionar se o diagnóstico está correto. Nos grupos, essa mulher se sente acolhida e percebe que não está sozinha, uma ajuda a outra. Inclusive, nosso grupo e os demais preenchem essa lacuna da falta de acesso à psicoterapia”, comenta Marília. Por último e não menos importante, a pesquisa trouxe um ranking das áreas mais afetadas pela endometriose. Em primeiro lugar ficou a autoestima. “A endometriose afeta muito nossa autoestima. O tratamento clínico é feito com hormônios que engordam. Muitas apresentam inchaço abdominal intenso. Outras precisam passar por diversas cirurgias e, em muitos casos, tirar os órgãos reprodutores. Isso pode impactar, por exemplo, na impossibilidade de ter filhos e gera um sentimento de incapacidade, de ser menos mulher”, comenta Marília.

Infecção nas tubas uterinas pode levar à infertilidade

Infecção nas tubas uterinas pode levar à infertilidade

A prevenção sempre é a melhor maneira de cuidar da saúde. Entretanto, na juventude, isso pode não ser tão lembrado e algumas mulheres acabam se descuidando na hora de manter relações sexuais. E uma relação sexual desprotegida pode levar ao desenvolvimento da Doença Inflamatória Pélvica (DIP), sendo a infecção das tubas uterinas, a salpingite, uma das piores sequelas da doença. Estima-se que em 85% dos casos, a DIP é causada por micro-organismos sexualmente transmissíveis. Segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), 1 em cada 4 mulheres com DIP irá ter sequelas em longo prazo, como a infertilidade, que pode afetar até 40% das mulheres diagnosticadas com a doença. O que é DIP? Segundo o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante, a DIP é uma infecção do trato genital superior, que acontece quando as bactérias ultrapassam o colo uterino, atingindo o útero, tubas uterinas e ovários. “Hoje sabemos que é uma infecção polimicrobiana, ou seja, vários micro-organismos podem estar envolvidos no desenvolvimento desta condição. Estima-se que 70% das infecções genitais são causadas por Clamídia, Gonococo, Mycroplasma e Ureroplasma”, explica o ginecologista. Como tudo começa No período menstrual e logo após a menstruação, o colo uterino apresenta uma abertura maior, há maior fluidez do muco cervical e contrabilidade uterina. Essas três características podem facilitar a ascensão das bactérias para o endométrio, tubas e ovários. Inicialmente, a DIP irá causar uma endometrite, ou seja, infecção do endométrio. Quando não tratada, a infecção pode evoluir para a salpingite (infecção nas tubas), abscesso tubo-ovarino e, em alguns casos, para uma peritonite pélvica. Estima-se que de 10 a 40% das mulheres que apresentam infecção gonocócica ou por clamídia, se não tratadas, irão evoluir para um quadro de salpingite aguda, infecção nas tubas uterinas. “Isso que pode acarretar na formação de aderências, que contribuem para a ocorrência de possíveis complicações, tais como dor pélvica crônica, infertilidade por fator tubário e gravidez ectópica”, comenta Dr. Edvaldo. Nem sempre há sintomas presentes As manifestações clínicas da DIP são muito diversificadas e isso pode atrasar o diagnóstico. Outro ponto é que algumas mulheres são assintomáticas e só descobrem o problema ao tratar a infertilidade. “A dor pélvica é uma manifestação importante, assim como corrimento vaginal amarelado ou esverdeado, odor vaginal forte, dor abdominal abaixo do umbigo, febre e dor durante o exame ginecológico. Algumas mulheres podem ainda apresentar sangramento uterino anormal, dispareunia (dor na relação sexual) e dor para urinar”, diz Dr. Edvaldo. Mulheres jovens são principais vítimas As mulheres jovens, entre 15 e 25 anos, representam o principal grupo de risco. Estima-se que aproximadamente 12% das adolescentes sexualmente ativas têm no mínimo um episódio de DIP antes dos 20 anos de idade. Além disso, início precoce de atividade sexual e múltiplos parceiros são importantes fatores de risco. Tratamento Após o diagnóstico, o tratamento geralmente é clínico com uso de analgésicos, antibióticos e retirada do DIU (dispositivo intrauterino). Entretanto, quando não há resposta do organismo à terapia medicamentosa, pode ser necessário realizar abordagem cirúrgica – videolaparoscopia- para drenar possíveis abcessos tubovarianos. “Os abcessos que se formam nas tubas e nos ovários podem se romper, disseminando a infecção para outros locais, o que é uma emergência médica”, explica Dr. Edvaldo. Prevenção A melhor prevenção é usar o preservativo em todas as relações sexuais e procurar diminuir o número de parceiros. Também é fundamental que as mulheres na faixa etária de risco consultem o ginecologista regularmente.

Entenda melhor a endometriose profunda

Entenda melhor a endometriose profunda

A endometriose se caracteriza pela presença de tecido endometrial (semelhante ao que reveste a cavidade uterina) fora do útero e atinge de 10 a 15% das mulheres em idade fértil. O tecido cresce em outros locais, se implantando na cavidade pélvica. Quando esses implantes alcançam uma profundidade maior que 0,5 cm e afetam outras estruturas e órgãos, como os ligamentos que sustentam o útero (útero-sacros), a bexiga, ureteres, o espaço entre o reto, útero e vagina (septo reto-vaginal) e o intestino, é chamada de Endometriose Profunda, sendo uma forma agressiva da doença. Segundo o cirurgião ginecológico Dr. Edvaldo Cavalcante, a endometriose profunda é uma forma mais agressiva desta patologia. Sendo assim, há uma severidade maior na manifestação dos sintomas, que pode afetar o bem-estar e qualidade de vida das mulheres. Em casos mais avançados, os implantes podem atingir nervos, diafragma e até pulmões. “A endometriose profunda manifesta-se por meio de diversos sintomas, sendo a dor pélvica crônica a mais importante, assim como a dismenorreia (cólica menstrual), fluxo menstrual abundante e dispareunia (dor durante ou logo depois da relação sexual). Também podem ocorrer dores para urinar, dor no fundo das costas, sangramento anal na época da menstruação e dificuldade para engravidar”, explica Dr. Edvaldo. “Os implantes do tecido endometrial passam por mudanças de acordo com o ciclo menstrual, com sangramentos periódicos. Essas hemorragias induzem a uma intensa reação inflamatória na região pélvica, com formação de aderências e distorção das tubas uterinas e ovários, entre outros impactos. Esse aspecto da endometriose é um dos principais fatores que levam à dor pélvica, que tende a ser pior justamente na época da menstruação”, explica o médico. Diagnóstico O diagnóstico é feito com base na avaliação clínica e em exames de imagem, como o ultrassom transvaginal com preparo intestinal. Além disso, a ressonância magnética é de grande importância no diagnóstico da endometriose. Todo caso é cirúrgico? Atualmente, a cirurgia não é a primeira opção para o tratamento da endometriose. Adota-se uma conduta conservadora, com o uso de medicamentos para controlar os sintomas e suspender a menstruação. “Entretanto, nas mulheres que não respondem ao tratamento hormonal, que apresentam um quadro de dor crônica e crescimento das lesões, há indicação para remoção cirúrgica dos implantes”, explica Dr. Edvaldo. Vale ressaltar que a terapia hormonal usada para tratar a endometriose é contraceptiva. Assim, a cirurgia também pode ser indicada para as mulheres que desejam engravidar. A cirurgia deve sempre ser realizada por um ginecologista especialista em cirurgia endoscópica. Quando há envolvimento do intestino é necessária a participação de uma equipe multidisciplinar – composta por um coloproctologista, além do cirurgião ginecológico. Vários estudos mostram que a remoção das lesões da endometriose, principalmente as que atingem o intestino, está associada a uma melhora significativa dos sintomas gastrintestinais e na qualidade de vida. “Apesar da melhora da dor, é preciso lembrar que a cirurgia não cura a doença, pois a endometriose é uma doença crônica. A taxa de recidiva é muito variável, segundo a literatura, podendo variar de 8 a 20 % em 2 anos e de até 40 % em 5 anos após o tratamento cirúrgico”, comenta o médico. Cirurgia robótica A cirurgia robótica representa o avanço mais significativo em cirurgia minimamente invasiva. “Como a endometriose profunda é complexa devido à penetração das lesões nos órgãos e tecidos, a cirurgia robótica pode ser recomendada. Isso devido ao seu alto nível de detalhamento das estruturas anatômicas e precisão dos movimentos, dando mais conforto e segurança para o cirurgião”, explica Dr. Edvaldo.

Cistos nos ovários são comuns e maioria não necessita de cirurgia

Cistos nos ovários são comuns e maioria não necessita de cirurgia

Atrasos ou irregularidades no ciclo menstrual podem indicar a presença de um cisto ovariano A maioria das mulheres irá desenvolver pelo menos um cisto de ovário durante a vida. Em grande parte dos casos, os cistos ovarianos são benignos, não causam sintomas e desaparecem sem nenhuma intervenção. Há vários tipos de cistos ovarianos, sendo os mais comuns os cistos funcionais, que se dividem em dois tipos: foliculares e os de corpo lúteo. Segundo o ginecologista e cirurgião, Dr. Edvaldo Cavalcante, os óvulos de desenvolvem dentro de uma espécie de “saco”, chamado de folículo. “Este folículo fica dentro dos ovários e, na maioria dos casos, se rompe liberando o óvulo. Quando isso não acontece, se forma o cisto folicular devido ao líquido que se acumula dentro desta estrutura”. O cisto ovariano folicular é o mais frequente e seu tamanho pode variar de 2,5 cm a 10 cm. Na maioria dos casos não há sintomas. Mas, em algumas mulheres podem ocorrer alterações no ciclo menstrual, como atrasos. “Os cistos foliculares, em sua grande maioria, são achados ocasionais em exames de ultrassom. Eles costumam regredir dentre de 4 a 8 semanas, depois que o líquido é absorvido pelo organismo. Também podem se romper durante uma relação sexual ou ainda durante um exame pélvico”. Cisto de corpo lúteo ou cisto hemorrágico? O cisto de corpo lúteo é menos frequente que o folicular. “O cisto de corpo lúteo resulta de uma hemorragia que ocorre na fase de vascularização do corpo lúteo. Por isso, também é chamado de cisto hemorrágico. Estes cistos têm em média 4 cm de diâmetro, mas podem se romper, levando a um quadro de abdômen agudo”, explica Dr. Edvaldo. Mas, afinal, o que é o corpo lúteo? Dentro de cada folículo há um óvulo imaturo. Durante a fase folicular do ciclo menstrual, esses folículos se desenvolvem sob a influência do hormônio folículo estimulante (FSH) e apenas um irá liberar o óvulo. Quando essa fase termina, o que sobrou deste folículo se transforma no corpo lúteo, uma glândula provisória que irá secretar estrógeno e progesterona. O que fazer? A conduta nos cistos funcionais, na maioria dos casos, é conservadora. O médico pode solicitar alguns exames para acompanhar a evolução do quadro e, em alguns casos, prescrever anticoncepcionais para acelerar a regressão dos cistos e impedir a formação de outros. Em algumas mulheres, o cisto de corpo lúteo pode persistir por mais de duas semanas, duração média da fase lútea. Por esse motivo, pode ocorrer atraso menstrual, dor pélvica pelo aumento do cisto e também dor durante o toque vaginal. Cirurgia é indicada em pouco casos Os cistos funcionais e os cistos hemorrágicos costumam regredir dentro de 4 a 8 semanas, em média. Mas, se depois deste período aumentarem ou persistirem, mesmo após tratamento clínico, a remoção cirúrgica pode ser uma alternativa.  A cirurgia pode ser realizada por técnica minimamente invasiva – a videolapasocopia.

Mulheres com endometriose podem tomar a vacina da febre amarela?

Mulheres com endometriose podem tomar a vacina da febre amarela?

Muitas pacientes têm me perguntado se podem tomar a vacina da febre amarela porque ouviram falar que a endometriose é uma doença autoimune. Mas, não é bem assim. Portanto, vamos esclarecer alguns pontos importantes para não gerar confusão e desinformação. Atualmente, há evidências levantadas por estudos científicos de que nas mulheres com endometriose parece haver produção de autoanticorpos, disfunção de linfócitos T e B, exacerbação das citocinas inflamatórias. Além disso, um recente estudo mostrou associações entre o Gene PTPN22 (presente em doenças imunológicas) e o risco de endometriose, sugerindo, portanto, que este polimorfismo pode ser um marcador de suscetibilidade para a endometriose. Entretanto, apesar dos estudos, hoje a endometriose ainda não é considerada uma doença autoimune. Mas, mulheres que têm alterações autoimunes preexistentes podem ter um risco maior de desenvolver a endometriose devido às alterações genéticas, os anticorpos e o processo inflamatório causados por essas patologias. Inclusive há estudos que mostram maior prevalência de endometriose em mulheres com lúpus, por exemplo. Então Dr., o que devo fazer? Tomo ou não tomo a vacina? A recomendação é verificar junto ao seu médico seu estado de saúde e confirmar ou descartar a presença de doenças autoimunes, como lúpus, artrite reumatoide, doenças da tireoide, etc. Na ausência de uma doença autoimune, ou ainda de gravidez, a mulher pode tomar a vacina e ficar tranquila.

Adenomiose: que doença é essa?

Adenomiose: que doença é essa?

Útero aumentado, cólicas, dores pélvicas, sangramento excessivo e dor durante a relação sexual. Estes sintomas podem indicar uma série de doenças ginecológicas, entre elas a adenomiose. Pouco conhecida do público leigo, a adenomiose, até alguns anos atrás, só era diagnosticada depois que o útero era retirado e enviado para um estudo anatomopatológico. Isso quer dizer que a mulher precisava passar por uma histerectomia para se livrar dos sintomas e descobrir o que os causava. Mas, com o avanço dos exames de imagem, como a ultrassonografia e a ressonância magnética, além das técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, como a histeroscopia e videolaparoscopia, hoje é possível realizar o diagnóstico sem a necessidade de retirar o útero. E isso é muito importante para mulheres que desejam engravidar. Aliás, um dos motivos da adenomiose se tornar mais conhecida é justamente devido ao fenômeno da maternidade tardia, já que a doença parece ser mais comum em mulheres entre os 40 e 50 anos de idade. Quando a mulher tem dificuldade para engravidar, a investigação do ginecologista pode levar ao diagnóstico da adenomiose, por exemplo. Mas, afinal, que doença é essa? Segundo o ginecologista e cirurgião, Dr. Edvaldo Cavalcante, a adenomiose se caracteriza pela invasão de células do endométrio no miométrio. “O endométrio é parte interna do útero, sendo extremamente vascularizado e repleto de glândulas que participam do ciclo menstrual. Já o miométrio é a camada muscular do útero, que participa das contrações uterinas no momento do parto”. “Na endometriose, as células do endométrio migram e podem ser encontradas em outros órgãos e estruturas, como ovários, tubas uterinas e intestinos, por exemplo. Na adenomiose as células do endométrio se implantam no próprio útero, no miométrio. Portanto, a adenomiose se define pela presença de glândulas endometriais e de estroma (tecido conjuntivo vascularizado) na camada muscular uterina”, explica Dr. Edvaldo. Útero aumentado Umas das consequências da implantação de células endometriais no miométrio é o aumento do volume uterino, que pode ser sentido no exame ginecológico e visto em exames de imagem. Quanto aos sintomas, Dr. Edvaldo explica que é muito variável e depende da profundidade do miométrio atingido. “A adenomiose está associada a dismenorreia (cólica menstrual), hemorragia, dor pélvica crônica e dispareunia (dor durante a relação sexual). O sintoma mais prevalente é a dor pélvica”, comenta o cirurgião. Um estudo realizado com 710 mulheres na pré menopausa que fizeram histerectomia mostrou que apenas 4,5% delas não apresentavam sintomas. A dismenorreia era a queixa mais prevalente, relatada por 81,7% do grupo. Comorbidades E para quem acha que a adenomiose é o único problema, aqui vai uma informação importante: quase sempre está associada a outras doenças ginecológicas ou pélvicas. “A adenomiose está relacionada à produção do estrogênio, ou seja, é uma doença hormonodependente. Desta forma, frequentemente está associada a outras doenças que também são hormonodependentes, como miomas e a endometriose”, diz Dr. Edvaldo. Evidências recentes mostram também que a adenomiose é uma possível causa de infertilidade, assim como interfere nos processos de fertilização in vitro. Diagnóstico e tratamento O ginecologista irá realizar o exame físico, levantar a história clínica e solicitar alguns exames. O exame mais comum é o ultrassom transvaginal, mas podem ser solicitados outros, como a ressonância magnética ou ainda cirurgias diagnósticas, como a histeroscopia ou a videolaparoscopia. Um dos maiores desafios da adenomiose é o tratamento da infertilidade. “Não há um consenso sobre a melhor forma de tratar os casos sintomáticos, principalmente nas mulheres que querem engravidar. Quanto às técnicas cirúrgicas, em mulheres que desejam ter filhos é possível fazer a adenomiomectomia, cujo principal objetivo é retirar as lesões de forma segura, mantendo a integridade da parede uterina. Mesmo sabendo do impacto adverso no útero e para os resultados da fertilidade. Naquelas que não desejam engravidar, o tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, a retirada do útero ainda é o tratamento com melhor resultado”, finaliza Dr. Edvaldo.

Para que serve a histeroscopia cirúrgica?

Para que serve a histeroscopia cirúrgica?

A palavra histero vem do grego e quer dizer útero e scopia significa ver, portanto, a histeroscopia é uma técnica usada para visualizar a cavidade uterina. A histeroscopia pode ser diagnóstica ou cirúrgica. Hoje vamos falar um pouco mais sobre a cirúrgica. A histeroscopia cirúrgica é uma cirurgia minimamente invasiva, feita por meio da inserção de um histeroscópio, extremamente fino, na vagina e no colo do útero até a cavidade uterina. Portanto, é uma cirurgia sem incisões (cortes). Como os histeroscópios têm uma espessura mínima, o médico cirurgião consegue introduzi-los sem dilatação ou com dilatação mínima do colo do útero. Para melhor visualização, o cirurgião utiliza soro fisiológico como meio de distensão da cavidade uterina. O procedimento é guiado por meio de um monitor de vídeo, por isso também pode ser chamada de videohisteroscopia. O que ela pode tratar? A histeroscopia cirúrgica é indicada para tratar diversas condições que afetam o útero. Entre as principais estão: Pólipos endometriais e endocervicais Miomas submucosos Ressecção de sinéquias uterinas Ressecção de septos uterinos Remoção de DIU sem visualização dos fios Remoção de restos ovulares persistentes Ablação endometrial Laqueadura tubária Onde ela é feita? A histeroscopia cirúrgica é feita em ambiente hospitalar. A paciente é anestesiada e o médico irá definir qual a sedação mais adequada, podendo ser anestesia geral ou local (raqui ou peridural). O tempo médio de internação é de 12 horas, podendo ser liberada no mesmo dia do procedimento ou estender de acordo com complicações ou estado geral da paciente. Recuperação A recuperação é rápida, pois não há cortes e isso reduz os quadros dolorosos. Quando a dor aparece, irá lembrar a de uma cólica menstrual e pode ser resolvida com o uso de analgésicos. Pode ocorrer uma pequena perda de sangue nos dias seguintes ao procedimento, o que também é esperado. A mulher pode retomar suas atividades diárias dentro de dois a cinco dias após a cirurgia.