Endometriose afeta a produtividade e diminui perspectivas de crescimento profissional

Endometriose afeta a produtividade e diminui perspectivas de crescimento profissional

Pesquisa mostrou que 50% das brasileiras com diagnóstico da doença precisa faltar de 1 a 3 vezes por mês ao trabalho  Não é novidade que a endometriose afeta a qualidade de vida das mulheres. Porém, a pesquisa realizada pelo cirurgião ginecológico, Dr. Edvaldo Cavalcante, em parceria com o Gapendi (Grupo de Apoio às Portadoras de Endometriose e Infertilidade), com 3 mil mulheres brasileiras portadoras de endometriose, revelou dados que comprovam que os prejuízos da endometriose vão muito além da saúde física. A pesquisa revelou que 50% das brasileiras com endometriose se ausenta do trabalho de uma a três vezes por mês, cerca de 23% das entrevistadas já ficaram afastadas por mais de 15 dias e 14% revelaram já terem sido demitidas por causa da doença. Os dados da pesquisa brasileira corroboram com as informações de estudos internacionais, como um publicado no periódico BMC Women’s Health que mostrou que ter endometriose leva a mulher a se afastar do trabalho ou a escolher trabalhos com carga horária menor. Estas escolhas, consequentemente, impactam na renda e no crescimento profissional destas mulheres. Absenteísmo pode agravar o quadro Para Dr. Edvaldo, além das faltas ou afastamentos, é preciso considerar o absenteísmo. Com medo de perder o emprego ou oportunidades profissionais, muitas mulheres evitam faltar. Porém, as dores ou outros sintomas da endometriose podem limitar a atuação destas pacientes no ambiente de trabalho. “Como nem sempre o empregador tem o entendimento sobre a doença e de seu impacto na saúde física e mental da mulher, esta é uma situação que pode reforçar o estigma da doença, como frescura, exagero, etc. Isso, inclusive, ficou evidente em nossa pesquisa”, comenta o médico. Endometriose e transtornos mentais O estigma, a dor e as consequências da endometriose na vida da mulher podem desencadear transtornos mentais, como depressão, ansiedade e estresse. Na pesquisa, metade das entrevistadas revelou que recebeu o diagnóstico de ansiedade de 34% de depressão. Entretanto, 62% das mulheres com endometriose não são orientadas a procurar apoio psicoterápico para lidar com a doença. “Há estudos que mostram que nos próximos anos a depressão será uma das principais causas de afastamentos do trabalho. Portanto, como há uma relação importante entre depressão e endometriose, é um outro ponto de atenção que deve ser levado em consideração no tratamento da doença, já que pode também afetar a vida profissional da mulher”, comenta Dr. Edvaldo. Tratamento e melhora da qualidade de vida Dr. Edvaldo chama a atenção para o fato de que na maior parte dos casos, a mulher pode levar uma vida normal, desde que seja acompanhada e tratada por um especialista. “A endometriose é uma patologia muito diversificada. Em geral, a dor ocorre em períodos específicos do mês, como nos dias que antecedem a menstruação. O tratamento clínico ou cirúrgico tem como principal objetivo melhorar o quadro doloroso. E na maioria das mulheres isso acontece”. Além do acompanhamento com o ginecologista, é ideal cuidar da alimentação, praticar atividade física e procurar gerenciar o estresse. A pesquisa mostrou que estas são estratégias adotadas pelas mulheres brasileiras com endometriose, assim como elas encontram ajuda nos grupos de apoio, como o Gapendi.

A dieta pode ajudar a combater os sintomas da endometriose?

A dieta pode ajudar a combater os sintomas da endometriose?

Segundo pesquisa realizada com 3 mil mulheres portadoras de endometriose, pelo cirurgião ginecológico Dr. Edvaldo Cavalcante, em parceria com grupo Gapendi (Grupo de Apoio as Mulheres com Endometriose e Infertilidade), depois dos grupos de ajuda e blogs, os cuidados com a alimentação são a principal estratégia de 44% das entrevistadas para lidar com a endometriose e seus desconfortos. Mas será mesmo que cuidar da alimentação pode aliviar os sintomas da endometriose? Segundo Dr. Edvaldo, algumas doenças são influenciadas pela dieta e a endometriose é uma delas. “Uma das explicações está na liberação das prostaglandinas, ácidos graxos modificados (tipo de molécula de gordura), produzidas e liberadas pela maior parte das células do corpo humano. Entretanto, também são provenientes da dieta. Como essas substâncias estão envolvidas no processo inflamatório, podem aumentar a contração uterina e a dor, dependendo da quantidade em circulação no organismo”, explica o médico. Papel da dieta na inflamação Portanto, uma dieta que ajude a controlar as prostaglandinas pode contribuir para reduzir o processo inflamatório, típico da endometriose. De acordo com um estudo realizado pelo Departamento de Ginecologia da Escola Paulista de Medicina (EPM-UNIFESP), alimentos ricos em ômega-3,Vitamina A, C e E, além da suplementação com N-acetilcisteína, vitamina D e resveratrol, exercem efeito protetor, anti-inflamatório, com redução no risco de desenvolvimento e possível regressão da endometriose. Importante lembrar que um consumo maior de frutas, verduras (preferencialmente orgânicas) e cereais integrais também exerce efeito protetor para essa doença. “Vimos ainda que há outras substâncias que podem ser usadas na forma de suplementos ou ainda incorporadas na dieta. Em dezembro de 2017, um estudo italiano trouxe uma nova combinação de ingredientes com efeito anti-inflamatório que se mostrou útil na redução de um tipo de prostaglandina (PGE2), e também do CA-125, um marcador tumoral utilizado para controle da endometriose,  diz Dr. Edvaldo. A combinação usada no estudo foi de quercetina (flavonoide), Tanacetum parthenium (planta medicinal), nicotinamida (forma ativa da vitamina B3), curcumina (princípio ativo do açafrão), L-5-metiltetrahidrofolato de cálcio (5-MTHF) (uma das formas do ácido fólico) e ômegas 3 e 6. Estrogênio, dieta e endometriose “Outro fator importante é que a endometriose é uma doença estrogênio-dependente. Portanto, dietas que ajudem a manter o estrogênio controlado podem contribuir para a redução dos sintomas”, comenta Dr. Edvaldo. A dica é aumentar o consumo de fibras que contribuem na excreção do estrogênio, assim como reduzir o consumo de gordura animal. A partir de uma dieta equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes, grãos e carne magra, é possível também reduzir a gordura corporal, que está ligada à produção periférica do estrogênio. Isso porque as células do tecido adiposo produzem estrogênio e, quanto mais células de gordura, mais estrogênio será produzido. “Na prática clínica, as recomendações nutricionais e as evidências dos estudos que avaliam o papel da dieta na endometriose têm sido de grande relevância no acompanhamento das pacientes. Levando em consideração que a endometriose é uma doença crônica, a adoção de hábitos saudáveis é importante no manejo da patologia. Além disso, é bom ressaltar que uma alimentação equilibrada é algo que contribui para a saúde em geral, portanto é uma boa estratégia a ser usada”.

Infecção nas tubas uterinas pode levar à infertilidade

Infecção nas tubas uterinas pode levar à infertilidade

A prevenção sempre é a melhor maneira de cuidar da saúde. Entretanto, na juventude, isso pode não ser tão lembrado e algumas mulheres acabam se descuidando na hora de manter relações sexuais. E uma relação sexual desprotegida pode levar ao desenvolvimento da Doença Inflamatória Pélvica (DIP), sendo a infecção das tubas uterinas, a salpingite, uma das piores sequelas da doença. Estima-se que em 85% dos casos, a DIP é causada por micro-organismos sexualmente transmissíveis. Segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), 1 em cada 4 mulheres com DIP irá ter sequelas em longo prazo, como a infertilidade, que pode afetar até 40% das mulheres diagnosticadas com a doença. O que é DIP? Segundo o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante, a DIP é uma infecção do trato genital superior, que acontece quando as bactérias ultrapassam o colo uterino, atingindo o útero, tubas uterinas e ovários. “Hoje sabemos que é uma infecção polimicrobiana, ou seja, vários micro-organismos podem estar envolvidos no desenvolvimento desta condição. Estima-se que 70% das infecções genitais são causadas por Clamídia, Gonococo, Mycroplasma e Ureroplasma”, explica o ginecologista. Como tudo começa No período menstrual e logo após a menstruação, o colo uterino apresenta uma abertura maior, há maior fluidez do muco cervical e contrabilidade uterina. Essas três características podem facilitar a ascensão das bactérias para o endométrio, tubas e ovários. Inicialmente, a DIP irá causar uma endometrite, ou seja, infecção do endométrio. Quando não tratada, a infecção pode evoluir para a salpingite (infecção nas tubas), abscesso tubo-ovarino e, em alguns casos, para uma peritonite pélvica. Estima-se que de 10 a 40% das mulheres que apresentam infecção gonocócica ou por clamídia, se não tratadas, irão evoluir para um quadro de salpingite aguda, infecção nas tubas uterinas. “Isso que pode acarretar na formação de aderências, que contribuem para a ocorrência de possíveis complicações, tais como dor pélvica crônica, infertilidade por fator tubário e gravidez ectópica”, comenta Dr. Edvaldo. Nem sempre há sintomas presentes As manifestações clínicas da DIP são muito diversificadas e isso pode atrasar o diagnóstico. Outro ponto é que algumas mulheres são assintomáticas e só descobrem o problema ao tratar a infertilidade. “A dor pélvica é uma manifestação importante, assim como corrimento vaginal amarelado ou esverdeado, odor vaginal forte, dor abdominal abaixo do umbigo, febre e dor durante o exame ginecológico. Algumas mulheres podem ainda apresentar sangramento uterino anormal, dispareunia (dor na relação sexual) e dor para urinar”, diz Dr. Edvaldo. Mulheres jovens são principais vítimas As mulheres jovens, entre 15 e 25 anos, representam o principal grupo de risco. Estima-se que aproximadamente 12% das adolescentes sexualmente ativas têm no mínimo um episódio de DIP antes dos 20 anos de idade. Além disso, início precoce de atividade sexual e múltiplos parceiros são importantes fatores de risco. Tratamento Após o diagnóstico, o tratamento geralmente é clínico com uso de analgésicos, antibióticos e retirada do DIU (dispositivo intrauterino). Entretanto, quando não há resposta do organismo à terapia medicamentosa, pode ser necessário realizar abordagem cirúrgica – videolaparoscopia- para drenar possíveis abcessos tubovarianos. “Os abcessos que se formam nas tubas e nos ovários podem se romper, disseminando a infecção para outros locais, o que é uma emergência médica”, explica Dr. Edvaldo. Prevenção A melhor prevenção é usar o preservativo em todas as relações sexuais e procurar diminuir o número de parceiros. Também é fundamental que as mulheres na faixa etária de risco consultem o ginecologista regularmente.

Cistos nos ovários são comuns e maioria não necessita de cirurgia

Cistos nos ovários são comuns e maioria não necessita de cirurgia

Atrasos ou irregularidades no ciclo menstrual podem indicar a presença de um cisto ovariano A maioria das mulheres irá desenvolver pelo menos um cisto de ovário durante a vida. Em grande parte dos casos, os cistos ovarianos são benignos, não causam sintomas e desaparecem sem nenhuma intervenção. Há vários tipos de cistos ovarianos, sendo os mais comuns os cistos funcionais, que se dividem em dois tipos: foliculares e os de corpo lúteo. Segundo o ginecologista e cirurgião, Dr. Edvaldo Cavalcante, os óvulos de desenvolvem dentro de uma espécie de “saco”, chamado de folículo. “Este folículo fica dentro dos ovários e, na maioria dos casos, se rompe liberando o óvulo. Quando isso não acontece, se forma o cisto folicular devido ao líquido que se acumula dentro desta estrutura”. O cisto ovariano folicular é o mais frequente e seu tamanho pode variar de 2,5 cm a 10 cm. Na maioria dos casos não há sintomas. Mas, em algumas mulheres podem ocorrer alterações no ciclo menstrual, como atrasos. “Os cistos foliculares, em sua grande maioria, são achados ocasionais em exames de ultrassom. Eles costumam regredir dentre de 4 a 8 semanas, depois que o líquido é absorvido pelo organismo. Também podem se romper durante uma relação sexual ou ainda durante um exame pélvico”. Cisto de corpo lúteo ou cisto hemorrágico? O cisto de corpo lúteo é menos frequente que o folicular. “O cisto de corpo lúteo resulta de uma hemorragia que ocorre na fase de vascularização do corpo lúteo. Por isso, também é chamado de cisto hemorrágico. Estes cistos têm em média 4 cm de diâmetro, mas podem se romper, levando a um quadro de abdômen agudo”, explica Dr. Edvaldo. Mas, afinal, o que é o corpo lúteo? Dentro de cada folículo há um óvulo imaturo. Durante a fase folicular do ciclo menstrual, esses folículos se desenvolvem sob a influência do hormônio folículo estimulante (FSH) e apenas um irá liberar o óvulo. Quando essa fase termina, o que sobrou deste folículo se transforma no corpo lúteo, uma glândula provisória que irá secretar estrógeno e progesterona. O que fazer? A conduta nos cistos funcionais, na maioria dos casos, é conservadora. O médico pode solicitar alguns exames para acompanhar a evolução do quadro e, em alguns casos, prescrever anticoncepcionais para acelerar a regressão dos cistos e impedir a formação de outros. Em algumas mulheres, o cisto de corpo lúteo pode persistir por mais de duas semanas, duração média da fase lútea. Por esse motivo, pode ocorrer atraso menstrual, dor pélvica pelo aumento do cisto e também dor durante o toque vaginal. Cirurgia é indicada em pouco casos Os cistos funcionais e os cistos hemorrágicos costumam regredir dentro de 4 a 8 semanas, em média. Mas, se depois deste período aumentarem ou persistirem, mesmo após tratamento clínico, a remoção cirúrgica pode ser uma alternativa.  A cirurgia pode ser realizada por técnica minimamente invasiva – a videolapasocopia.

6 Possíveis Causas da Dor Pélvica Crônica

6 Possíveis Causas da Dor Pélvica Crônica

Ninguém gosta de sentir dor, muito menos quando a dor se torna crônica. Uma das dores crônicas mais comuns, principalmente entre as mulheres, é a dor pélvica (abaixo do umbigo), que pode estar ou não relacionada à parte ginecológica. Segundo a Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED), a prevalência é alta, mas varia de país para país. Estima-se que possa afetar entre 5.7% a 26.6% das mulheres em todo o mundo. A dor pélvica é classificada como crônica quando a duração dos sintomas é igual ou superior a seis meses. Este é apenas um dos critérios, que também envolve o comprometimento da qualidade de vida, alívio incompleto com tratamentos feitos, perda da função física e sinais de depressão. Segundo o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante, a dor jamais deve ser ignorada. “Sentir dor é um alerta do nosso corpo de que há algo que precisa ser investigado. Entretanto, muitas mulheres podem se sentir desmotivadas pela demora ou pela falta de um diagnóstico. Outras podem conviver com a dor sem buscar ajuda, por subestimarem os sintomas”. O que fazer? Procurar um médico. A investigação inicial pode ser realizada com o ginecologista. Esse profissional poderá estabelecer o diagnóstico e conduzir o tratamento.  Caso haja a necessidade do auxílio de outro especialista como gastroenterologista, urologista ou fisioterapeuta, por exemplo, o ginecologista fará o encaminhamento para complementação terapêutica. Causas ginecológicas Veja abaixo as principais causas ginecológicas relacionadas à dor pélvica crônica: Endometriose: A dor pélvica é o principal sintoma da endometriose. Ela pode se manifestar de diversas maneiras, como a dismenorreia (cólica menstrual), dor pélvica crônica (cíclica ou acíclica), dispareunia de profundidade (dor durante a relação), alterações intestinais cíclicas (dor à evacuação, sangramento nas fezes, aumento do trânsito intestinal durante o período menstrual), alterações urinárias cíclicas (ardor, perda de sangue na urina, aumento da frequência durante o período menstrual). Mioma: Depois do sangramento, a dor pélvica é o segundo sintoma mais frequente em mulheres que apresentam miomatose uterina. Adenomiose: A adenomiose ocorre quando o endométrio (tecido que reveste a parte interna do útero) invade a musculatura do útero (miométrio). Um dos sintomas é a dor pélvica, que piora no período menstrual. Varizes Pélvicas: Considerada uma das principais causas de dor pélvica crônica, porém pouco conhecida. A varizes pélvicas são causadas pela congestão ou obstrução das veias ao redor do útero. Apresenta maior prevalência em mulheres que tiveram mais de uma gestação. A mulher pode apresentar sensação de peso na região pélvica, principalmente após atividade física ou ao final do dia, dores durante ou após a relação sexual, ou ainda um quadro crônico de dor. Aderências: As aderências pélvicas são faixas de tecido cicatricial que podem se formar após cirurgias ou processos inflamatórios na região pélvica. Em casos mais avançados, essas aderências podem levar ao colamento dos órgãos e se manifestarem com dor pélvica crônica. Tumor anexial: São tumores localizados na região anexial, ou seja, na região onde se situam os ovários e as tubas uterinas. A maioria dos tumores anexiais é de origem ovariana, sendo na maior parte dos casos representados por cistos benignos. Esses tumores geralmente conduzem ao estado de dor e também pode levar ao quadro de dor pélvica crônica. Como vimos, a dor pélvica crônica tem diversas causas. Entretanto, o diagnóstico e o tratamento são fundamentais para melhorar a qualidade de vida das mulheres. Portanto, se você apresenta dor pélvica há mais de seis meses e não sabe a causa, procure um médico.

É possível retirar um mioma e preservar o útero?

É possível retirar um mioma e preservar o útero?

O tratamento definitivo para os miomas, os tumores pélvicos sólidos benignos mais frequentes em mulheres em idade reprodutiva, é a retirada do útero (histerectomia). Porém, em mulheres jovens que desejam engravidar essa não é uma opção. Nestes casos, a cirurgia recomendada é a miomectomia. Geralmente, a cirurgia é indicada quando há presença de sintomas, rápido crescimento do mioma, distorção da cavidade uterina e oclusão tubária em mulheres que desejam engravidar. A miomectomia pode ser realizada por meio de diferentes técnicas cirúrgicas e a escolha do médico irá depender de uma série de fatores. Atualmente, a miomectomia pode ser realizada por meio de técnicas minimamente invasivas. Este tipo de cirurgia representa menos riscos, menor custo e recuperação mais rápida. Veja abaixo as principais técnicas minimamente invasivas que podem ser usadas para retirar os miomas preservando o útero: Miomectomia por videolaparoscopia: é uma técnica minimamente invasiva, feita por meio de pequenas incisões na parede abdominal com auxílio de uma câmera. Miomectomia por videohisteroscopia: é um procedimento cirúrgico realizado através da via vaginal, sem cortes. O cirurgião utiliza uma câmera e o histeroscópio (alça de corte) para analisar a cavidade uterina. Miomectomia robótica: podemos dizer que é a evolução da miomectomia laparoscópica. Representa o avanço mais significativo em cirurgia minimamente invasiva. Sentado em uma estação de trabalho, na sala do centro cirúrgico ao lado da paciente, o cirurgião opera com as mesmas incisões da videolaparoscopia e com uma visão em 3D de alta definição que proporciona melhor capacidade de identificação dos tecidos, dos vasos sanguíneos e dos nervos durante a cirurgia. A cirurgia robótica tem a sua indicação para os casos mais complexos ou mais delicados que necessitam de alto detalhamento e precisão. Gravidez pós-miomectomia É importante ressaltar que nem todas as mulheres conseguirão engravidar depois da retirada dos miomas. Em geral, as taxas de gestação pós-cirurgia variam de 40% a 50%. Alguns fatores podem interferir na probabilidade de engravidar, como idade, duração e causas da infertilidade. Segundo um estudo publicado no Journal  of Obstetrics and Gynaecology após uma miomectomia, 1 em cada 4 mulheres consegue conceber, independente da técnica cirúrgica empregada.

Por que o diagnóstico da endometriose é tão difícil?

Por que o diagnóstico da endometriose é tão difícil?

O diagnóstico pode ser um desafio para as mulheres que sofrem com a endometriose, doença crônica e incurável, que se caracteriza pela presença de tecido endometrial (semelhante ao que reveste a cavidade uterina) fora do útero. A estimativa, de acordo com diversos estudos, é que a confirmação do diagnóstico pode levar em média, oito anos para acontecer. Segundo Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico e especialista em endometriose, a mulher costuma percorrer um longo caminho até descobrir a doença, principalmente quando não há sintomas aparentes. Nas pacientes sintomáticas, esse atraso aumenta o sofrimento físico e impacta diretamente na redução da qualidade de vida, com prejuízos na carreira, estudos e relacionamentos. Quando desconfiar da endometriose? “A dor pélvica é o principal sintoma da endometriose. Ela pode se manifestar de diversas maneiras, como a dismenorreia (cólica menstrual), dor pélvica crônica (ou acíclica), dispareunia de profundidade (dor durante a relação), alterações intestinais cíclicas (dor à evacuação, sangramento nas fezes, aumento do trânsito intestinal durante o período menstrual), alterações urinárias cíclicas (ardor, perda de sangue na urina, aumento da frequência acompanhando o fluxo menstrual) e infertilidade”, explica Dr. Edvaldo. O que pode atrasar o diagnóstico? Há alguns fatores que podem atrasar o diagnóstico. O primeiro deles é que em muitos casos as mulheres não levam suas queixas ao médico por considerarem a cólica menstrual um sintoma normal. Acabam se automedicando com analgésicos e, em muitos casos, evitam atividades sociais durante as crises. “Por muito tempo as mulheres, e por que não dizer que alguns médicos, também acreditavam que cólica e dores na relação eram sintomas normais durante toda a sua vida. Mas, hoje sabemos que esses sintomas podem ser o primeiro sinal da endometriose e, por isso, qualquer queixa clínica deve ser valorizada”, afirma o médico. Como chegar ao diagnóstico Após a suspeita clínica da endometriose, o médico irá iniciar a investigação com exames de imagem específicos, como o ultrassom pélvico transvaginal com preparo intestinal e/ou  ressonância magnética  com  preparo intestinal. Entretanto, esses exames são outros fatores que podem contribuir para o atraso no diagnóstico. “Esses exames devem ser realizados por médicos especializados e preparados para a intepretação das imagens que mapeiam a endometriose. Infelizmente, há escassez de médicos capacitados nos laboratórios e centros médicos brasileiros”, diz Dr. Edvaldo. Diagnóstico definitivo é sempre cirúrgico? Por muito tempo, as mulheres que tinham a suspeita clínica de endometriose eram submetidas à cirurgia por videolaparoscopia para confirmação diagnóstica e este era o único método definitivo para confirmação da doença. Entretanto, segundo Dr. Edvaldo, graças ao avanço do diagnóstico por imagem (ultrassom e ressonância magnética) e à experiência dos médicos especializados em endometriose, após a suspeita clínica, exames físico e por imagem, o diagnóstico da endometriose é firmado na grande maioria dos casos. “A videolaparoscopia diagnóstica ficou reservada para um seleto grupo de pacientes. Atualmente, conseguimos diagnosticar, mapear e individualizar o melhor tratamento da endometriose, que pode ser clínico ou cirúrgico”, comenta o médico. Como mensagem final, Dr. Edvaldo reforça a importância da valorização das queixas de cólicas menstruais, principalmente em mulheres jovens, pois a doença pode ter início precoce, e nessa fase o principal sintoma será a cólica menstrual intensa. “Quando a dor for intensa e exigir repouso ou afastamento das atividades rotineiras, é preciso prestar atenção. Cólica menstrual não deve ser algo incapacitante, se for, o médico deve valorizar a queixa e investigá-la”, conclui.

Mioma pode afetar a fertilidade da mulher?

Mioma pode afetar a fertilidade da mulher?

Miomas ou leiomiomas uterinos são os tumores pélvicos sólidos benignos mais frequentes em mulheres em idade reprodutiva. O mioma surge quando há um desenvolvimento anormal das células do tecido muscular do útero que leva à formação de massa sólida e recebe esse nome porque se desenvolve no miométrio, a camada média da parede uterina. Segundo Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico, a maioria das mulheres não apresenta sintomas e acaba descobrindo o mioma nos exames preventivos. “A presença dos sintomas depende de alguns fatores, como localização, quantidade, tamanho e alterações na anatomia pélvica causadas pelo tumor”, explica. Um estudo global (1), publicado recentemente nos Estados Unidos, mostrou que a prevalência do mioma é muito variável, de 4,5% a 68,8%, pois depende da população estudada e do método de diagnóstico. No Brasil, segundo estudo realizado em 2013, a prevalência em mulheres brasileiras é de 23% (2). O mioma causa sintomas severos em apenas 25% das mulheres (1). Sintomas podem passar despercebidos “A hemorragia uterina é o sintoma mais frequente, seguido do desconforto e de dores na região pélvica. A anemia causada por falta de ferro (ferropriva) também é muito frequente nas mulheres que apresentam hemorragias devido à presença de mioma. Muitas pacientes também podem ainda ter cólicas menstruais mais intensas e dores durante a relação sexual (dispareunia), assim como uma necessidade maior de urinar”, diz Dr. Edvaldo. Causa exata permanece desconhecida A etiologia, ou seja, porque o mioma se forma ainda é um mistério para a medicina. Mas, o que se sabe é que o mioma é sensível à ação do estrogênio e da progesterona, portanto estes hormônios têm influência em seu desenvolvimento. “Na menopausa é comum o mioma diminuir ou até mesmo desaparecer, pois há queda da produção destes hormônios. Segundo estatísticas, na gravidez pode ocorrer tanto aumento, diminuição como nenhuma alteração”, explica Dr. Edvaldo. Fatores de Risco Casos de família: o histórico familiar de mioma (mãe ou irmãs) aumenta o risco de 4 a 5 vezes; Idade: A idade é outro fator importante, já que a incidência é maior entre mulheres com idades entre 40 e 50 anos. Menstruação precoce: Quando a mulher menstrua cedo, isso aumenta o número de divisões celulares no miométrio o que eleva a probabilidade de mutações genéticas responsáveis pela proliferação miometrial. Etnia: Mulheres afrodescendentes apresentam risco aumentado de 2 a 3 vezes. Como tratar? A retirada do útero é o único tratamento definitivo para o mioma. Porém, este tipo de cirurgia é usado como último recurso de manejo do mioma. Além disso, ele não é uma opção para as mulheres que desejam engravidar. “Há medicamentos que são usados para impedir o crescimento ou reduzir o tamanho do mioma, porém como causam efeitos colaterais há restrição do tempo que podem ser utilizados. Além disso, o mioma pode voltar a crescer quando a medicação é suspensa. O uso de anticoncepcionais, por exemplo, também não é uma escolha para as mulheres que querem ter filhos”, explica Dr. Edvaldo. Quando o mioma afeta a fertilidade da mulher? Segundo Dr. Edvaldo, dependendo da sua localização no útero, os miomas podem ser responsáveis pela infertilidade. “Miomas na cavidade uterina (submucosos) podem dificultar a fixação do embrião (nidação), proporcionar abortamento, parto prematuro ou até mesmo obstrução das tubas uterinas. Mesmos os miomas na parede do útero (intramural), quando muito grandes ou muito numerosos podem distorcer a cavidade uterina e também dificultar o desenvolvimento da gestação”, Para quem deseja ter filhos, a miomectomia é a cirurgia de escolha, pois preserva o útero e restabelece a anatomia funcional uterina. “Temos que lembrar que o mioma é uma doença que nasce e cresce benigna e que é possível sim engravidar após a cirurgia. Cabe também ressaltar que nem todo mioma tem indicação cirúrgica. Em muitos casos orientamos a engravidar com os miomas e apenas acompanhamos a sua evolução durante a gestação”, finaliza Dr. Edvaldo. Referências: (1) Epidemioly of Uterine Fibroids:  systematic review https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28296146 (2) http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2013000200301  

5 Perguntas e Respostas sobre a Cirurgia de Endometriose

5 Perguntas e Respostas sobre a Cirurgia de Endometriose

A endometriose se caracteriza pela presença de tecido endometrial (semelhante ao que reveste a cavidade uterina) fora do útero. Em geral, o tecido é encontrado na cavidade pélvica: no peritônio, ovários, tubas uterinas, ligamentos útero-sacros,  vagina, intestino e  bexiga. Embora seja raro, o tecido pode ser encontrado em outras partes do organismo como: nervos, pulmão e diafragma. Os estudos apontam uma prevalência de 10-15% das mulheres em idade fértil. Estima-se que  25% a 40% das mulheres com subfertilidade  apresentam endometriose, sendo uma das principais causas de infertilidade feminina.  A precisa patogênese (modo de desenvolvimento) da endometriose permanece obscura, mas é evidente que a endometriose surge da disseminação do endométrio para sítios ectópicos (fora do útero). Esses sítios ectópicos dão origem aos sintomas associado à doença. Entretanto, outros fatores são considerados importantes no desenvolvimento da endometriose, como a genética, os hormônios e o ambiente. “Os casos de endometriose hoje parecem ser mais prevalentes e esse aumento está ligado ao estilo de vida moderno. Hoje as mulheres têm filhos cada vez mais tarde e muitas optam por um único filho. Isso leva a um maior número de menstruações ao longo da vida. Além disso, o estresse, a obesidade e o sedentarismo também influenciam no funcionamento do sistema ginecológico”, explica Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico, especialista em cirurgia minimamente invasiva e no tratamento de endometriose. Veja agora as 5 principais dúvidas relacionadas à cirurgia de endometriose: Quando a cirurgia é indicada? A cirurgia para tratamento da endometriose é basicamente indicada em duas situações: na presença de dor crônica e/ou infertilidade. A técnica de escolha é a videolaparoscopia e/ou cirurgia robótica. A cirurgia proporciona melhora da qualidade de vida e restauração da fertilidade. É possível engravidar depois de tratar a endometriose? Muitas mulheres conseguem engravidar espontaneamente na presença de endometriose. Os tratamentos clínicos para a endometriose, com utilização de hormônios e anticoncepcionais que inibem a ovulação, não são indicados para tratar a infertilidade.  Descartadas outras causas para a infertilidade, a cirurgia proporciona maior probabilidade de alcançar gestação espontânea. Por que a cirurgia é útil para restaurar a fertilidade da mulher? A endometriose é uma doença que tem como característica muito comum à formação de aderências entre os órgãos da pelve, consequentemente levando ao total desarranjo da anatomia. A cirurgia por videolaparoscopia tem como princípio básico a retirada das aderências e a retirada das lesões de endometriose, restaurando a anatomia da pelve. Com o retorno da anatomia funcional da pelve e com a retirada das lesões da endometriose, que proporciona diminuição da produção de substâncias pró-inflamatórias, a mulher pode ter sua fertilidade restaurada e optar em engravidar naturalmente, sem a necessidade de recorrer à reprodução assistida. A cirurgia cura a endometriose? Infelizmente não. A endometriose é uma doença crônica que pode ser controlada com a cirurgia e com tratamento medicamentoso. Mesmo assim, estima-se uma taxa de recidiva de 20 % em 2 anos e de 50 % em 5 anos após o tratamento cirúrgico. Como é feita a videolaparoscopia? É uma cirurgia minimamente invasiva, feita por meio de pequenos cortes na altura do umbigo e em baixo ventre, mas isso vai depender da localização dos focos das lesões da endometriose. A anestesia usada é geral. A paciente fica internada de 24 a 48 horas e a recuperação total se dá em torno de 15 dias após o procedimento.