Infertilidade na endometriose pode estar ligada a defeito em enzima

Infertilidade na endometriose pode estar ligada a defeito em enzima

 55% das mulheres com diagnóstico de endometriose apresentam infertilidade, de acordo com pesquisa brasileira A medicina ainda não conseguiu elucidar totalmente porque a endometriose pode levar à infertilidade (incapacidade de engravidar por métodos naturais) ou até mesmo de levar a gestação até o final. Porém, um novo estudo, que acaba de ser publicado no Science Translational Medicine, apontou que uma das possíveis causas da infertilidade associadas à endometriose pode ser uma desregulação em uma enzima essencial para a formação do embrião e para a gravidez, a HDAC3. A HDAC3 é uma das enzimas da família das histonas deacetilases, cruciais para diversos processos biológicos, principalmente no enrolamento da cromatina, que forma os fios que resultam nas moléculas de DNA. Há muitos anos os pesquisadores estudam as disfunções nas histonas. As mutações e defeitos nessa família de enzimas estão ligadas, por exemplo, ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer e de doenças hematológicas, como a leucemia e os linfomas. Enzima é essencial para implantação do embrião A pesquisa mostrou que a expressão da HDAC3 foi significativamente menor nas mulheres com o diagnóstico de endometriose em comparação com as mulheres saudáveis. Além disso, a evolução da endometriose está relacionada à diminuição progressiva da enzima, de acordo com os pesquisadores que usaram modelos animais para fazer essa análise. Segundo o ginecologista e obstetra, Dr. Edvaldo Cavalcante, o estudo apontou que a deficiência da enzima prejudica a implantação do embrião na parede do útero. “A falta da enzima ou sua expressão irregular altera a decidualização. Trata-se de uma reação que ocorre na segunda semana da gestação, depois que o óvulo desce das tubas uterinas em direção ao útero para se implantar no endométrio”, explica o especialista. Porém, Dr. Edvaldo ressalta que apesar da relação da HDAC3 com a implantação do embrião no útero, a pesquisa não foi capaz de mostrar uma relação específica da disfunção da enzima com a infertilidade relacionada à endometriose. “O estudo foi importante para que novas descobertas, principalmente na área da genética, possam elucidar a infertilidade nas mulheres com endometriose, já que se trata de uma comorbidade com alto índice de prevalência. Inclusive, esta alta prevalência foi confirmada por nossa pesquisa no ano passado, realizada com 3 mil brasileiras”, comenta Dr. Edvaldo. “O que temos hoje, com base nas evidências científicas já muito bem estabelecidas, é que a infertilidade na endometriose está relacionada às alterações dos tecidos do aparelho reprodutor feminino, além da inflamação crônica, típica da patologia”, explica o ginecologista. Tratamento deve ser personalizado “Cada mulher deve ser tratada de forma individual. Nem todas terão dificuldades para engravidar. Além disso, muitas pacientes que passam pela cirurgia para remover as lesões da endometriose acabam engravidando naturalmente. Outras precisam recorrer aos métodos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro”, diz Dr. Edvaldo. Para o médico, que é especialista no tratamento cirúrgico e clínico da endometriose, assim como Médico Assistente do Setor de Algia Pélvica e Endometriose do Departamento de Ginecologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), o mais importante é que o diagnóstico da endometriose seja feito de forma precoce. “A pesquisa mostrou que a evolução da doença está ligada à queda da expressão da HDAC3. Quanto mais a doença evolui, sem o tratamento adequado, mais danos ela pode causar à saúde da mulher, inclusive na fertilidade”. “O tratamento médico, que pode ser clínico ou cirúrgico, tem como foco aliviar os sintomas, principalmente a dor pélvica. Já a cirurgia, além de tratar a dor, pode ajudar a melhorar a fertilidade em vários casos, recuperando a fertilidade natural da mulher”, encerra Dr. Edvaldo.

O que é janela de fertilidade?

O que é janela de fertilidade?

Conhecer o funcionamento do próprio corpo é fundamental para as mulheres que desejam engravidar naturalmente. Mesmo nas mais reguladas, podem haver variações importantes que impactam nas probabilidades de concepção. Por isso, é fundamental conhecer a “janela de fertilidade”. Mas, o que é isso? Segundo o ginecologista e cirurgião, Dr. Edvaldo Cavalcante, a janela de fertilidade é o intervalo de seis dias entre o início e o fim da ovulação. “É neste período que as chances de engravidar estão. Por isso, quanto mais a mulher conhecer seu ciclo e perceber as mudanças que ocorrem, maior a chance de conceber”. Segundo os estudos, é durante a janela de fertilidade que os óvulos e os espermatozoides atingem sua viabilidade máxima, ou seja, que apresentam todas as condições necessárias para a fertilização. “O intervalo máximo de fertilidade pode ser calculado por meio da análise do intervalo entre as menstruações, por kits que avaliam a ovulação e pela análise do muco cervical”, explica o médico. Em geral, o período fértil se inicia do primeiro dia em que o muco cervical de torna mais claro e elástico, com intensa lubrificação, prolongando-se pelo menos por três dias. A janela da fertilidade ocorre num intervalo de, no máximo, seis dias, sendo esses três os mais importantes para a concepção. O melhor dia A maior probabilidade de concepção é quando a relação sexual ocorre dentro do intervalo de três dias antes da ovulação, terminando no dia em que ela ocorre. Em um estudo, o pico da fertilidade foi observado quando a relação aconteceu dentro dos dois dias que antecederam a ovulação. Outra pesquisa mostrou que a maior probabilidade de gravidez acontece quando a relação sexual ocorre um dia antes da ovulação e começa a diminuir no dia provável da ovulação em diante. Entre as mulheres que descrevem o ciclo menstrual como geralmente regular, a probabilidade de concepção resulta de uma única relação sexual que ocorre durante o período presumido de ovulação. A probabilidade de gravidez aumenta de 3.2% no oitavo dia para 9.4% no décimo segundo dia e diminui para menos de 2% no 21º dia do ciclo. A frequência de relações sexuais está ligada diretamente à probabilidade de engravidar. Sendo assim, para quem deseja engravidar, é recomendado manter relações sexuais assim que termina o ciclo menstrual e continuar até o final presumido da ovulação.

O quanto você conhece seu muco cervical?

O quanto você conhece seu muco cervical?

Enquanto os meninos são criados para ter orgulho de seus corpos, mais especificamente de suas partes íntimas, a educação das meninas ainda é um pouco mais repressora no que diz respeito a conhecer o próprio corpo, mais especificamente a vagina. São poucas as mulheres que têm o costume de pegar um espelho para analisar o que anda acontecendo por lá. Para aquelas que desejam engravidar, porém, isso pode ser fundamental para conhecer as características do muco cervical, substância produzida pelas glândulas do colo uterino a partir da secreção de hormônios em diferentes fases do ciclo menstrual. Segundo o ginecologista, Dr. Edvaldo Cavalcante, observar o muco cervical é um método sem custo e personalizado para predizer a ovulação. “O pico da ovulação pode variar de forma considerável, mesmo em mulheres com ciclos regulares. Por isso, entender as características do muco ao longo do ciclo é muito importante para perceber o momento da ovulação”. Um estudo mostrou que mulheres que conseguem monitorar seus ciclos e perceber mudanças no muco cervical, na libido ou no humor têm 50% de chance a mais de prever quando estão ovulando. Variação do muco prediz o pico ovulatório As características do muco cervical variam de acordo com a fase do ciclo. A probabilidade de engravidar é maior quando o muco está claro e elástico. E quais são os outros tipos de muco? “O muco pode se apresentar em diferentes formas, como seco, ligeiramente úmido, viscoso e pegajoso e, finalmente, transparente e elástico, sendo este é o que mais aumenta a chance de engravidar quando se tem relações sexuais”, explica o médico. Para se ter uma ideia, a elasticidade pode atingir até 10 cm e fica parecido com a clara do ovo. Portanto, ficar de olho na característica do muco cervical é uma excelente maneira de entender o funcionamento do próprio corpo. “Em geral, o período fértil se inicia do primeiro dia em que o muco de torna mais claro e elástico, com intensa lubrificação, prolongando-se pelo menos por três dias. A janela da fertilidade ocorre num intervalo de, no máximo, seis dias, sendo esses três os mais importantes para a concepção”, comenta Dr. Edvaldo. Um estudo retrospectivo mostrou que a taxa de gravidez é aproximadamente 38% maior quando a relação sexual ocorre no primeiro dia do pico do muco transparente e elástico e 15 a 20% menor quando acontece no dia anterior ou posterior. Se você ainda não está convencida sobre a importância do muco cervical, um outro estudo mostrou que as mudanças do muco cervical ao logo do ciclo fértil conseguem predizer o dia específico para a concepção, tão bem quanto a temperatura basal ou o monitoramento do hormônio LH (hormônio luteinizante). 4 fatos sobre o muco cervical que você precisa saber Facilita o transporte do espermatozoide até o óvulo no período da ovulação, além de aumentar a lubrificação vaginal. É produzido o tempo todo, mas muda de textura nas fases do ciclo menstrual devido a ação dos hormônios. O muco cervical é um fator ligado à fertilidade, pois sua ausência pode indicar que a mulher não está ovulando. Não é corrimento! A mulher não precisa usar absorventes, assim como não é sinal de doenças ginecológicas. Mas, se mudar de cor, cheiro e estiver associado a outros sintomas, como dor e coceira é preciso investigar. Como aprender a identificar as características do muco? Existem algumas maneiras de aprender a identificar as características do muco cervical. No Brasil, o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante atua em uma metodologia nova para ensinamento e observação do muco cervical para auxiliar no tratamento da infertilidade, assim como para resgatar a fertilidade natural.

Como a vida moderna afeta a fertilidade

Como a vida moderna afeta a fertilidade

Os hábitos e comportamentos da vida moderna podem minar o sonho da maternidade. Muitas mulheres desconhecem que o estilo de vida atual pode trazer sérias consequências para a saúde do sistema reprodutor. Por isso, com a ajuda do médico ginecologista, obstetra e cirurgião ginecológico, Dr. Edvaldo Cavalcante, fizemos uma lista com os 4 principais fatores de risco para a fertilidade feminina. Estresse: Um estudo feito pela Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, mostrou que mulheres com altos níveis da enzima alfa-amilase (indicador biológico do estresse) têm 29% a menos de chance de engravidar a cada mês quando comparadas a mulheres com baixas taxas da substância. Além disso, as mais estressadas estão duas vezes mais perto de terem o diagnóstico de infertilidade (um ano de tentativas sem sucesso para engravidar) do que as menos estressadas. Obesidade e dieta rica em gordura: Um estudo recente mostrou que tanto a obesidade, quanto a ingestão excessiva de gordura, levam ao descontrole do ciclo ovulatório. Esses dois fatores podem alterar a função reprodutiva feminina e a presença de gordura no nas células reprodutivas podem prejudicar a qualidade dos óvulos. Sexo sem proteção: Uma pesquisa feita pela Gentis Panel, no final de 2016, revelou que 51% dos brasileiros sexualmente ativos não usam preservativo, o que aumenta significativamente o risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis, que podem afetar a fertilidade feminina. Estima-se que 70% das infecções genitais causadas por Clamídia, Gonococo, Mycroplasma  e Ureroplasma (agentes responsáveis pela Moléstia inflamatória pélvica – MIPA)  são assintomáticos. Essa infecção pode levar à obstrução das tubas uterinas e  abcessos tubovarianos.Quando não tratada, a MIPA pode levar à infertilidade em 20% dos casos e em 50% das mulheres que apresentam três ou mais episódios de infecção. Vale lembrar que também há aumento do risco de gravidez ectópica. Importante frisar que ter relação sem preservativo com múltiplos parceiros são fatores de risco para contrair DST. Adiar a gravidez: A maternidade tardia já é uma realidade no mundo moderno. Mas, a fertilidade feminina diminui naturalmente na medida em que a idade aumenta. A partir dos 35 anos, há diminuição da reserva de óvulos, assim como queda da qualidade dos mesmos e maiores riscos de alterações cromossômicas, má formação fetal e aborto espontâneo. Cuide da sua fertilidade natural Felizmente, estes fatores de risco para a infertilidade podem ser prevenidos. “A mulher que deseja ser mãe precisa adotar hábitos saudáveis desde o início da sua vida fértil, mesmo que a maternidade seja tardia. Quanto mais saudável ela estiver, maiores as chances de engravidar naturalmente”, explica Dr. Edvaldo. “Adotar uma alimentação saudável, manter o peso, praticar atividade física, não fumar, beber com moderação, assim como realizar os exames preventivos periódicos e gerenciar o estresse são atitudes fundamentais. Além disso, é preciso praticar o sexo seguro, sempre com preservativo e ficar atenta ao número de parceiros sexuais”, finaliza o médico.