Cirurgia robótica pode aumentar chance de gravidez em mulheres com miomas

Cirurgia robótica pode aumentar chance de gravidez em mulheres com miomas

Cerca da metade das mulheres que são submetidas a uma miomectomia assistida por robô consegue engravidar após o procedimento. Além do aumento da chance de conceber, a cirurgia também melhora a taxa de nascimento: 78% das gestações resultaram em bebês nascidos vivos. Esses dados são de um estudo retrospectivo, realizado por pesquisadores do Nimes University Hospital, na França. Um dos benefícios mais importantes da miomectomia é que ela preserva o útero, ao contrário da histerectomia, cirurgia que remove o órgão. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 200 a 300 mil mulheres são submetidas à histerectomia todos os anos. Cerca de 40% a 60% ou mais dessas cirurgias são justamente para a retirada dos miomas. A histerectomia é segunda cirurgia ginecológica mais realizada em mulheres em idade reprodutiva, só perde mesmo para cesárea. Indicação correta De acordo com Dr. Edvaldo Cavalcante, ginecologista e cirurgião ginecológico, os benefícios da miomectomia assistida pelo robô são conhecidos e evidenciados pelos estudos. Porém, infelizmente, a cirurgia tem indicações muito específicas. “Quando o útero está com seu volume muito aumentado, quando há muitos miomas ou ainda quando os miomas são muito grandes, pode ser necessário realizar a miomectomia aberta”. Mas, tanto a miomectomia por laparoscopia, com ou sem robô, quanto à miomectomia aberta, tem como finalidade preservar o útero, principalmente nas mulheres em idade reprodutiva ou ainda naquelas que desejam manter o órgão. “A histerectomia pode ser necessária em alguns casos, porém esgotamos todos os recursos antes de fazer essa indicação”, explica Dr. Edvaldo. Miomas e infertilidade Miomas são os tumores pélvicos benignos mais comuns em mulheres em idade fértil. Levam esse nome porque se desenvolvem no miométrio, a camada média da parede uterina. Nem todos os miomas causam infertilidade. “Contudo, aqueles que crescem no interior da cavidade uterina podem dificultar a concepção, além de elevar o risco de abortamento”, explica o médico. Cirurgia Robótica no Brasil De acordo com dados da fabricante do equipamento, da Vinci®, o Brasil conta com 74 robôs cirúrgicos, a maioria em hospitais privados da região Sudeste. Embora nos últimos anos houve um crescimento das cirurgias assistidas pelo robô, existe a necessidade de aumento de médicos cirurgiões certificados e treinados, bem como a expansão do equipamento para outras regiões.

Tudo que Você Precisa Saber sobre a Janela da Fertilidade

Tudo que Você Precisa Saber sobre a Janela da Fertilidade

Mulheres que conseguem monitorar seus ciclos têm 50% de chance a mais de prever quando estão ovulando Você planeja engravidar ou tem feito tentativas sem sucesso? Então, você precisa entender melhor a sua janela da fertilidade. Trata-se do intervalo de seis dias entre o início e o fim do período em que ocorre a ovulação. É durante essa fase do ciclo menstrual que estão as maiores chances de você conceber. Segundo Dr. Edvaldo Cavalcante, ginecologista e obstetra, é nesse intervalo de cerca de seis dias que os óvulos atingem sua viabilidade máxima, ou seja, que apresentam as condições ideais para a fertilização. “Entretanto, essa janela não é uma conta matemática. Esse período de maior fertilidade pode variar de um mês para o outro, de mulher para mulher. Por isso, é preciso conhecer o próprio corpo e contar com algumas ferramentas que podem ajudar nesses cálculos”, explica o médico. O melhor dia “Em geral, o período fértil se inicia no primeiro dia em que o muco cervical de torna mais claro e elástico, com intensa lubrificação, prolongando-se por pelo menos três dias. A janela da fertilidade ocorre num intervalo de, no máximo, seis dias, sendo os três primeiros dias os mais importantes para a concepção”, explica Dr. Edvaldo. Como está seu muco cervical? Além de você saber quando ocorre sua janela da fertilidade, é preciso aliar a isso o conhecimento sobre o seu muco cervical, substância produzida pelas glândulas do colo uterino a partir da secreção de hormônios em diferentes fases do ciclo menstrual. Segundo Dr. Edvaldo, observar o muco cervical é um método sem custo e personalizado para predizer a ovulação. “O pico da ovulação pode variar de forma considerável, mesmo em mulheres com ciclos regulares. Por isso, entender as características do muco ao longo do ciclo é muito importante para perceber o momento da ovulação”. Igual clara de ovo “As características do muco cervical variam de acordo com a fase do ciclo. A probabilidade de engravidar é maior quando o muco está claro, transparente, elástico e maior que 2,5 cm quando esticado com os dedos. Ao manipulá-lo, ele vai esticar e pode atingir até 10 cm, sendo que sua aparência lembra a clara do ovo”, exemplifica Dr. Edvaldo. Se você ainda não está convencida sobre a importância do muco cervical, um estudo mostrou que as mudanças do muco cervical ao logo do ciclo fértil conseguem predizer o dia específico para a concepção, tão bem quanto a temperatura basal ou o monitoramento do hormônio LH (hormônio luteinizante). As vantagens? É um método gratuito e não invasivo. Dr. Edvaldo ressalta que a presença do muco é de extrema importância, já que sua ausência pode indicar que a mulher não está ovulando. “A concepção depende da frequência sexual dentro da janela de fertilidade. Um casal saudável, sem nenhum tipo de intervenção médica, pode demorar até um ano para conceber ou 12 ciclos menstruais. Depois desse período, é preciso investigar se há algo que impeça a gravidez em ambos”, reforça o ginecologista. Vale lembrar ainda que há outros fatores que podem interferir na taxa de fertilidade, como estresse, fumo, obesidade, idade e doenças que causam infertilidade. Fertilidade Natural Tudo que é natural, é melhor. Isso também pode ser aplicado à fertilidade. Quando não há nenhum fator físico que impeça a concepção, antes de partir para técnicas de reprodução assistida, o casal pode tentar o método de gestação natural. E na hipótese de ter algum fator físico, como uma tuba uterina obstruída, por exemplo, é possível corrigir visando à gestação natural. “Por meio de uma orientação monitorada pelo ginecologista, é possível identificar a janela de fertilidade para resgatar a capacidade de conceber naturalmente”, finaliza Dr. Edvaldo.

Falência Ovariana pode levar à menopausa antes dos 40 anos de idade

Falência Ovariana pode levar à menopausa antes dos 40 anos de idade

Apesar de todos os avanços da medicina, há aspectos da saúde humana que não imutáveis. Um deles é o ciclo reprodutivo da mulher. Inevitavelmente, após os 40 anos, a fertilidade da mulher diminui e por volta dos 51 anos, em média, ocorre a chamada menopausa, ou seja, a última menstruação da mulher. Entretanto, para cerca de 1 a 3% das mulheres com menos de 40 anos, a menopausa pode acontecer antes do tempo, devido à Falência Ovariana Prematura (FOP). O que é FOP? Segundo o ginecologista e obstetra, Dr. Edvaldo Cavalcante, a FOP ocorre quando os ovários não funcionam como deveriam. “A FOP afeta a foliculogênese, ou seja, o processo de maturação de um folículo primordial em um folículo ovulatório. O folículo primordial é um oócito (célula que dá origem ao óvulo) envolvido por camadas de células protetoras. Eles são formados ainda na vida intrauterina. A principal função do folículo é proteger o oócito até seu crescimento e maturação, que só ocorre a partir da primeira menstruação”. “Entretanto, nem todos os folículos primordiais irão evoluir para folículos ovarianos. Durante o ciclo fértil, o FSH (hormônio folículo estimulante) é produzido para selecionar e estimular a maturação dos folículos. De todos os que são recrutados, apenas um é liberado para a fecundação, chamado de folículo dominante, ou simplesmente de óvulo”, explica Dr. Edvaldo. A FOP ocorre quando há níveis elevados de FSH nos exames associado à ausência de fluxo menstrual (amenorreia), antes dos 40 anos de idade. “O quadro é evidenciado pela diminuição da fertilidade natural. O que isso quer dizer? A mulher produz mais FSH do que deveria, porém não ovula e não menstrua, portanto não consegue engravidar”, diz Dr. Edvaldo. Causas podem ser genéticas e autoimunes A falência ovariana prematura é classificada em primária e secundária. Nas causas primárias entram as mutações genéticas, responsáveis por cerca de 5% dos casos. A mais conhecida de todas as síndromes causadas por alterações no cromossomo X é a síndrome de Turner, que afeta 1 em cada 2500 recém-nascidos do sexo feminino, em todo o mundo. “Essas alterações no cromossomo X podem causar diversas condições, como monossomia, trissomia, translocações, deleções ou os autossomos, prejudicando os processos de crescimento celular”, explica Dr. Edvaldo. Outra causa importante da FOP são as doenças autoimunes, que podem danificar os ovários, como o diabetes tipo 1, miastenia gravis, doenças da tireoide e reumatismo. Em aproximadamente 10% dos casos, a causa do mau funcionamento dos ovários é uma doença autoimune”, reforça o ginecologista. Já a FOP secundária pode ocorrer devido a infecções, ooforectomia bilateral, quimioterapia e radioterapia. “Em resumo, a FOP pode ocorrer de duas formas: quando há algum processo patológico que impede a formação dos folículos, mesmo que os mesmos estejam presentes ou ainda quando não há presença dos folículos primordiais, seja por alterações genéticas ou por doenças e tratamentos que levam à destruição folicular”, comenta Dr. Edvaldo. Diagnóstico pode demorar até 5 anos Quando a causa é desconhecida, o que ocorre em cerca de 65 % dos casos, o diagnóstico da FOP pode ser desafiador. “Excluindo o grupo das mulheres com alterações genéticas conhecidas, com doenças autoimunes ou aquelas que fizeram tratamentos como quimioterapia e radioterapia, os sinais e sintomas que antecedem a menopausa prematura podem não ser tão óbvios. Por isso, pode ser mais difícil chegar ao diagnóstico de forma precoce”, comenta Dr. Edvaldo. De acordo com a literatura e as evidências científicas, a maioria das mulheres diagnosticadas com FOP apresenta um histórico normal de ciclos menstruais e até mesmo de fertilidade antes da manifestação dos sintomas. Um sintoma que deve chamar a atenção é a falha em retomar a menstruação após parar de tomar pílulas anticoncepcionais ou até mesmo depois do parto “Além disso, mulheres com ciclos maiores que 35 dias (oligomenorreia) ou com ciclos com menos de 24 dias (polimenorreia) e sangramentos uterinos disfuncionais, também devem ser investigadas. Isso porque aproximadamente metade das mulheres com FOP apresenta função ovariana intermitente, ou seja, menstruações imprevisíveis”, acrescenta o ginecologista. Consequências da menopausa prematura “Como a FOP atinge mulheres mais novas, a principal consequência é a infertilidade. Muitas, inclusive, acabam descobrindo a condição quando tentam engravidar e não conseguem. Entretanto, o que mais preocupa é o aumento dos riscos de desenvolver outros problemas de saúde, como as doenças cardiovasculares, depressão, estresse, osteoporose e disfunções sexuais”, reforça Dr. Edvaldo. O tratamento é individualizado e pode ser feito com reposição hormonal. Para aquelas que desejam engravidar, a fertilização in vitro com óvulos doados é a única opção.

Infertilidade na endometriose pode estar ligada a defeito em enzima

Infertilidade na endometriose pode estar ligada a defeito em enzima

 55% das mulheres com diagnóstico de endometriose apresentam infertilidade, de acordo com pesquisa brasileira A medicina ainda não conseguiu elucidar totalmente porque a endometriose pode levar à infertilidade (incapacidade de engravidar por métodos naturais) ou até mesmo de levar a gestação até o final. Porém, um novo estudo, que acaba de ser publicado no Science Translational Medicine, apontou que uma das possíveis causas da infertilidade associadas à endometriose pode ser uma desregulação em uma enzima essencial para a formação do embrião e para a gravidez, a HDAC3. A HDAC3 é uma das enzimas da família das histonas deacetilases, cruciais para diversos processos biológicos, principalmente no enrolamento da cromatina, que forma os fios que resultam nas moléculas de DNA. Há muitos anos os pesquisadores estudam as disfunções nas histonas. As mutações e defeitos nessa família de enzimas estão ligadas, por exemplo, ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer e de doenças hematológicas, como a leucemia e os linfomas. Enzima é essencial para implantação do embrião A pesquisa mostrou que a expressão da HDAC3 foi significativamente menor nas mulheres com o diagnóstico de endometriose em comparação com as mulheres saudáveis. Além disso, a evolução da endometriose está relacionada à diminuição progressiva da enzima, de acordo com os pesquisadores que usaram modelos animais para fazer essa análise. Segundo o ginecologista e obstetra, Dr. Edvaldo Cavalcante, o estudo apontou que a deficiência da enzima prejudica a implantação do embrião na parede do útero. “A falta da enzima ou sua expressão irregular altera a decidualização. Trata-se de uma reação que ocorre na segunda semana da gestação, depois que o óvulo desce das tubas uterinas em direção ao útero para se implantar no endométrio”, explica o especialista. Porém, Dr. Edvaldo ressalta que apesar da relação da HDAC3 com a implantação do embrião no útero, a pesquisa não foi capaz de mostrar uma relação específica da disfunção da enzima com a infertilidade relacionada à endometriose. “O estudo foi importante para que novas descobertas, principalmente na área da genética, possam elucidar a infertilidade nas mulheres com endometriose, já que se trata de uma comorbidade com alto índice de prevalência. Inclusive, esta alta prevalência foi confirmada por nossa pesquisa no ano passado, realizada com 3 mil brasileiras”, comenta Dr. Edvaldo. “O que temos hoje, com base nas evidências científicas já muito bem estabelecidas, é que a infertilidade na endometriose está relacionada às alterações dos tecidos do aparelho reprodutor feminino, além da inflamação crônica, típica da patologia”, explica o ginecologista. Tratamento deve ser personalizado “Cada mulher deve ser tratada de forma individual. Nem todas terão dificuldades para engravidar. Além disso, muitas pacientes que passam pela cirurgia para remover as lesões da endometriose acabam engravidando naturalmente. Outras precisam recorrer aos métodos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro”, diz Dr. Edvaldo. Para o médico, que é especialista no tratamento cirúrgico e clínico da endometriose, assim como Médico Assistente do Setor de Algia Pélvica e Endometriose do Departamento de Ginecologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), o mais importante é que o diagnóstico da endometriose seja feito de forma precoce. “A pesquisa mostrou que a evolução da doença está ligada à queda da expressão da HDAC3. Quanto mais a doença evolui, sem o tratamento adequado, mais danos ela pode causar à saúde da mulher, inclusive na fertilidade”. “O tratamento médico, que pode ser clínico ou cirúrgico, tem como foco aliviar os sintomas, principalmente a dor pélvica. Já a cirurgia, além de tratar a dor, pode ajudar a melhorar a fertilidade em vários casos, recuperando a fertilidade natural da mulher”, encerra Dr. Edvaldo.

Endometriose pode aumentar risco de parto prematuro?

Endometriose pode aumentar risco de parto prematuro?

Segundo pesquisa realizada pelo ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante em parceria com o Gapendi (Grupo de Apoio às Portadoras de Endometriose e Infertilidade), 55% das mulheres com endometriose também foram diagnosticadas com infertilidade. Além da dificuldade para engravidar, a endometriose pode também aumentar o risco de um parto prematuro, assim como de que o bebê nasça pequeno para a idade gestacional (PIG). Essas afirmações são fruto de uma meta-análise, publicada Acta Obstetricia et Gynecologica Scandinavica (1), que avaliou 21 estudos com 2.517.516 mulheres que preencheram os critérios de inclusão da pesquisa. Os resultados mostraram que as mulheres com endometriose tinham uma probabilidade de parto prematuro aumentada em 1,47 e de bebês pequenos de 1,26 quando comparadas a mulheres sem o diagnóstico. O estudo também avaliou as mulheres com adenomiose e para esse público os números foram ainda maiores: 3,09 para o parto prematuro e 3,23 para bebês pequenos quando comparadas a mulheres saudáveis. Portanto, a conclusão do estudo foi que mulheres com endometriose ou adenomiose apresentam risco aumentado tanto para um parto prematuro, quanto de ter um bebê pequeno para a idade gestacional (PIG). Assim, a recomendação é que o acompanhamento pré-natal neste grupo seja ainda mais rígido e feito com maior frequência do que em mulheres sem esses diagnósticos. Endometriose x Adenomiose Apesar do nome parecido e de semelhanças nos sintomas e consequências das doenças, são patologias diferentes. “A endometriose se caracteriza pelo crescimento de tecido endometrial fora da cavidade uterina, ou seja, do lado de fora do útero. Pode atingir ovários, trompas, bexiga, intestino, etc. Já a adenomiose se caracteriza pela invasão de células endometriais no miométrio, a camada muscular do útero’, explica Dr. Edvaldo. Fatores de risco Sabe-se que grande parte das mulheres com endometriose e adenomiose, que são diagnosticadas com infertilidade, recorrem à reprodução assistida para engravidar, como a inseminação artificial e/ou a fertilização in vitro (FIV). “E sabe-se que essas técnicas aumentam a probabilidade de nascimentos múltiplos, com risco maior de parto prematuro e de bebês menores”, comenta o médico. Mas, no estudo, os pesquisadores fizeram uma subanálise para avaliar o risco de parto prematuro em partos únicos. Os resultados mostraram que mesmo em partos únicos, o risco do parto prematuro persistiu. Outro estudo (2), também uma meta-análise, mostrou que a endometriose aumenta o risco de parto prematuro, independente se a mulher engravidou naturalmente ou por meio da reprodução assistida. Para o médico, os estudos são importantes para reforçar a necessidade de fazer um pré-natal ainda mais rigoroso nas mulheres com ambos os diagnósticos. “Entretanto, graças aos avanços na medicina fetal e neonatal, os riscos da prematuridade e do bebê ser menor do que o esperado para idade gestacional (peso menor ou igual a 2,5 kg) podem ser avaliados e tratados para prevenir ou minimizar as condições que podem acontecer”, diz o médico. O segredo, portanto, é cuidar bem da gravidez e seguir as recomendações médicas para ter uma gravidez e um parto tranquilos. Ref: (1) https://obgyn.onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/aogs.13364 (2) http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1933719117749760?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori:rid:crossref.org&rfr_dat=cr_pub%3dpubmed

Pesquisa revela que 1 em cada 4 mulheres com endometriose sente dor quase todos os dias

Pesquisa revela que 1 em cada 4 mulheres com endometriose sente dor quase todos os dias

A endometriose é uma doença crônica, sem cura, que atinge de 10 a 15% das mulheres em idade fértil. Para traçar um perfil das pacientes e entender melhor os impactos da endometriose na vida das mulheres brasileiras, o Gapendi (Grupo de Apoio às Portadoras de Endometriose e Infertilidade), juntamente com o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante, especialista no tratamento clínico e cirúrgico da endometriose, realizaram uma pesquisa com 3 mil mulheres, entre os meses de janeiro e fevereiro de 2018. Confira abaixo os resultados. Diagnóstico e Tratamento A pesquisa brasileira confirmou o que a literatura internacional mostra: o diagnóstico da endometriose é demorado. Por aqui, 38% das mulheres demoram de 5 a 8 anos para ter a confirmação, sendo que 14% demoram mais de 8 anos. A média mundial é de 7 anos. Além da demora no diagnóstico, as entrevistadas afirmaram que tiveram de passar por vários médicos até chegar a um especialista capaz de dar a palavra final e tratar adequadamente a condição. No Brasil, a pesquisa mostrou que 74,8% das mulheres precisaram visitar mais de 3 médicos para receber a confirmação do diagnóstico.  Em relação ao tratamento, 7 em cada 10 mulheres com endometriose precisaram fazer ao menos uma cirurgia para tratar a doença. Dor crônica Um dos aspectos que mais impactam na qualidade de vida das mulheres com endometriose é a dor. E esse sintoma faz parte, quase que diariamente, da vida de 25% das entrevistadas. E para 35% delas, a dor está presente cerca de 15 dias por mês. “Embora algumas mulheres sejam assintomáticas, essa pesquisa mostrou que no Brasil a maioria das pacientes sente dor. A dor é um dos sintomas que mais afetam a saúde física e emocional das mulheres, podendo inclusive impedi-las de realizar as atividades mais básicas, como trabalhar, estudar, namorar, entre outras”, comenta Dr. Edvaldo. E a pesquisa corroborou essa informação: 8 em cada 10 mulheres afirmaram que já deixaram de trabalhar, namorar, sair com amigos, brincar com os filhos, limpar a casa, entre outras atividades cotidianas, devido à endometriose. Vida profissional Como qualquer doença crônica, a endometriose interfere negativamente na vida profissional das mulheres com esta condição. A pesquisa revelou que 6 em cada 10 faltam ou já faltaram ao trabalho devido ao tratamento ou à dor. E tem mais: 48% das entrevistadas já precisaram entrar no auxílio-doença, pelo menos uma vez. “Esses dados confirmam o que os estudos internacionais já demonstraram: as mulheres com endometriose, quando comparadas à população saudável, têm uma renda menor e um importante impacto financeiro por conta da doença”, reflete Marília Gabriela, uma das fundadoras do Gapendi, que chegou a ficar cinco anos afastada do trabalho devido às complicações da endometriose. Estigma A maioria das mulheres, 55,8%, afirmou que a família, os colegas de trabalho e os amigos não entendem o que é conviver com a doença. Segundo a maioria das entrevistadas, as pessoas próximas consideram as queixas como “frescura” ou “exagero”, o que contribui para estigmatizar ainda mais a condição. “Boa parte das mulheres sente cólicas menstruais e sempre ouvimos falar que isso é normal. Porém, as cólicas nas mulheres que têm endometriose são muito intensas e incapacitantes, não passam com analgésicos simples e compressas mornas. Muitas vezes, é preciso ir para a emergência de um hospital para ter alívio da dor. O estigma da “frescura” ou do “exagero” é reforçado por quem não conhece a doença e afeta ainda mais o estado psicológico das mulheres que são atingidas pela doença”, reflete Marília. Comorbidades A endometriose é uma doença que não vem só. Ela traz consigo outras condições de saúde, ou seja, comorbidades. A pesquisa mostrou que 50% das entrevistadas recebeu o diagnóstico de ansiedade e estresse e um terço de depressão. Já a infertilidade, outro aspecto importante da endometriose, atinge 55% das mulheres brasileiras diagnosticadas com a patologia. Apesar do impacto na saúde mental, a pesquisa revelou que a maioria das portadoras de endometriose não é orientada a procurar apoio psicoterápico para lidar com a doença e metade daquelas que são orientadas não o faz por falta de recursos financeiros. Como as brasileiras lidam com a endometriose É na internet, mais especificamente nos grupos de ajuda, que 67% das brasileiras com endometriose encontram apoio para lidar com a doença. Para Marília Gabriela, diagnosticada com a endometriose em 2008, esse é um dado muito importante. “O Gapendi foi criado em 2009 por mulheres com endometriose que passavam pelas mesmas dificuldades, como falta de médicos especialistas, dores, falta de apoio, preconceito, etc. Se hoje a doença ainda é incompreendida, imagine há 10 anos”. “Quando a mulher descobre a endometriose se sente muito perdida e sozinha e pode até questionar se o diagnóstico está correto. Nos grupos, essa mulher se sente acolhida e percebe que não está sozinha, uma ajuda a outra. Inclusive, nosso grupo e os demais preenchem essa lacuna da falta de acesso à psicoterapia”, comenta Marília. Por último e não menos importante, a pesquisa trouxe um ranking das áreas mais afetadas pela endometriose. Em primeiro lugar ficou a autoestima. “A endometriose afeta muito nossa autoestima. O tratamento clínico é feito com hormônios que engordam. Muitas apresentam inchaço abdominal intenso. Outras precisam passar por diversas cirurgias e, em muitos casos, tirar os órgãos reprodutores. Isso pode impactar, por exemplo, na impossibilidade de ter filhos e gera um sentimento de incapacidade, de ser menos mulher”, comenta Marília.

Entenda melhor a endometriose profunda

Entenda melhor a endometriose profunda

A endometriose se caracteriza pela presença de tecido endometrial (semelhante ao que reveste a cavidade uterina) fora do útero e atinge de 10 a 15% das mulheres em idade fértil. O tecido cresce em outros locais, se implantando na cavidade pélvica. Quando esses implantes alcançam uma profundidade maior que 0,5 cm e afetam outras estruturas e órgãos, como os ligamentos que sustentam o útero (útero-sacros), a bexiga, ureteres, o espaço entre o reto, útero e vagina (septo reto-vaginal) e o intestino, é chamada de Endometriose Profunda, sendo uma forma agressiva da doença. Segundo o cirurgião ginecológico Dr. Edvaldo Cavalcante, a endometriose profunda é uma forma mais agressiva desta patologia. Sendo assim, há uma severidade maior na manifestação dos sintomas, que pode afetar o bem-estar e qualidade de vida das mulheres. Em casos mais avançados, os implantes podem atingir nervos, diafragma e até pulmões. “A endometriose profunda manifesta-se por meio de diversos sintomas, sendo a dor pélvica crônica a mais importante, assim como a dismenorreia (cólica menstrual), fluxo menstrual abundante e dispareunia (dor durante ou logo depois da relação sexual). Também podem ocorrer dores para urinar, dor no fundo das costas, sangramento anal na época da menstruação e dificuldade para engravidar”, explica Dr. Edvaldo. “Os implantes do tecido endometrial passam por mudanças de acordo com o ciclo menstrual, com sangramentos periódicos. Essas hemorragias induzem a uma intensa reação inflamatória na região pélvica, com formação de aderências e distorção das tubas uterinas e ovários, entre outros impactos. Esse aspecto da endometriose é um dos principais fatores que levam à dor pélvica, que tende a ser pior justamente na época da menstruação”, explica o médico. Diagnóstico O diagnóstico é feito com base na avaliação clínica e em exames de imagem, como o ultrassom transvaginal com preparo intestinal. Além disso, a ressonância magnética é de grande importância no diagnóstico da endometriose. Todo caso é cirúrgico? Atualmente, a cirurgia não é a primeira opção para o tratamento da endometriose. Adota-se uma conduta conservadora, com o uso de medicamentos para controlar os sintomas e suspender a menstruação. “Entretanto, nas mulheres que não respondem ao tratamento hormonal, que apresentam um quadro de dor crônica e crescimento das lesões, há indicação para remoção cirúrgica dos implantes”, explica Dr. Edvaldo. Vale ressaltar que a terapia hormonal usada para tratar a endometriose é contraceptiva. Assim, a cirurgia também pode ser indicada para as mulheres que desejam engravidar. A cirurgia deve sempre ser realizada por um ginecologista especialista em cirurgia endoscópica. Quando há envolvimento do intestino é necessária a participação de uma equipe multidisciplinar – composta por um coloproctologista, além do cirurgião ginecológico. Vários estudos mostram que a remoção das lesões da endometriose, principalmente as que atingem o intestino, está associada a uma melhora significativa dos sintomas gastrintestinais e na qualidade de vida. “Apesar da melhora da dor, é preciso lembrar que a cirurgia não cura a doença, pois a endometriose é uma doença crônica. A taxa de recidiva é muito variável, segundo a literatura, podendo variar de 8 a 20 % em 2 anos e de até 40 % em 5 anos após o tratamento cirúrgico”, comenta o médico. Cirurgia robótica A cirurgia robótica representa o avanço mais significativo em cirurgia minimamente invasiva. “Como a endometriose profunda é complexa devido à penetração das lesões nos órgãos e tecidos, a cirurgia robótica pode ser recomendada. Isso devido ao seu alto nível de detalhamento das estruturas anatômicas e precisão dos movimentos, dando mais conforto e segurança para o cirurgião”, explica Dr. Edvaldo.

O que é janela de fertilidade?

O que é janela de fertilidade?

Conhecer o funcionamento do próprio corpo é fundamental para as mulheres que desejam engravidar naturalmente. Mesmo nas mais reguladas, podem haver variações importantes que impactam nas probabilidades de concepção. Por isso, é fundamental conhecer a “janela de fertilidade”. Mas, o que é isso? Segundo o ginecologista e cirurgião, Dr. Edvaldo Cavalcante, a janela de fertilidade é o intervalo de seis dias entre o início e o fim da ovulação. “É neste período que as chances de engravidar estão. Por isso, quanto mais a mulher conhecer seu ciclo e perceber as mudanças que ocorrem, maior a chance de conceber”. Segundo os estudos, é durante a janela de fertilidade que os óvulos e os espermatozoides atingem sua viabilidade máxima, ou seja, que apresentam todas as condições necessárias para a fertilização. “O intervalo máximo de fertilidade pode ser calculado por meio da análise do intervalo entre as menstruações, por kits que avaliam a ovulação e pela análise do muco cervical”, explica o médico. Em geral, o período fértil se inicia do primeiro dia em que o muco cervical de torna mais claro e elástico, com intensa lubrificação, prolongando-se pelo menos por três dias. A janela da fertilidade ocorre num intervalo de, no máximo, seis dias, sendo esses três os mais importantes para a concepção. O melhor dia A maior probabilidade de concepção é quando a relação sexual ocorre dentro do intervalo de três dias antes da ovulação, terminando no dia em que ela ocorre. Em um estudo, o pico da fertilidade foi observado quando a relação aconteceu dentro dos dois dias que antecederam a ovulação. Outra pesquisa mostrou que a maior probabilidade de gravidez acontece quando a relação sexual ocorre um dia antes da ovulação e começa a diminuir no dia provável da ovulação em diante. Entre as mulheres que descrevem o ciclo menstrual como geralmente regular, a probabilidade de concepção resulta de uma única relação sexual que ocorre durante o período presumido de ovulação. A probabilidade de gravidez aumenta de 3.2% no oitavo dia para 9.4% no décimo segundo dia e diminui para menos de 2% no 21º dia do ciclo. A frequência de relações sexuais está ligada diretamente à probabilidade de engravidar. Sendo assim, para quem deseja engravidar, é recomendado manter relações sexuais assim que termina o ciclo menstrual e continuar até o final presumido da ovulação.

Qual a relação de miomas com abortos recorrentes?

Qual a relação de miomas com abortos recorrentes?

Poucos eventos ligados à gravidez causam tanto desamparo e impotência do que saber que você vai se tornar mãe para, em seguida, sofrer um aborto espontâneo. Surpreendentemente, a perda do bebê nos primeiros meses de vida é algo comum: 15% das futuras mamães poderão passar por isso. No entanto, estatísticas mostram que se a primeira gravidez terminou em um aborto, há mais ou menos 14% de chance de a gravidez seguinte não ser bem-sucedida novamente. Depois de dois abortos espontâneos, as chances de ter um terceiro praticamente dobram, ficando em torno de 26% O aborto recorrente ou habitual é aquele que ocorre por três vezes, de forma consecutiva, antes de 20 semanas de gestação. Entre 1% a 2% das mulheres sofrem abortos recorrentes. Extração do mioma reduz chance de abortos recorrentes A medicina está longe de fechar todas as causas dos abortos recorrentes, porque apenas em metade dos casos é possível identificar uma origem específica para o problema. Sabe-se com certeza absoluta, por exemplo, que anormalidades nos cromossomos estão entre as causas. Alguns problemas no útero, entre eles miomas, pólipos e disfunção hormonal também estão ligados à condição. A boa notícia é que a remoção cirúrgica de miomas que distorcem a cavidade do útero foi capaz de reduzir o risco de aborto no segundo trimestre de gravidez a zero. Foi o que mostrou um estudo publicado na revista Human Reproduction. “Alguns tipos de mioma nascem na parede uterina. Ao crescerem, eles podem distorcer a cavidade do órgão. São os chamados miomas intramurais, uma das causas de infertilidade”, comenta Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico. Foi a primeira vez que se encontrou evidências de que esse tipo de mioma está entre as causas de abortos habituais. Sabia-se que eles estavam associados aos abortos espontâneos, mas não recorrentes. O estudo estimou, ainda, que a prevalência de miomas em mulheres com abortos recorrentes chega a 8,2%. Miomectomia preserva o útero A miomectomia é a técnica cirúrgica utilizada para preservar o útero em mulheres que desejam engravidar. Ela pode ser realizada por meio de técnicas minimamente invasivas, com menos riscos, menor custo e recuperação mais rápida. Entre as técnicas utilizadas estão a videolaparoscopia, videohisteroscopia ou ainda a miomectomia por cirurgia robótica, esta última indicada para casos mais complexos ou mais delicados, que necessitam de alto detalhamento e precisão.

O quanto você conhece seu muco cervical?

O quanto você conhece seu muco cervical?

Enquanto os meninos são criados para ter orgulho de seus corpos, mais especificamente de suas partes íntimas, a educação das meninas ainda é um pouco mais repressora no que diz respeito a conhecer o próprio corpo, mais especificamente a vagina. São poucas as mulheres que têm o costume de pegar um espelho para analisar o que anda acontecendo por lá. Para aquelas que desejam engravidar, porém, isso pode ser fundamental para conhecer as características do muco cervical, substância produzida pelas glândulas do colo uterino a partir da secreção de hormônios em diferentes fases do ciclo menstrual. Segundo o ginecologista, Dr. Edvaldo Cavalcante, observar o muco cervical é um método sem custo e personalizado para predizer a ovulação. “O pico da ovulação pode variar de forma considerável, mesmo em mulheres com ciclos regulares. Por isso, entender as características do muco ao longo do ciclo é muito importante para perceber o momento da ovulação”. Um estudo mostrou que mulheres que conseguem monitorar seus ciclos e perceber mudanças no muco cervical, na libido ou no humor têm 50% de chance a mais de prever quando estão ovulando. Variação do muco prediz o pico ovulatório As características do muco cervical variam de acordo com a fase do ciclo. A probabilidade de engravidar é maior quando o muco está claro e elástico. E quais são os outros tipos de muco? “O muco pode se apresentar em diferentes formas, como seco, ligeiramente úmido, viscoso e pegajoso e, finalmente, transparente e elástico, sendo este é o que mais aumenta a chance de engravidar quando se tem relações sexuais”, explica o médico. Para se ter uma ideia, a elasticidade pode atingir até 10 cm e fica parecido com a clara do ovo. Portanto, ficar de olho na característica do muco cervical é uma excelente maneira de entender o funcionamento do próprio corpo. “Em geral, o período fértil se inicia do primeiro dia em que o muco de torna mais claro e elástico, com intensa lubrificação, prolongando-se pelo menos por três dias. A janela da fertilidade ocorre num intervalo de, no máximo, seis dias, sendo esses três os mais importantes para a concepção”, comenta Dr. Edvaldo. Um estudo retrospectivo mostrou que a taxa de gravidez é aproximadamente 38% maior quando a relação sexual ocorre no primeiro dia do pico do muco transparente e elástico e 15 a 20% menor quando acontece no dia anterior ou posterior. Se você ainda não está convencida sobre a importância do muco cervical, um outro estudo mostrou que as mudanças do muco cervical ao logo do ciclo fértil conseguem predizer o dia específico para a concepção, tão bem quanto a temperatura basal ou o monitoramento do hormônio LH (hormônio luteinizante). 4 fatos sobre o muco cervical que você precisa saber Facilita o transporte do espermatozoide até o óvulo no período da ovulação, além de aumentar a lubrificação vaginal. É produzido o tempo todo, mas muda de textura nas fases do ciclo menstrual devido a ação dos hormônios. O muco cervical é um fator ligado à fertilidade, pois sua ausência pode indicar que a mulher não está ovulando. Não é corrimento! A mulher não precisa usar absorventes, assim como não é sinal de doenças ginecológicas. Mas, se mudar de cor, cheiro e estiver associado a outros sintomas, como dor e coceira é preciso investigar. Como aprender a identificar as características do muco? Existem algumas maneiras de aprender a identificar as características do muco cervical. No Brasil, o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante atua em uma metodologia nova para ensinamento e observação do muco cervical para auxiliar no tratamento da infertilidade, assim como para resgatar a fertilidade natural.