É possível retirar um mioma e preservar o útero?

É possível retirar um mioma e preservar o útero?

O tratamento definitivo para os miomas, os tumores pélvicos sólidos benignos mais frequentes em mulheres em idade reprodutiva, é a retirada do útero (histerectomia). Porém, em mulheres jovens que desejam engravidar essa não é uma opção. Nestes casos, a cirurgia recomendada é a miomectomia. Geralmente, a cirurgia é indicada quando há presença de sintomas, rápido crescimento do mioma, distorção da cavidade uterina e oclusão tubária em mulheres que desejam engravidar. A miomectomia pode ser realizada por meio de diferentes técnicas cirúrgicas e a escolha do médico irá depender de uma série de fatores. Atualmente, a miomectomia pode ser realizada por meio de técnicas minimamente invasivas. Este tipo de cirurgia representa menos riscos, menor custo e recuperação mais rápida. Veja abaixo as principais técnicas minimamente invasivas que podem ser usadas para retirar os miomas preservando o útero: Miomectomia por videolaparoscopia: é uma técnica minimamente invasiva, feita por meio de pequenas incisões na parede abdominal com auxílio de uma câmera. Miomectomia por videohisteroscopia: é um procedimento cirúrgico realizado através da via vaginal, sem cortes. O cirurgião utiliza uma câmera e o histeroscópio (alça de corte) para analisar a cavidade uterina. Miomectomia robótica: podemos dizer que é a evolução da miomectomia laparoscópica. Representa o avanço mais significativo em cirurgia minimamente invasiva. Sentado em uma estação de trabalho, na sala do centro cirúrgico ao lado da paciente, o cirurgião opera com as mesmas incisões da videolaparoscopia e com uma visão em 3D de alta definição que proporciona melhor capacidade de identificação dos tecidos, dos vasos sanguíneos e dos nervos durante a cirurgia. A cirurgia robótica tem a sua indicação para os casos mais complexos ou mais delicados que necessitam de alto detalhamento e precisão. Gravidez pós-miomectomia É importante ressaltar que nem todas as mulheres conseguirão engravidar depois da retirada dos miomas. Em geral, as taxas de gestação pós-cirurgia variam de 40% a 50%. Alguns fatores podem interferir na probabilidade de engravidar, como idade, duração e causas da infertilidade. Segundo um estudo publicado no Journal  of Obstetrics and Gynaecology após uma miomectomia, 1 em cada 4 mulheres consegue conceber, independente da técnica cirúrgica empregada.

Como a vida moderna afeta a fertilidade

Como a vida moderna afeta a fertilidade

Os hábitos e comportamentos da vida moderna podem minar o sonho da maternidade. Muitas mulheres desconhecem que o estilo de vida atual pode trazer sérias consequências para a saúde do sistema reprodutor. Por isso, com a ajuda do médico ginecologista, obstetra e cirurgião ginecológico, Dr. Edvaldo Cavalcante, fizemos uma lista com os 4 principais fatores de risco para a fertilidade feminina. Estresse: Um estudo feito pela Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, mostrou que mulheres com altos níveis da enzima alfa-amilase (indicador biológico do estresse) têm 29% a menos de chance de engravidar a cada mês quando comparadas a mulheres com baixas taxas da substância. Além disso, as mais estressadas estão duas vezes mais perto de terem o diagnóstico de infertilidade (um ano de tentativas sem sucesso para engravidar) do que as menos estressadas. Obesidade e dieta rica em gordura: Um estudo recente mostrou que tanto a obesidade, quanto a ingestão excessiva de gordura, levam ao descontrole do ciclo ovulatório. Esses dois fatores podem alterar a função reprodutiva feminina e a presença de gordura no nas células reprodutivas podem prejudicar a qualidade dos óvulos. Sexo sem proteção: Uma pesquisa feita pela Gentis Panel, no final de 2016, revelou que 51% dos brasileiros sexualmente ativos não usam preservativo, o que aumenta significativamente o risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis, que podem afetar a fertilidade feminina. Estima-se que 70% das infecções genitais causadas por Clamídia, Gonococo, Mycroplasma  e Ureroplasma (agentes responsáveis pela Moléstia inflamatória pélvica – MIPA)  são assintomáticos. Essa infecção pode levar à obstrução das tubas uterinas e  abcessos tubovarianos.Quando não tratada, a MIPA pode levar à infertilidade em 20% dos casos e em 50% das mulheres que apresentam três ou mais episódios de infecção. Vale lembrar que também há aumento do risco de gravidez ectópica. Importante frisar que ter relação sem preservativo com múltiplos parceiros são fatores de risco para contrair DST. Adiar a gravidez: A maternidade tardia já é uma realidade no mundo moderno. Mas, a fertilidade feminina diminui naturalmente na medida em que a idade aumenta. A partir dos 35 anos, há diminuição da reserva de óvulos, assim como queda da qualidade dos mesmos e maiores riscos de alterações cromossômicas, má formação fetal e aborto espontâneo. Cuide da sua fertilidade natural Felizmente, estes fatores de risco para a infertilidade podem ser prevenidos. “A mulher que deseja ser mãe precisa adotar hábitos saudáveis desde o início da sua vida fértil, mesmo que a maternidade seja tardia. Quanto mais saudável ela estiver, maiores as chances de engravidar naturalmente”, explica Dr. Edvaldo. “Adotar uma alimentação saudável, manter o peso, praticar atividade física, não fumar, beber com moderação, assim como realizar os exames preventivos periódicos e gerenciar o estresse são atitudes fundamentais. Além disso, é preciso praticar o sexo seguro, sempre com preservativo e ficar atenta ao número de parceiros sexuais”, finaliza o médico.

Mioma pode afetar a fertilidade da mulher?

Mioma pode afetar a fertilidade da mulher?

Miomas ou leiomiomas uterinos são os tumores pélvicos sólidos benignos mais frequentes em mulheres em idade reprodutiva. O mioma surge quando há um desenvolvimento anormal das células do tecido muscular do útero que leva à formação de massa sólida e recebe esse nome porque se desenvolve no miométrio, a camada média da parede uterina. Segundo Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico, a maioria das mulheres não apresenta sintomas e acaba descobrindo o mioma nos exames preventivos. “A presença dos sintomas depende de alguns fatores, como localização, quantidade, tamanho e alterações na anatomia pélvica causadas pelo tumor”, explica. Um estudo global (1), publicado recentemente nos Estados Unidos, mostrou que a prevalência do mioma é muito variável, de 4,5% a 68,8%, pois depende da população estudada e do método de diagnóstico. No Brasil, segundo estudo realizado em 2013, a prevalência em mulheres brasileiras é de 23% (2). O mioma causa sintomas severos em apenas 25% das mulheres (1). Sintomas podem passar despercebidos “A hemorragia uterina é o sintoma mais frequente, seguido do desconforto e de dores na região pélvica. A anemia causada por falta de ferro (ferropriva) também é muito frequente nas mulheres que apresentam hemorragias devido à presença de mioma. Muitas pacientes também podem ainda ter cólicas menstruais mais intensas e dores durante a relação sexual (dispareunia), assim como uma necessidade maior de urinar”, diz Dr. Edvaldo. Causa exata permanece desconhecida A etiologia, ou seja, porque o mioma se forma ainda é um mistério para a medicina. Mas, o que se sabe é que o mioma é sensível à ação do estrogênio e da progesterona, portanto estes hormônios têm influência em seu desenvolvimento. “Na menopausa é comum o mioma diminuir ou até mesmo desaparecer, pois há queda da produção destes hormônios. Segundo estatísticas, na gravidez pode ocorrer tanto aumento, diminuição como nenhuma alteração”, explica Dr. Edvaldo. Fatores de Risco Casos de família: o histórico familiar de mioma (mãe ou irmãs) aumenta o risco de 4 a 5 vezes; Idade: A idade é outro fator importante, já que a incidência é maior entre mulheres com idades entre 40 e 50 anos. Menstruação precoce: Quando a mulher menstrua cedo, isso aumenta o número de divisões celulares no miométrio o que eleva a probabilidade de mutações genéticas responsáveis pela proliferação miometrial. Etnia: Mulheres afrodescendentes apresentam risco aumentado de 2 a 3 vezes. Como tratar? A retirada do útero é o único tratamento definitivo para o mioma. Porém, este tipo de cirurgia é usado como último recurso de manejo do mioma. Além disso, ele não é uma opção para as mulheres que desejam engravidar. “Há medicamentos que são usados para impedir o crescimento ou reduzir o tamanho do mioma, porém como causam efeitos colaterais há restrição do tempo que podem ser utilizados. Além disso, o mioma pode voltar a crescer quando a medicação é suspensa. O uso de anticoncepcionais, por exemplo, também não é uma escolha para as mulheres que querem ter filhos”, explica Dr. Edvaldo. Quando o mioma afeta a fertilidade da mulher? Segundo Dr. Edvaldo, dependendo da sua localização no útero, os miomas podem ser responsáveis pela infertilidade. “Miomas na cavidade uterina (submucosos) podem dificultar a fixação do embrião (nidação), proporcionar abortamento, parto prematuro ou até mesmo obstrução das tubas uterinas. Mesmos os miomas na parede do útero (intramural), quando muito grandes ou muito numerosos podem distorcer a cavidade uterina e também dificultar o desenvolvimento da gestação”, Para quem deseja ter filhos, a miomectomia é a cirurgia de escolha, pois preserva o útero e restabelece a anatomia funcional uterina. “Temos que lembrar que o mioma é uma doença que nasce e cresce benigna e que é possível sim engravidar após a cirurgia. Cabe também ressaltar que nem todo mioma tem indicação cirúrgica. Em muitos casos orientamos a engravidar com os miomas e apenas acompanhamos a sua evolução durante a gestação”, finaliza Dr. Edvaldo. Referências: (1) Epidemioly of Uterine Fibroids:  systematic review https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28296146 (2) http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2013000200301  

5 Perguntas e Respostas sobre a Cirurgia de Endometriose

5 Perguntas e Respostas sobre a Cirurgia de Endometriose

A endometriose se caracteriza pela presença de tecido endometrial (semelhante ao que reveste a cavidade uterina) fora do útero. Em geral, o tecido é encontrado na cavidade pélvica: no peritônio, ovários, tubas uterinas, ligamentos útero-sacros,  vagina, intestino e  bexiga. Embora seja raro, o tecido pode ser encontrado em outras partes do organismo como: nervos, pulmão e diafragma. Os estudos apontam uma prevalência de 10-15% das mulheres em idade fértil. Estima-se que  25% a 40% das mulheres com subfertilidade  apresentam endometriose, sendo uma das principais causas de infertilidade feminina.  A precisa patogênese (modo de desenvolvimento) da endometriose permanece obscura, mas é evidente que a endometriose surge da disseminação do endométrio para sítios ectópicos (fora do útero). Esses sítios ectópicos dão origem aos sintomas associado à doença. Entretanto, outros fatores são considerados importantes no desenvolvimento da endometriose, como a genética, os hormônios e o ambiente. “Os casos de endometriose hoje parecem ser mais prevalentes e esse aumento está ligado ao estilo de vida moderno. Hoje as mulheres têm filhos cada vez mais tarde e muitas optam por um único filho. Isso leva a um maior número de menstruações ao longo da vida. Além disso, o estresse, a obesidade e o sedentarismo também influenciam no funcionamento do sistema ginecológico”, explica Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico, especialista em cirurgia minimamente invasiva e no tratamento de endometriose. Veja agora as 5 principais dúvidas relacionadas à cirurgia de endometriose: Quando a cirurgia é indicada? A cirurgia para tratamento da endometriose é basicamente indicada em duas situações: na presença de dor crônica e/ou infertilidade. A técnica de escolha é a videolaparoscopia e/ou cirurgia robótica. A cirurgia proporciona melhora da qualidade de vida e restauração da fertilidade. É possível engravidar depois de tratar a endometriose? Muitas mulheres conseguem engravidar espontaneamente na presença de endometriose. Os tratamentos clínicos para a endometriose, com utilização de hormônios e anticoncepcionais que inibem a ovulação, não são indicados para tratar a infertilidade.  Descartadas outras causas para a infertilidade, a cirurgia proporciona maior probabilidade de alcançar gestação espontânea. Por que a cirurgia é útil para restaurar a fertilidade da mulher? A endometriose é uma doença que tem como característica muito comum à formação de aderências entre os órgãos da pelve, consequentemente levando ao total desarranjo da anatomia. A cirurgia por videolaparoscopia tem como princípio básico a retirada das aderências e a retirada das lesões de endometriose, restaurando a anatomia da pelve. Com o retorno da anatomia funcional da pelve e com a retirada das lesões da endometriose, que proporciona diminuição da produção de substâncias pró-inflamatórias, a mulher pode ter sua fertilidade restaurada e optar em engravidar naturalmente, sem a necessidade de recorrer à reprodução assistida. A cirurgia cura a endometriose? Infelizmente não. A endometriose é uma doença crônica que pode ser controlada com a cirurgia e com tratamento medicamentoso. Mesmo assim, estima-se uma taxa de recidiva de 20 % em 2 anos e de 50 % em 5 anos após o tratamento cirúrgico. Como é feita a videolaparoscopia? É uma cirurgia minimamente invasiva, feita por meio de pequenos cortes na altura do umbigo e em baixo ventre, mas isso vai depender da localização dos focos das lesões da endometriose. A anestesia usada é geral. A paciente fica internada de 24 a 48 horas e a recuperação total se dá em torno de 15 dias após o procedimento.

Tuba uterina obstruída é uma das principais causas de infertilidade

Tuba uterina obstruída é uma das principais causas de infertilidade

O sistema reprodutor feminino é incrível. São diversos órgãos e células trabalhando juntos para que se possa conceber uma vida. Porém, alguns problemas ginecológicos podem dificultar ou até mesmo impossibilitar a gravidez. Uma das causas mais comuns de infertilidade está relacionada à obstrução das tubas uterinas. Quando elas estão obstruídas, impedem o encontro do óvulo com o espermatozoide, inviabilizando a gravidez. Quais são as causas? De acordo com o cirurgião ginecológico Dr. Edvaldo Cavalcante, patologias tubárias são responsáveis por 25-30% das causas de infertilidade feminina e 10-25% desses casos apresentam obstrução na região da tuba próxima ao útero. Diversos motivos podem levar à obstrução das tubas uterinas, entre eles estão à doença inflamatória pélvica, cirurgia pélvica ou tubária, aderências, endometriose, salpingite ístmica nodosa e tuberculose genital. Principais sintomas e diagnóstico Muitas mulheres que não conseguem engravidar nunca irão imaginar que a obstrução das tubas uterinas seja o motivo, já que dificilmente há sintomas associados a essa condição. “Por isso, quando há o diagnóstico de infertilidade é preciso investigar as tubas uterinas através do exame denominado histerossalpingografia”, diz Dr. Edvaldo. Recanalização tubária é o principal tratamento A boa notícia é que a maioria dos casos de tubas obstruídas pode ser tratada, oferecendo à mulher a chance de engravidar pelo método natural de concepção. “Ao longo dos anos, as técnicas cirúrgicas foram se aprimorando e hoje graças à radiologia intervencionista é possível realizar a recanalização tubária por meio da Radioscopia ou ainda pela Histeroscopia. Esse procedimento apresenta melhor resultado e menos riscos em comparação com outras cirurgias para desbloqueio das tubas. Ela é indicada quando a histerossalpingografia mostra que a obstrução está próxima da saída do útero”, comenta o médico. A Recanalização Tubária é feita por meio da radioscopia, em ambiente hospitalar com anestesia, sem a necessidade de qualquer incisão abdominal. Através da vagina, o médico insere um pequeno tubo (cateter) para dentro da cavidade uterina. Por dentro deste cateter, insere-se um fio flexível (fio guia) com espessura aproximada de 1mm de diâmetro que chegará até as tubas uterinas, alcançando o ponto em que há o bloqueio. O segmento ocluído é suavemente manipulado através deste fio flexível e o bloqueio é removido. Também, é feita uma rápida injeção de contraste que ajuda a eliminar ou expulsar qualquer detrito, se presente; além de contrastar toda a tuba para comprovar a desobstrução. O cirurgião explica que as chances de sucesso dependem do tipo de obstrução que a paciente apresenta. Nos casos em que a obstrução se encontra logo próximo da saída do útero, a recanalização é bem sucedida em cerca de 90% das pacientes. Em alguns casos o tratamento deve ser realizado em conjunto com a videolaparoscopia.