Severidade das ondas de calor aumenta risco de eventos cardiovasculares

Severidade das ondas de calor aumenta risco de eventos cardiovasculares

É a severidade e não a frequência das ondas de calor do climatério, o famoso fogacho, que aumenta o risco de eventos cardiovasculares, com infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). Essa foi a principal descoberta de um estudo publicado esse ano, no American Journal of Obstetrics and Gynecology. O estudo reuniu dados de 23 mil mulheres por meio da análise de seis estudos prospectivos, fruto de uma colaboração internacional, liderada pela Universidade de Queensland, na Austrália. Segundo Dr. Edvaldo Cavalcante, ginecologista e obstetra, cerca de 60 a 80% das mulheres no climatério apresentam sintomas vasomotores, como os fogachos (ondas de calor) e suor noturno. “Esses sintomas costumam se acentuar dois anos antes da última menstruação (menopausa), com um pico de um ano após a menopausa. Em média, esses incômodos podem durar até sete anos. Além de afetar a qualidade de vida, aumentam o risco de eventos cardiovasculares”. O que o estudo mostrou de interessante é que o risco de problemas cardiovasculares aumenta de acordo com a severidade das ondas de calor e dos suores noturnos. “Mesmo que a mulher tenha uma frequência maior desses sintomas, a severidade é o que realmente faz a diferença quando se fala de maior probabilidade de ter um AVC ou um infarto, por exemplo”, comenta Dr. Edvaldo. Início precoce ou tardio Outra descoberta dos pesquisadores é o que risco de eventos cardiovasculares também é maior nas mulheres que apresentaram esses sintomas precocemente (muito tempo antes da menopausa) ou tardiamente (muito tempo depois da menopausa). Janela de oportunidade Infelizmente, não há evidências cientificas sólidas sobre hábitos que possam prevenir os sintomas vasomotores no climatério. “Entretanto, quanto mais saudável a mulher chegar nessa fase, melhor. Inclusive porque àquelas com doenças cardiovasculares prévias têm contraindicação para realizar a terapia hormonal (TH)”, comenta Dr. Edvaldo. “Atualmente, o consenso sobre a indicação da TH aponta que deve ser iniciada na transição menopáusica ou nos primeiros anos após a menopausa, no que chamamos de ‘janela de oportunidade’. Mas, a TH só pode ser prescrita para mulheres saudáveis e sem doenças cardiovasculares”, explica o especialista. A TH indicada nessa janela não só alivia os sintomas vasomotores, como também reduz o risco cardiovascular. Alternativas aos hormônios De acordo com Dr. Edvaldo, existem alternativas para as mulheres que possuem contraindicação ou que não desejam usar a TH. “Os estudos mais recentes apontam que o tratamento com alguns fármacos de uso psiquiátrico, como antidepressivos ISRS (Inibidores seletivos da recaptação de serotonina), ISRN (Inibidores seletivos da recaptação de serotonina-norepinefrina) e a gabapentina (anticonvulsivante) são eficazes em reduzir os sintomas vasomotores”, cita o ginecologista. Por outro lado, fitoterápicos e acupuntura são terapias controversas, com estudos de menor consistência. Quanto a esse estudo, o recado é claro: mulheres com quadros mais severos de sintomas vasomotores no climatério e na pós-menopausa devem ser monitoradas mais de perto. “Isso significa fazer check up com maior frequência, bem como reduzir os fatores de risco preveníveis, como obesidade, tabagismo, sedentarismo, hipertensão arterial e hipercolesterolemia”, encerra Dr. Edvaldo.

Falência Ovariana pode levar à menopausa antes dos 40 anos de idade

Falência Ovariana pode levar à menopausa antes dos 40 anos de idade

Apesar de todos os avanços da medicina, há aspectos da saúde humana que não imutáveis. Um deles é o ciclo reprodutivo da mulher. Inevitavelmente, após os 40 anos, a fertilidade da mulher diminui e por volta dos 51 anos, em média, ocorre a chamada menopausa, ou seja, a última menstruação da mulher. Entretanto, para cerca de 1 a 3% das mulheres com menos de 40 anos, a menopausa pode acontecer antes do tempo, devido à Falência Ovariana Prematura (FOP). O que é FOP? Segundo o ginecologista e obstetra, Dr. Edvaldo Cavalcante, a FOP ocorre quando os ovários não funcionam como deveriam. “A FOP afeta a foliculogênese, ou seja, o processo de maturação de um folículo primordial em um folículo ovulatório. O folículo primordial é um oócito (célula que dá origem ao óvulo) envolvido por camadas de células protetoras. Eles são formados ainda na vida intrauterina. A principal função do folículo é proteger o oócito até seu crescimento e maturação, que só ocorre a partir da primeira menstruação”. “Entretanto, nem todos os folículos primordiais irão evoluir para folículos ovarianos. Durante o ciclo fértil, o FSH (hormônio folículo estimulante) é produzido para selecionar e estimular a maturação dos folículos. De todos os que são recrutados, apenas um é liberado para a fecundação, chamado de folículo dominante, ou simplesmente de óvulo”, explica Dr. Edvaldo. A FOP ocorre quando há níveis elevados de FSH nos exames associado à ausência de fluxo menstrual (amenorreia), antes dos 40 anos de idade. “O quadro é evidenciado pela diminuição da fertilidade natural. O que isso quer dizer? A mulher produz mais FSH do que deveria, porém não ovula e não menstrua, portanto não consegue engravidar”, diz Dr. Edvaldo. Causas podem ser genéticas e autoimunes A falência ovariana prematura é classificada em primária e secundária. Nas causas primárias entram as mutações genéticas, responsáveis por cerca de 5% dos casos. A mais conhecida de todas as síndromes causadas por alterações no cromossomo X é a síndrome de Turner, que afeta 1 em cada 2500 recém-nascidos do sexo feminino, em todo o mundo. “Essas alterações no cromossomo X podem causar diversas condições, como monossomia, trissomia, translocações, deleções ou os autossomos, prejudicando os processos de crescimento celular”, explica Dr. Edvaldo. Outra causa importante da FOP são as doenças autoimunes, que podem danificar os ovários, como o diabetes tipo 1, miastenia gravis, doenças da tireoide e reumatismo. Em aproximadamente 10% dos casos, a causa do mau funcionamento dos ovários é uma doença autoimune”, reforça o ginecologista. Já a FOP secundária pode ocorrer devido a infecções, ooforectomia bilateral, quimioterapia e radioterapia. “Em resumo, a FOP pode ocorrer de duas formas: quando há algum processo patológico que impede a formação dos folículos, mesmo que os mesmos estejam presentes ou ainda quando não há presença dos folículos primordiais, seja por alterações genéticas ou por doenças e tratamentos que levam à destruição folicular”, comenta Dr. Edvaldo. Diagnóstico pode demorar até 5 anos Quando a causa é desconhecida, o que ocorre em cerca de 65 % dos casos, o diagnóstico da FOP pode ser desafiador. “Excluindo o grupo das mulheres com alterações genéticas conhecidas, com doenças autoimunes ou aquelas que fizeram tratamentos como quimioterapia e radioterapia, os sinais e sintomas que antecedem a menopausa prematura podem não ser tão óbvios. Por isso, pode ser mais difícil chegar ao diagnóstico de forma precoce”, comenta Dr. Edvaldo. De acordo com a literatura e as evidências científicas, a maioria das mulheres diagnosticadas com FOP apresenta um histórico normal de ciclos menstruais e até mesmo de fertilidade antes da manifestação dos sintomas. Um sintoma que deve chamar a atenção é a falha em retomar a menstruação após parar de tomar pílulas anticoncepcionais ou até mesmo depois do parto “Além disso, mulheres com ciclos maiores que 35 dias (oligomenorreia) ou com ciclos com menos de 24 dias (polimenorreia) e sangramentos uterinos disfuncionais, também devem ser investigadas. Isso porque aproximadamente metade das mulheres com FOP apresenta função ovariana intermitente, ou seja, menstruações imprevisíveis”, acrescenta o ginecologista. Consequências da menopausa prematura “Como a FOP atinge mulheres mais novas, a principal consequência é a infertilidade. Muitas, inclusive, acabam descobrindo a condição quando tentam engravidar e não conseguem. Entretanto, o que mais preocupa é o aumento dos riscos de desenvolver outros problemas de saúde, como as doenças cardiovasculares, depressão, estresse, osteoporose e disfunções sexuais”, reforça Dr. Edvaldo. O tratamento é individualizado e pode ser feito com reposição hormonal. Para aquelas que desejam engravidar, a fertilização in vitro com óvulos doados é a única opção.

Entenda porque a menopausa pode chegar antes do tempo

Entenda porque a menopausa pode chegar antes do tempo

A menopausa é definida como a última menstruação da mulher. Em média, isso ocorre aos 51 anos nos países ocidentais, como o Brasil. Porém, se a última menstruação acontecer entre os 40-44 anos, é considerada menopausa precoce. Segundo um artigo publicado no jornal científico Climateric, as consequências em longo prazo da menopausa precoce incluem diminuição da cognição, mudanças de humor, aumento do risco cardiovascular, perda da densidade óssea, disfunções sexuais, assim como aumento do risco de morte precoce. Por que isso pode acontecer? A menopausa pode chegar antes do tempo para cerca de 10% das mulheres por diversos fatores. Segundo o ginecologista e cirurgião ginecológico, Dr. Edvaldo Cavalcante, as causas são divididas entre naturais e aquelas induzidas por intervenções médicas, como a retirada dos ovários, medicamentos para tratar o câncer e quimioterapia, por exemplo. Veja abaixo alguns fatores de risco da menopausa precoce natural: Menarca aos 11 anos ou menos. Uma das causas naturais da menopausa precoce, segundo um estudo que avaliou 51 450 mil mulheres, é a idade precoce da menarca, ou seja, da primeira menstruação. No estudo, 7,6% das mulheres entraram na menopausa entre os 40 e 44 anos. Mulheres que menstruaram aos 11 anos ou menos têm maior chance de entrar na menopausa precoce. (risco 1,32 vez maior). Não ter filhos: O mesmo estudo relacionou a idade da menarca com a nuliparidade (mulheres que menstruaram cedo e não tiveram filhos). As mulheres com menarca precoce e nulíparas (que não tiveram filhos) apresentaram 2 vezes mais risco de entrar na menopausa antes dos 45 anos em comparação com as mulheres que tiveram a menarca aos 12 anos ou mais, e tiveram dois ou mais filhos. Peso abaixo do normal: Um estudo que acaba de sair, publicado no periódico Human Reproduction, revelou que mulheres abaixo do peso em qualquer idade (Índice de Massa Corporal inferior -IMC a 18,5 Kg/m2) tinham um risco de 30% maior de entrar na menopausa antes dos 45 quando comparadas a mulheres com peso normal. Para as mulheres que aos 18 anos tinham um IMC menor que 17,5 kg/m2 o risco era 50% maior. Aos 35, esse risco aumentava para 59%. Outro dado do estudo foi que perda de peso rápidas, por volta de 10 quilos ou mais, entre os 18 e 30 anos, aumentava em 2,4 vezes o risco de ter menopausa precoce. Tabagismo: Vários estudos ao longo dos anos relacionaram o tabagismo com a menopausa precoce. Um estudo publicado Journal of Preventive Medicine and Public Health, mostrou que fumar aumenta em até 1,40 o risco de entrar na menopausa precoce É possível prevenir? “De acordo com a literatura e com as evidências científicas sobre a menopausa precoce, é possível adotar algumas medidas para prevenir que ela aconteça. A primeira recomendação para as mulheres que fumam é procurar tratamento para largar o cigarro, inclusive porque o tabagismo pode levar a uma série de outras patologias, como câncer de mama, por exemplo”, diz Dr. Edvaldo. O médico também recomenda que as mulheres cuidem do peso. “Embora no Brasil temos mais pessoas acima do peso do que abaixo, o ideal é manter uma vida saudável, por meio de uma alimentação equilibrada e prática de atividade física de forma regular. A mulher deve procurar manter o peso ideal para sua composição corporal.  Também é possível atrasar a idade da menarca, caso a menina apresente puberdade precoce”. Sintomas e tratamentos Os sintomas que da menopausa precoce são os mesmos da menopausa que ocorre dentro da idade esperada. Entre eles estão irregularidades no ciclo, ondas de calor, secura vaginal, mudanças no humor, diminuição da libido, entre outros. A menopausa será confirmada após 12 meses ininterruptos sem menstruar. De acordo com Dr. Edvaldo, na menopausa precoce, o acompanhamento deve ser feito para prevenir as consequências bem conhecidas dessa fase da vida mulher. “É importante avaliar a necessidade de reposição hormonal para amenizar os sintomas, como também para prevenir o desenvolvimento da osteoporose e diminuir o risco cardiovascular. O tratamento também deve envolver a melhorara da vida sexual da mulher”, finaliza o ginecologista.

5 passos para lidar com os efeitos do climatério

5 passos para lidar com os efeitos do climatério

Se você tem 40 anos ou mais, atenção! Saiba que você pode estar entrando ou já entrou no climatério, período que marca a transição da fase reprodutiva para a não reprodutiva da mulher. O climatério é uma transição importante na vida da mulher, que envolve mudanças fisiológicas, psicológicas e sociais, mas que pode ser vivida com tranquilidade com cuidados especiais. “O climatério pode começar por volta dos 35-40 anos e se estender até a menopausa, ou seja, até a última menstruação da mulher, que fecha esse período. A confirmação ocorre se a mulher ficar 12 meses ininterruptos sem menstruar”, explica o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante. “Apesar das situações que podem ocorrer, o mais importante é que a mulher se informe sobre o climatério e se prepare física e mentalmente para passar por essa transição. Felizmente, hoje é possível aliviar os sintomas e tratar os problemas que podem surgir no climatério, na menopausa e na pós-menopausa visando à melhora da qualidade de vida”, comenta Dr. Edvaldo. Veja agora os principais efeitos do climatério e como lidar com eles:  1-Fogachos: O fogacho é um problema vasomotor associado à queda do nível de estrogênio. A mulher pode sentir uma sensação repentina de calor no rosto e na parte de cima do tórax que se espalha pelo corpo. Há intensa transpiração e a pele pode ficar mais avermelhada devido à dilatação dos vasos. Em seguida, cerca de dois a quatro minutos, há uma queda rápida da temperatura, com sensação de frio ou de calafrios. Isso pode ocorrer várias vezes ao dia e durante a noite, o que pode causar insônia e afetar a qualidade de vida da mulher. Outras condições médicas, como doenças da tireoide, infecção, ou (raramente) câncer também produzem fogachos. Além disso, o uso de medicamentos como tamoxifeno para câncer, raloxifeno para osteoporose e alguns antidepressivos podem causar fogachos.  Os fogachos geralmente aumentam com o estresse e podem estar associados a ansiedade e palpitações (batimentos cardíacos acelerados). A sensação inquietante que antecede um fogacho pode parecer um “ataque de pânico” em algumas mulheres. Como lidar: A terapia de reposição hormonal (TRH) é o tratamento mais efetivo para gerenciar os fogachos. Entretanto, nem todas as mulheres tem indicação para repor hormônios. Assim, para aquelas que não podem, recomenda-se praticar atividades físicas, técnicas de relaxamento, adotar uma dieta balanceada e procurar manter o corpo fresco durante o dia e enquanto dorme. 2-Osteoporose: A redução dos níveis de estrogênio leva à perda da massa óssea. Com isso, uma em cada três mulheres irá desenvolver a osteoporose, principalmente na menopausa ou na pós-menopausa. O principal problema ligado à osteoporose são as fraturas e suas consequências, como incapacidade e mortalidade. Como lidar: A prática de atividade física é uma das melhores maneiras de prevenir e de tratar a osteoporose. Os exercícios devem visar ao aumento da força muscular, da estabilidade, do equilíbrio e da mobilidade. Pilates, por exemplo, é bastante recomendado. A terapia de reposição hormonal também pode ser feita e há outros medicamentos específicos para tratar a osteoporose. 3-Vida Sexual: O estrogênio é responsável pela lubrificação vaginal. Portanto, a diminuição dos níveis do hormônio leva ao ressecamento vaginal. Como consequência, a mulher pode apresentar dor durante a relação sexual (dispareunia). O desejo sexual pode diminuir e pode ser preciso mais tempo nas preliminares para levar à excitação. Como lidar: O ressecamento vaginal é facilmente tratável. O médico pode prescrever hormônios de uso tópico que melhoram a secura vaginal. Além disso, a mulher pode usar gel lubrificante durante as relações e um hidratante vaginal para manter a vagina úmida de maneira prolongada. A queda da libido pode melhorar com a reposição hormonal. 4-Depressão: Ao longo dos anos, estudos mostraram que há uma relação entre a menopausa e o aumento dos sintomas depressivos. Mulheres que apresentam sintomas mais severos no climatério/pós-menopausa, principalmente os fogachos, insônia e aquelas que têm histórico de depressão, correm mais risco de apresentar o transtorno. Como lidar: Buscar apoio psicoterápico e acompanhamento com um psiquiatra são estratégias importantes para lidar com a depressão. Além disso, atividade física, sono adequado e técnicas de relaxamento podem contribuir para prevenir ou para tratar a depressão. A terapia de reposição hormonal também pode ajudar a combater os efeitos do climatério no cérebro, como a depressão e o declínio cognitivo. 5-Aumento do risco cardiovascular: As principais causas de mortalidade no Brasil e no mundo são o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC). São as chamadas doenças cardiovasculares, cuja prevalência é maior nas mulheres na pós-menopausa ou naquelas com 55 anos ou mais. Como lidar: A adoção de hábitos saudáveis é essencial. Manter o peso, praticar atividade física, comer de forma saudável, parar de fumar, beber com moderação, gerenciar o estresse, manter os níveis de colesterol adequados e cuidar da pressão arterial são as principais medidas que podem ser adotadas para prevenir as doenças cardiovasculares. O estrogênio pode atuar como fator de proteção contra as doenças cardiovasculares em mulheres saudáveis, principalmente quando iniciada logo na transição menopausal. “Acredito que a partir do momento em que a mulher está ciente do que é o climatério, em que idade isso pode acontecer e o que pode ocorrer, pode ser menos desafiador passar pelo processo. Com os recursos certos e de forma individualizada, a mulher pode descobrir que é possível viver plenamente e, em muitos casos, até melhor do antes. Por isso, é fundamental encontrar um médico que procure tratar o climatério de forma global, ou seja, levando em consideração todos os aspectos, como o físico, o emocional e o social”, finaliza Dr. Edvaldo.