6 Possíveis Causas da Dor Pélvica Crônica

6 Possíveis Causas da Dor Pélvica Crônica

Ninguém gosta de sentir dor, muito menos quando a dor se torna crônica. Uma das dores crônicas mais comuns, principalmente entre as mulheres, é a dor pélvica (abaixo do umbigo), que pode estar ou não relacionada à parte ginecológica. Segundo a Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED), a prevalência é alta, mas varia de país para país. Estima-se que possa afetar entre 5.7% a 26.6% das mulheres em todo o mundo. A dor pélvica é classificada como crônica quando a duração dos sintomas é igual ou superior a seis meses. Este é apenas um dos critérios, que também envolve o comprometimento da qualidade de vida, alívio incompleto com tratamentos feitos, perda da função física e sinais de depressão. Segundo o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante, a dor jamais deve ser ignorada. “Sentir dor é um alerta do nosso corpo de que há algo que precisa ser investigado. Entretanto, muitas mulheres podem se sentir desmotivadas pela demora ou pela falta de um diagnóstico. Outras podem conviver com a dor sem buscar ajuda, por subestimarem os sintomas”. O que fazer? Procurar um médico. A investigação inicial pode ser realizada com o ginecologista. Esse profissional poderá estabelecer o diagnóstico e conduzir o tratamento.  Caso haja a necessidade do auxílio de outro especialista como gastroenterologista, urologista ou fisioterapeuta, por exemplo, o ginecologista fará o encaminhamento para complementação terapêutica. Causas ginecológicas Veja abaixo as principais causas ginecológicas relacionadas à dor pélvica crônica: Endometriose: A dor pélvica é o principal sintoma da endometriose. Ela pode se manifestar de diversas maneiras, como a dismenorreia (cólica menstrual), dor pélvica crônica (cíclica ou acíclica), dispareunia de profundidade (dor durante a relação), alterações intestinais cíclicas (dor à evacuação, sangramento nas fezes, aumento do trânsito intestinal durante o período menstrual), alterações urinárias cíclicas (ardor, perda de sangue na urina, aumento da frequência durante o período menstrual). Mioma: Depois do sangramento, a dor pélvica é o segundo sintoma mais frequente em mulheres que apresentam miomatose uterina. Adenomiose: A adenomiose ocorre quando o endométrio (tecido que reveste a parte interna do útero) invade a musculatura do útero (miométrio). Um dos sintomas é a dor pélvica, que piora no período menstrual. Varizes Pélvicas: Considerada uma das principais causas de dor pélvica crônica, porém pouco conhecida. A varizes pélvicas são causadas pela congestão ou obstrução das veias ao redor do útero. Apresenta maior prevalência em mulheres que tiveram mais de uma gestação. A mulher pode apresentar sensação de peso na região pélvica, principalmente após atividade física ou ao final do dia, dores durante ou após a relação sexual, ou ainda um quadro crônico de dor. Aderências: As aderências pélvicas são faixas de tecido cicatricial que podem se formar após cirurgias ou processos inflamatórios na região pélvica. Em casos mais avançados, essas aderências podem levar ao colamento dos órgãos e se manifestarem com dor pélvica crônica. Tumor anexial: São tumores localizados na região anexial, ou seja, na região onde se situam os ovários e as tubas uterinas. A maioria dos tumores anexiais é de origem ovariana, sendo na maior parte dos casos representados por cistos benignos. Esses tumores geralmente conduzem ao estado de dor e também pode levar ao quadro de dor pélvica crônica. Como vimos, a dor pélvica crônica tem diversas causas. Entretanto, o diagnóstico e o tratamento são fundamentais para melhorar a qualidade de vida das mulheres. Portanto, se você apresenta dor pélvica há mais de seis meses e não sabe a causa, procure um médico.

Verão é época propícia para quadros de candidíase

Verão é época propícia para quadros de candidíase

Quem não está contando as horas para o recesso de final de ano? Porém, é no verão que alguns cuidados com a saúde ficam de lado em nome da diversão. Um dos problemas mais comuns nesta época das férias de verão é a candidíase, infecção causada pelo fungo Candida albicans. Este micro-organismo está presente em estruturas como a flora intestinal, boca, aparelhos genitais e urinários. “Esse fungo, em quantidades normais, é importante para manter a saúde das estruturas que ele coloniza. Entretanto, quando se reproduz em demasia, pode causar a candidíase”, explica o ginecologista, Dr. Edvaldo Cavalcante. Por que no verão? A maioria das mulheres irá apresentar pelo menos um quadro de candidíase na vida. No verão ou em situações em que a mulher fica longos períodos com roupas molhadas, a região genital fica quente e úmida, ambiente ideal para a proliferação dos fungos” explica Dr. Edvaldo. A infecção é chamada de monilíase vaginal ou vulvoginite por cândida, sendo a forma mais comum da candidíase, que pode atingir outros locais do corpo. Os sintomas clássicos são coceira na vagina e no canal vaginal, corrimento branco, ardor local e para urinar e dor durante as relações sexuais. Tratamento “É muito importante tratar a candidíase e é preciso lembrar ainda que pode ser transmitida para o parceiro, portanto, no período de tratamento é preciso abster-se de manter relações sexuais e, em alguns casos, será preciso tratar o parceiro também”, comenta o ginecologista. Em geral, são usadas pomadas antifúngicas e antifúngicos orais. Prevenção No verão é preciso evitar ficar com roupas molhadas por muito tempo, especialmente maiô e biquíni. A areia também pode trazer micro-organismos contaminantes. A mulher precisa manter uma boa higiene íntima e, claro, procurar um médico se apresentar alterações na área íntima.  

Para que serve a histeroscopia cirúrgica?

Para que serve a histeroscopia cirúrgica?

A palavra histero vem do grego e quer dizer útero e scopia significa ver, portanto, a histeroscopia é uma técnica usada para visualizar a cavidade uterina. A histeroscopia pode ser diagnóstica ou cirúrgica. Hoje vamos falar um pouco mais sobre a cirúrgica. A histeroscopia cirúrgica é uma cirurgia minimamente invasiva, feita por meio da inserção de um histeroscópio, extremamente fino, na vagina e no colo do útero até a cavidade uterina. Portanto, é uma cirurgia sem incisões (cortes). Como os histeroscópios têm uma espessura mínima, o médico cirurgião consegue introduzi-los sem dilatação ou com dilatação mínima do colo do útero. Para melhor visualização, o cirurgião utiliza soro fisiológico como meio de distensão da cavidade uterina. O procedimento é guiado por meio de um monitor de vídeo, por isso também pode ser chamada de videohisteroscopia. O que ela pode tratar? A histeroscopia cirúrgica é indicada para tratar diversas condições que afetam o útero. Entre as principais estão: Pólipos endometriais e endocervicais Miomas submucosos Ressecção de sinéquias uterinas Ressecção de septos uterinos Remoção de DIU sem visualização dos fios Remoção de restos ovulares persistentes Ablação endometrial Laqueadura tubária Onde ela é feita? A histeroscopia cirúrgica é feita em ambiente hospitalar. A paciente é anestesiada e o médico irá definir qual a sedação mais adequada, podendo ser anestesia geral ou local (raqui ou peridural). O tempo médio de internação é de 12 horas, podendo ser liberada no mesmo dia do procedimento ou estender de acordo com complicações ou estado geral da paciente. Recuperação A recuperação é rápida, pois não há cortes e isso reduz os quadros dolorosos. Quando a dor aparece, irá lembrar a de uma cólica menstrual e pode ser resolvida com o uso de analgésicos. Pode ocorrer uma pequena perda de sangue nos dias seguintes ao procedimento, o que também é esperado. A mulher pode retomar suas atividades diárias dentro de dois a cinco dias após a cirurgia.

O que é janela de fertilidade?

O que é janela de fertilidade?

Conhecer o funcionamento do próprio corpo é fundamental para as mulheres que desejam engravidar naturalmente. Mesmo nas mais reguladas, podem haver variações importantes que impactam nas probabilidades de concepção. Por isso, é fundamental conhecer a “janela de fertilidade”. Mas, o que é isso? Segundo o ginecologista e cirurgião, Dr. Edvaldo Cavalcante, a janela de fertilidade é o intervalo de seis dias entre o início e o fim da ovulação. “É neste período que as chances de engravidar estão. Por isso, quanto mais a mulher conhecer seu ciclo e perceber as mudanças que ocorrem, maior a chance de conceber”. Segundo os estudos, é durante a janela de fertilidade que os óvulos e os espermatozoides atingem sua viabilidade máxima, ou seja, que apresentam todas as condições necessárias para a fertilização. “O intervalo máximo de fertilidade pode ser calculado por meio da análise do intervalo entre as menstruações, por kits que avaliam a ovulação e pela análise do muco cervical”, explica o médico. Em geral, o período fértil se inicia do primeiro dia em que o muco cervical de torna mais claro e elástico, com intensa lubrificação, prolongando-se pelo menos por três dias. A janela da fertilidade ocorre num intervalo de, no máximo, seis dias, sendo esses três os mais importantes para a concepção. O melhor dia A maior probabilidade de concepção é quando a relação sexual ocorre dentro do intervalo de três dias antes da ovulação, terminando no dia em que ela ocorre. Em um estudo, o pico da fertilidade foi observado quando a relação aconteceu dentro dos dois dias que antecederam a ovulação. Outra pesquisa mostrou que a maior probabilidade de gravidez acontece quando a relação sexual ocorre um dia antes da ovulação e começa a diminuir no dia provável da ovulação em diante. Entre as mulheres que descrevem o ciclo menstrual como geralmente regular, a probabilidade de concepção resulta de uma única relação sexual que ocorre durante o período presumido de ovulação. A probabilidade de gravidez aumenta de 3.2% no oitavo dia para 9.4% no décimo segundo dia e diminui para menos de 2% no 21º dia do ciclo. A frequência de relações sexuais está ligada diretamente à probabilidade de engravidar. Sendo assim, para quem deseja engravidar, é recomendado manter relações sexuais assim que termina o ciclo menstrual e continuar até o final presumido da ovulação.

Qual a relação de miomas com abortos recorrentes?

Qual a relação de miomas com abortos recorrentes?

Poucos eventos ligados à gravidez causam tanto desamparo e impotência do que saber que você vai se tornar mãe para, em seguida, sofrer um aborto espontâneo. Surpreendentemente, a perda do bebê nos primeiros meses de vida é algo comum: 15% das futuras mamães poderão passar por isso. No entanto, estatísticas mostram que se a primeira gravidez terminou em um aborto, há mais ou menos 14% de chance de a gravidez seguinte não ser bem-sucedida novamente. Depois de dois abortos espontâneos, as chances de ter um terceiro praticamente dobram, ficando em torno de 26% O aborto recorrente ou habitual é aquele que ocorre por três vezes, de forma consecutiva, antes de 20 semanas de gestação. Entre 1% a 2% das mulheres sofrem abortos recorrentes. Extração do mioma reduz chance de abortos recorrentes A medicina está longe de fechar todas as causas dos abortos recorrentes, porque apenas em metade dos casos é possível identificar uma origem específica para o problema. Sabe-se com certeza absoluta, por exemplo, que anormalidades nos cromossomos estão entre as causas. Alguns problemas no útero, entre eles miomas, pólipos e disfunção hormonal também estão ligados à condição. A boa notícia é que a remoção cirúrgica de miomas que distorcem a cavidade do útero foi capaz de reduzir o risco de aborto no segundo trimestre de gravidez a zero. Foi o que mostrou um estudo publicado na revista Human Reproduction. “Alguns tipos de mioma nascem na parede uterina. Ao crescerem, eles podem distorcer a cavidade do órgão. São os chamados miomas intramurais, uma das causas de infertilidade”, comenta Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico. Foi a primeira vez que se encontrou evidências de que esse tipo de mioma está entre as causas de abortos habituais. Sabia-se que eles estavam associados aos abortos espontâneos, mas não recorrentes. O estudo estimou, ainda, que a prevalência de miomas em mulheres com abortos recorrentes chega a 8,2%. Miomectomia preserva o útero A miomectomia é a técnica cirúrgica utilizada para preservar o útero em mulheres que desejam engravidar. Ela pode ser realizada por meio de técnicas minimamente invasivas, com menos riscos, menor custo e recuperação mais rápida. Entre as técnicas utilizadas estão a videolaparoscopia, videohisteroscopia ou ainda a miomectomia por cirurgia robótica, esta última indicada para casos mais complexos ou mais delicados, que necessitam de alto detalhamento e precisão.

7 Fatores de Risco para a Gravidez Ectópica

7 Fatores de Risco para a Gravidez Ectópica

A gestação fora do útero, ou ectópica, em termos médicos, é a principal causa de morte materna no primeiro trimestre de gestação e está entre as grandes causas de aborto. Em uma gravidez normal, depois que é fertilizado, o óvulo percorre a tuba uterina para alcançar o útero, onde ele se abriga e se desenvolve. Na gravidez ectópica, a implantação pode acontecer em outros lugares que não na parede uterina. Esse tipo de gravidez é a que mais pode trazer complicações perigosas para a mulher, pois a tuba é finíssima e não suporta o crescimento do embrião, podendo romper e causar hemorragia. Na imensa maioria das vezes – mais ou menos em 98%–, a implantação acontece nas tubas, por isso, a gravidez ganha o nome de tubária. Em uma pequena parcela, o óvulo se aloja no abdome ou no colo do útero. O embrião não consegue sobreviver fora do útero, mas, mesmo assim, ele ameaça a vida da mulher. Por isso, é fundamental chegar a um diagnóstico rapidamente. A causa exata da gravidez ectópica ainda não está totalmente clara, mas algumas condições são consideradas sinais de alerta. Atualmente, acredita-se que a gravidez ectópica seja causada por uma combinação de fatores. Saiba quais são alguns deles: Doenças sexualmente transmissíveis – Dentre todas as doenças sexualmente transmissíveis, a clamídia é tida como responsável por pelo menos metade de todos os casos de gestação fora do útero. Um estudo de 2011 mostrou que a clamídia aumenta a produção de uma proteína que pode encorajar o óvulo a se implantar nas tubas. Reincidência – Quem já teve uma gestação extrauterina tem de 10% a 25% de chance de ter outra. Fumo – Um outro estudo de 2011 revelou que mulheres que fumam têm quatro vezes mais chance de ter uma gravidez ectópica. Endometriose – É um importante fator de risco. A endometriose leva o tecido do endométrio a crescer dentro ou ao redor da trompa, o que dificulta a chegada do embrião ao útero. Ter feito fertilização in vitro – Parece ser irônico até, pois muitas mulheres se submetem à fertilização in vitro exatamente porque têm algum problema nas tubas uterinas. Não é comum, mas, algumas poucas vezes o cateter que é inserido na mulher para inserir o embrião chega muito próximo das tubas e, com isso, o embrião se instala na região. Idade – Não se sabe ao certo porque, mas a idade da mulher é um dos fatores de risco. Especula-se que o envelhecimento leve a alterações nas tubas, o que pode dificultar a chegada do óvulo ao útero. Moléstia inflamatória pélvica – Estima-se que 70% das infecções genitais causadas por Clamídia, Gonococo, Mycroplasma e Ureroplasma (agentes responsáveis pela Moléstia inflamatória pélvica – MIPA). Essa infecção pode levar à obstrução das tubas uterinas e abcessos tubovarianos. Quando não tratada, a MIPA pode levar à infertilidade e há aumento do risco de gravidez ectópica. Lembre-se: Faça seus exames ginecológicos regularmente e mantenha bons hábitos. 

O quanto você conhece seu muco cervical?

O quanto você conhece seu muco cervical?

Enquanto os meninos são criados para ter orgulho de seus corpos, mais especificamente de suas partes íntimas, a educação das meninas ainda é um pouco mais repressora no que diz respeito a conhecer o próprio corpo, mais especificamente a vagina. São poucas as mulheres que têm o costume de pegar um espelho para analisar o que anda acontecendo por lá. Para aquelas que desejam engravidar, porém, isso pode ser fundamental para conhecer as características do muco cervical, substância produzida pelas glândulas do colo uterino a partir da secreção de hormônios em diferentes fases do ciclo menstrual. Segundo o ginecologista, Dr. Edvaldo Cavalcante, observar o muco cervical é um método sem custo e personalizado para predizer a ovulação. “O pico da ovulação pode variar de forma considerável, mesmo em mulheres com ciclos regulares. Por isso, entender as características do muco ao longo do ciclo é muito importante para perceber o momento da ovulação”. Um estudo mostrou que mulheres que conseguem monitorar seus ciclos e perceber mudanças no muco cervical, na libido ou no humor têm 50% de chance a mais de prever quando estão ovulando. Variação do muco prediz o pico ovulatório As características do muco cervical variam de acordo com a fase do ciclo. A probabilidade de engravidar é maior quando o muco está claro e elástico. E quais são os outros tipos de muco? “O muco pode se apresentar em diferentes formas, como seco, ligeiramente úmido, viscoso e pegajoso e, finalmente, transparente e elástico, sendo este é o que mais aumenta a chance de engravidar quando se tem relações sexuais”, explica o médico. Para se ter uma ideia, a elasticidade pode atingir até 10 cm e fica parecido com a clara do ovo. Portanto, ficar de olho na característica do muco cervical é uma excelente maneira de entender o funcionamento do próprio corpo. “Em geral, o período fértil se inicia do primeiro dia em que o muco de torna mais claro e elástico, com intensa lubrificação, prolongando-se pelo menos por três dias. A janela da fertilidade ocorre num intervalo de, no máximo, seis dias, sendo esses três os mais importantes para a concepção”, comenta Dr. Edvaldo. Um estudo retrospectivo mostrou que a taxa de gravidez é aproximadamente 38% maior quando a relação sexual ocorre no primeiro dia do pico do muco transparente e elástico e 15 a 20% menor quando acontece no dia anterior ou posterior. Se você ainda não está convencida sobre a importância do muco cervical, um outro estudo mostrou que as mudanças do muco cervical ao logo do ciclo fértil conseguem predizer o dia específico para a concepção, tão bem quanto a temperatura basal ou o monitoramento do hormônio LH (hormônio luteinizante). 4 fatos sobre o muco cervical que você precisa saber Facilita o transporte do espermatozoide até o óvulo no período da ovulação, além de aumentar a lubrificação vaginal. É produzido o tempo todo, mas muda de textura nas fases do ciclo menstrual devido a ação dos hormônios. O muco cervical é um fator ligado à fertilidade, pois sua ausência pode indicar que a mulher não está ovulando. Não é corrimento! A mulher não precisa usar absorventes, assim como não é sinal de doenças ginecológicas. Mas, se mudar de cor, cheiro e estiver associado a outros sintomas, como dor e coceira é preciso investigar. Como aprender a identificar as características do muco? Existem algumas maneiras de aprender a identificar as características do muco cervical. No Brasil, o ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante atua em uma metodologia nova para ensinamento e observação do muco cervical para auxiliar no tratamento da infertilidade, assim como para resgatar a fertilidade natural.

Entenda porque a Síndrome do Ovário Policístico afeta a fertilidade

Entenda porque a Síndrome do Ovário Policístico afeta a fertilidade

Muitas mulheres descobrem que têm a Síndrome do Ovário Policístico (SOP) quando tentam engravidar e não conseguem. A SOP afeta de 4 a 12% das mulheres em idade reprodutiva, sendo uma das principais causas de infertilidade feminina. Trata-se de uma síndrome, pois é composta de um amplo grupo de sintomas, como ovários policísticos, ciclos menstruais irregulares, hirsutismo (excesso de pelos), obesidade, resistência à insulina, queda de cabelos e oleosidade excessiva. Tudo isso graças ao excesso de produção dos hormônios andrógenos. Como a SOP afeta a fertilidade A ovulação é a liberação do óvulo maduro para ser fertilizado pelo espermatozoide. O FSH (hormônio folículo estimulante) e o LH (hormônio luteinizante) controlam a ovulação. O FSH estimula o ovário a produzir o folículo, uma espécie de saco que contém o óvulo. O LH estimula a liberação deste óvulo quando ele está pronto para ser fecundado. Nas mulheres com SOP, os óvulos nunca amadurecem o suficiente para sair do folículo e esta característica leva à formação de diversos cistos ovarianos, daí o nome ‘ovário policístico’. A falta da ovulação altera os níveis de estrogênio, progesterona, FSH e LH, além de aumentar a produção dos hormônios andrógenos, o que interrompe o ciclo menstrual. Com isso, os períodos menstruais se tornam irregulares e, na maior parte das vezes, não ocorre a ovulação, ao que se dá o nome de anovulação. Recuperação da Fertilidade Natural A mudança do estilo de vida é a primeira recomendação para mulheres com SOP. A perda de peso e os exercícios físicos são estratégias importantes para recuperar a fertilidade. Isso porque estudos mostram que a perda de peso reduz os níveis dos hormônios andrógenos, melhorando a função ovariana. Além da mudança de hábitos e perda de peso, podem ser usados alguns medicamentos para induzir a ovulação. Porém, algumas mulheres têm contraindicações para essas terapias, que normalmente são de alto custo e podem gerar a hiperestimulação ovariana, aumentando a chance gestação múltipla. Para as mulheres que possuem contraindicação para a estimulação ovariana por meio de medicamentos, ou ainda para aquelas que não desejam ou não podem ter uma gestação gemelar, a indicação é o drilling ovariano. Trata-se de uma cirurgia que é feita por videolaparoscopia. O cirurgião realiza microcauterizações na superfície dos ovários e isso leva à melhora dos níveis hormonais. Como resultado, os folículos amadurecem e, consequentemente, a mulher passa a ovular. Cerca de 70% das mulheres começam a ovular após a cirurgia. O drilling ovariano, portanto, pode permitir à mulher engravidar pelo método natural, sem necessitar de estimulação hormonal, assim como da fertilização in vitro, pois restaura a função ovariana e melhora os níveis dos hormônios. Há outras vantagens deste método, como menor chance de gestação gemelar, menor risco de abortamento e taxas de sucesso semelhantes ao uso das gonadotrofinas. Além disso, os custos da cirurgia, em comparação com outros métodos, como o uso de estimuladores ovarianos ou da fertilização in vitro, são menores.

Endometriose afeta relacionamentos afetivos e sexuais

Endometriose afeta relacionamentos afetivos e sexuais

Uma vida sexual ativa e satisfatória é um importante aspecto da qualidade de vida. Porém, algumas patologias e condições de saúde afetam de forma considerável a função sexual, especialmente as doenças ginecológicas, como a endometriose. Um recente estudo multicêntrico conduzido pela Áustria e Alemanha, avaliou a função sexual de mulheres com endometriose usando dois questionários validados: o Índice de Função Sexual Feminina (FSFI) e a Escala de Distúrbio Sexual Feminino revisados (FSDS). A prevalência de disfunção sexual medida por essas ferramentas foi de 32% (FSFI) e de 78% (FSDS). A pesquisa mostrou ainda que quando a disfunção foi diagnosticada, a frequência sexual diminuiu e o medo do divórcio aumentou. Dispareunia é o principal problema Segundo, Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico e especialista em endometriose, a dor durante o ato sexual, chamada de dispareunia, é um dos principais fatores que prejudicam a vida sexual de mulheres com endometriose e está presente em mais da metade dos casos. “A dispareunia é um sintoma particularmente preocupante, porque normalmente ocorre em todas as relações sexuais. Outro ponto é que a endometriose é um fator de risco para desenvolver essa condição”. Um estudo publicado no Human Reproduction mostrou que a dispareunia foi reportada por 56% das mulheres; a dor pélvica crônica por 60% e a dismenorreia (cólica menstrual intensa) por 59%. O mesmo estudo demonstrou redução da qualidade de vida, assim como efeitos negativos na saúde física e mental do grupo estudado. “A endometriose é uma doença crônica, ou seja, ela não tem cura e requer tratamento para o resto da vida. Outro ponto é que atinge mulheres jovens, com vida sexual ativa e é muito importante que os especialistas olhem também para a sexualidade das pacientes no manejo da doença”, diz Dr. Edvaldo. Preocupação com Fertilidade Mas, não é só a dispareunia que leva a problemas sexuais. Como a doença ocorre durante o ciclo fértil, a preocupação com a fertilidade também é um fator que pode ter impactos negativos na conjugalidade. “A impossibilidade de engravidar diminui a autoestima e dá uma sensação de falha como mulher. Além disso, muitas vezes há pressões externas para conceber, que podem vir do parceiro ou da família. Isso reduz a satisfação com a vida sexual, gera problemas no relacionamento afetivo e aumenta o risco de desenvolver depressão e ansiedade, por exemplo”, comenta o médico. O efeito da endometriose no parceiro E não são só as mulheres que sofrem com os efeitos negativos da endometriose. Um estudo recente, publicado no Human Reproduction, confirmou que a endometriose afeta também o parceiro. Os resultados mostraram que mais da metade dos homens cujas parceiras têm endometriose relatam que o sexo é raro ou não existe. A pesquisa mostrou ainda que a endometriose atinge a vida sexual, a intimidade, o planejamento familiar, a vida profissional de ambos e a renda familiar. O estudo revelou também que homens cujas parceiras têm endometriose se sentem impotentes para ajudá-las, frustrados, preocupados e zangados. “Não há dúvidas que é preciso olhar com mais atenção a sexualidade das mulheres com endometriose. A dispareunia associada à doença pode gerar medo, insegurança, evitação e problemas no relacionamento afetivo, levando a outras disfunções sexuais. O diagnóstico e o tratamento são essenciais para controlar a dor, o que pode contribuir em vários aspectos, incluindo uma vida conjugal mais satisfatória”, conclui o médico.

É possível retirar um mioma e preservar o útero?

É possível retirar um mioma e preservar o útero?

O tratamento definitivo para os miomas, os tumores pélvicos sólidos benignos mais frequentes em mulheres em idade reprodutiva, é a retirada do útero (histerectomia). Porém, em mulheres jovens que desejam engravidar essa não é uma opção. Nestes casos, a cirurgia recomendada é a miomectomia. Geralmente, a cirurgia é indicada quando há presença de sintomas, rápido crescimento do mioma, distorção da cavidade uterina e oclusão tubária em mulheres que desejam engravidar. A miomectomia pode ser realizada por meio de diferentes técnicas cirúrgicas e a escolha do médico irá depender de uma série de fatores. Atualmente, a miomectomia pode ser realizada por meio de técnicas minimamente invasivas. Este tipo de cirurgia representa menos riscos, menor custo e recuperação mais rápida. Veja abaixo as principais técnicas minimamente invasivas que podem ser usadas para retirar os miomas preservando o útero: Miomectomia por videolaparoscopia: é uma técnica minimamente invasiva, feita por meio de pequenas incisões na parede abdominal com auxílio de uma câmera. Miomectomia por videohisteroscopia: é um procedimento cirúrgico realizado através da via vaginal, sem cortes. O cirurgião utiliza uma câmera e o histeroscópio (alça de corte) para analisar a cavidade uterina. Miomectomia robótica: podemos dizer que é a evolução da miomectomia laparoscópica. Representa o avanço mais significativo em cirurgia minimamente invasiva. Sentado em uma estação de trabalho, na sala do centro cirúrgico ao lado da paciente, o cirurgião opera com as mesmas incisões da videolaparoscopia e com uma visão em 3D de alta definição que proporciona melhor capacidade de identificação dos tecidos, dos vasos sanguíneos e dos nervos durante a cirurgia. A cirurgia robótica tem a sua indicação para os casos mais complexos ou mais delicados que necessitam de alto detalhamento e precisão. Gravidez pós-miomectomia É importante ressaltar que nem todas as mulheres conseguirão engravidar depois da retirada dos miomas. Em geral, as taxas de gestação pós-cirurgia variam de 40% a 50%. Alguns fatores podem interferir na probabilidade de engravidar, como idade, duração e causas da infertilidade. Segundo um estudo publicado no Journal  of Obstetrics and Gynaecology após uma miomectomia, 1 em cada 4 mulheres consegue conceber, independente da técnica cirúrgica empregada.